Resultados financeiros da safra acumulam perdas superiores a R$ 823 milhões
Depois de registrar prejuízo no primeiro trimestre da atual safra e um lucro modesto no segundo, a Biosev – braço açucareiro da Louis Dreyfus Company no Brasil – encerrou o período de outubro a dezembro com mais um resultado negativo. Desta vez, o prejuízo foi de R$ 278,69 milhões.
Com isso, a chance de a companhia encerrar o ano no azul se torna praticamente nula, uma vez que o quarto trimestre corresponde ao período de entressafra. No acumulado dos últimos nove meses, a perda consolidada é de R$ 823,14 milhões.
Para completar, a alavancagem da companhia segue alta. A relação entre a dívida líquida ajustada e o Ebitda ajustado da Biosev foi de 3,4 vezes no trimestre e 3,8 vezes no acumulado – o que motivou a Biosev a aprovar uma nova política financeira e de gestão de riscos.
Ainda de acordo com a empresa, no terceiro trimestre, a moagem do grupo foi de 6,4 mil toneladas de cana-de-açúcar, uma queda de 18,7% em relação às 7,9 mil toneladas vistas no mesmo período de 2016/17.
Além disso, a companhia adotou um mix de produção onde 39,8% da cana foi destinada à fabricação de açúcar, ante 47,8% no terceiro trimestre da safra passada. Com isso, a produção do adoçante caiu 29,2% no trimestre, indo de 459 mil toneladas para 325 mil toneladas.
A mudança no mix, contudo, não impediu que a produção de etanol também registrasse queda. Devido à queda na moagem, o volume total no terceiro trimestre foi de 309 milhões de litros em 2016/17 para 305 milhões de litros em 2018/19. No acumulado da safra, por sua vez, houve um aumento de 7,7%, com a produção de etanol chegando a 1,14 bilhão de litros.
Mesmo com a queda no resultado trimestral, a receita da Biosev aumentou em todos os seus principais produtos. Com a venda de açúcar, a companhia arrecadou R$ 835 milhões (+2,6%), enquanto o etanol representou a entrada de R$ 597,04 milhões no caixa (+26,2%). Já a geração de energia elétrica – que caiu de 228 GWh para 174 GWh – somou R$ 92,05 milhões (+40,7%).
Depois de registrar prejuízo no primeiro trimestre da atual safra e um lucro modesto no segundo, a Biosev – braço açucareiro da Louis Dreyfus Company no Brasil – encerrou o período de outubro a dezembro com mais um resultado negativo. Desta vez, o prejuízo foi de R$ 278,69 milhões.
Com isso, a chance de a companhia encerrar o ano no azul se torna praticamente nula, uma vez que o quarto trimestre corresponde ao período de entressafra. No acumulado dos últimos nove meses, a perda consolidada é de R$ 823,14 milhões.
Para completar, a alavancagem da companhia segue alta. A relação entre a dívida líquida ajustada e o Ebitda ajustado da Biosev foi de 3,4 vezes no trimestre e 3,8 vezes no acumulado. Segundo informações divulgadas pelo Valor Econômico, a atual gestão da Biosev procura manter um índice de alavancagem de 3,5 vezes. Entretanto, a empresa aprovou uma nova política financeira e de gestão de riscos, que prevê o limite de alvo para esse indicador em 2,5 vezes.
Desempenho financeiro
A Biosev, conforme seu relatório financeiro, opera com uma margem relativamente apertada. No trimestre, a receita líquida foi de R$ 1,54 bilhão, mas os custos de produção foram de 1,16 bilhão, restando à empresa um lucro bruto de R$ 380,06 milhões.
Ainda assim, esse último valor representa uma melhora de 56% em relação aos R$ 243,43 milhões vistos no terceiro trimestre da safra 2016/17. A relação simples entre receita e custos também caiu, indo de 84,30% para 75,24%, o que indica uma melhora no desempenho operacional.
Contudo, outras despesas operacionais – incluindo custos administrativos e resultados de equivalência patrimonial – cresceram consideravelmente em relação ao mesmo período do ano anterior. Nesse caso, mesmo considerando eventuais receitas, as perdas no trimestre subiram de R$ 124,16 milhões para R$ 275,85 milhões, um aumento de 122,17%. No acumulado de 2017/18, o prejuízo foi de R$ 696,85 (+48,96%).
Ainda assim, a companhia comemora um aumento no Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que passou de R$ 395,71 milhões no terceiro trimestre de 2016/17 para R$ 567,06 milhões no terceiro trimestre de 2017/18. Com isso, a margem Ebitda passou de 25,5% para 36,9%.
Outro aspecto que também pesou em direção a mais um prejuízo para a Biosev foram as variações cambiais. No terceiro trimestre de 2017/18, elas representaram perdas de R$ 237,39 – sendo que as perdas totais da safra somam R$ 243,47.
Queda no rendimento agrícola
Ainda de acordo com a Biosev, no terceiro trimestre, a moagem do grupo foi de 6,4 mil toneladas de cana-de-açúcar – uma queda de 18,7% em relação às 7,9 mil toneladas vistas no mesmo período de 2016/17. Segundo a companhia, houve uma diminuição da área colhida ao longo da safra devido ao maior volume de chuvas no Centro-Sul que, em compensação, colaborou para que a quantidade de açúcares recuperáveis (ATRs) subisse de 133,7 kg/t para 135,6 kg/t.

