Segunda maior processadora de cana-de-açúcar mundial creditou o resultado negativo a um aumento substancial das provisões destinadas ao pagamento de impostos
A Biosev, braço sucroenergético da francesa Louis Dreyfus Commoditties, teve prejuízo líquido 79% maior no primeiro trimestre do ano-safra 2015/16, encerrado em junho. Segunda maior processadora de cana-de-açúcar mundial, com 11 usinas no Brasil, a companhia creditou o resultado negativo a um aumento substancial das provisões destinadas ao pagamento de Imposto de Renda e Contribuição Social.
A Biosev, braço sucroenergético da francesa Louis Dreyfus Commoditties, teve prejuízo líquido de R$ 265,6 milhões no primeiro trimestre do ano-safra 2015/16, encerrado em junho. Trata-se de um aumento de 79% na comparação com igual período da temporada anterior, na qual as perdas atingiram R$ 148,3 milhões.
Segunda maior processadora de cana-de-açúcar mundial, com 11 usinas no Brasil, a Biosev creditou o resultado negativo a um aumento substancial das provisões destinadas ao pagamento de Imposto de Renda e Contribuição Social. De acordo com a companhia, essa rubrica teve um incremento de R$ 200 milhões em relação ao primeiro trimestre de 2014/15. A alta dos impostos é "decorrente de variação nas principais diferenças temporárias do período, as quais estão concentradas em variação cambial, ajuste a valor justo sobre ativo biológico e provisões".
Espelho da geração de recursos das atividades operacionais da empresa, o Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) encolheu 17% na mesma base comparativa, passando para R$ 181,9 milhões.
Por outro lado, sua receita líquida cresceu 49%, atingindo a marca de R$ 1,362 bilhão ao final de junho, ante R$ 970 milhões aferidos no mesmo período da safra passada.

Vendas dos principais produtos reduziu
A Biosev, que tem suas ações negociadas na Bovespa, teve redução na receita de venda dos principais ativos do seu portfólio – açúcar, etanol e cogeração. No caso do açúcar, cuja comercialização recuou para R$ 399 milhões, queda 2,3% neste trimestre ante o mesmo período da safra passada, a justificativa foi o preço médio menor, embora o volume de 448 mil toneladas vendido (+18,9%) tenha compensado parcialmente essa queda.

Apesar do impulso ao etanol no mercado interno, atribuído ao retorno da Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide), a empresa teve retração de 5,6% nas vendas do biocombustível, que atingiu R$ 357 milhões.
“Já no mercado externo, houve diminuição no volume exportado e redução nos preços em função do mix de exportação mais voltado para o etanol hidratado em detrimento do etanol anidro, que tem melhores preços”, escreveu a Biosev no relatório trimestral.
Em entrevista ao Broadcast Agro, o presidente da companhia, Rui Chammas, afirmou que a Biosev não deve segurar grandes volumes em seus estoques para a entressafra, ao contrário dos grupos mais capitalizados, como Raízen e São Martinho.
A receita derivada da cogeração foi a que mais sofreu entre todos os produtos, com queda de 34%, alcançando apenas R$ 54 milhões. Neste caso, a redução de 19% dos preços foi o motivo apontado pela empresa.
R$ 552 mi com outros produtos
A receita da companhia só apresentou crescimento de quase 50% no trimestre, graças ao comportamento atípico do segmentos de ‘outros produtos’. No período, R$ 552 milhões (40,5% do total recebido) foi originada com outros produtos, como levedura seca, melaço em pó, bagaço cru e hidrolisado para ração animal.
A companhia explicou que a comercialização no mercado spot (à vista) desses produtos para o cumprimento de contratos de performance de exportação, associados às obrigações em moeda estrangeira também compõe essa fonte de faturamento.
“O principal fator para o aumento da receita de outros produtos advinda de performance de contratos de exportação foi o descasamento entre o fluxo de exportações da Biosev com vencimentos de contratos de dívida em moeda estrangeira, potencializado pela redução da moagem derivada de fatores climáticos adversos”, explicou a sucroenergética.
Indicadores de produção
A moagem da Biosev recuou 11,9% na comparação com o primeiro trimestre da temporada passada, para 9,7 milhões de toneladas. Com relação à cana-de-açúcar própria, a redução foi 10,5%, para 5,4 milhões de toneladas, enquanto a de teceiros recuou 14,3%, atingindo 3,2 milhões de toneladas. Apesar disso, a quantidade de toneladas de cana por hectare (TCH) subiu 12,9%, para 83,9 TCH.

“Esse crescimento é resultado do aumento da produtividade dos canaviais dos Polos MS e Leme-Lagoa da Prata (LL), parcialmente compensada pela redução da produtividade do Polo Ribeirão Preto”, avaliou.
Já o teor de açúcar total recuperável, que mede a eficiência do processo industrial, caiu ligeiramente, 1,1%, atingindo 117,1 quilos por hectare.
Dívida alta
A dívida bruta da companhia cresceu 3,4%, atingindo a considerável soma de R$ 6,5 bilhões no final de junho. De acordo com a Biosev, o principal motivo que contribuiu para essa variação foi o volume de captações líquidas, que atingiu R$ 633 milhões.

“Isso parcialmente compensado pelo impacto positivo da valorização de 3,3% do real frente ao Dólar norte-americano sobre o endividamento denominado em moeda estrangeira”, afirmou a sucroenergética no documento.
A parcela direcionada às dívidas de curto prazo (com vencimento nos próximos 12 meses) teve alta de 13%, para R$ 1,8 bilhões. Já o endivimento de longo prazo se manteve estável, emR$ 4,7 bilhões.
Felipe Vanini Bruning – NovaCana