A maior diminuição na moagem registrada pela Biosev aconteceu justamente na cana-de-açúcar de origem própria, que caiu 22,8%, de 5,8 mil t para 4,5 mil t. Nesse caso, houve uma diminuição da produtividade do canavial, que passou de 73,4 t/ha para 70,7 t/ha.
Considerando toda a safra, entretanto, esse índice é de 80,2 t/ha, com destaque para as usinas do Mato Grosso do Sul, que alcançaram 82,1 t/ha no terceiro trimestre e 85,1 t/ha na média da safra.

“A Biosev está implementando um novo modelo de plantio que contempla o aproveitamento da mão de obra utilizada no plantio para as atividades de colheita e tratos. O plantio da cana de açúcar se concentrará entre os meses de dezembro e março na região Centro-Sul, de forma sistemática”, afirma a companhia, que complementa: “As melhorias implementadas na área agrícola ao longo dos últimos anos contribuíram para a formação de um canavial mais jovem e com longevidade aumentada, o que permitirá a redução da taxa de renovação do canavial da Biosev para as próximas safras”.
Produção e receitas
A companhia também adotou um mix de produção onde 39,8% da cana foi destinada à fabricação de açúcar, ante 47,8% no terceiro trimestre da safra passada. Com isso, a produção do adoçante caiu 29,2% no trimestre, indo de 459 mil toneladas para 325 mil toneladas.

A mudança no mix, contudo, não impediu que a produção de etanol também registrasse queda. Devido à queda na moagem, o volume total no terceiro trimestre foi de 309 milhões de litros em 2016/17 para 305 milhões de litros em 2018/19. No acumulado da safra, por sua vez, houve um aumento de 7,7%, com a produção de etanol chegando a 1,14 bilhão de litros.
Mesmo com a queda no resultado trimestral, a receita da Biosev aumentou em todos os seus principais produtos – ao menos quando se exclui os efeitos contábeis da dívida em moeda estrangeira (HACC). Com a venda de açúcar, a companhia arrecadou R$ 835 milhões (+2,6%), enquanto o etanol representou a entrada de R$ 597,04 milhões no caixa (+26,2%). Já a geração de energia elétrica, que caiu de 228 GWh para 174 GWh, somou R$ 92,05 milhões (+40,7%).

A venda de leveduras, entretanto, caiu 45,6%, alcançando R$ 16,58 milhões. Além disso, não foram realizadas exportações de outras commodities no período, algo que havia representado uma receita de R$ 172,72 milhões no terceiro trimestre de 2016/17.
Dívidas
Na comparação com a posição das dívidas ao final do segundo trimestre da safra, a Biosev aumentou em 0,4% seu débito total com empréstimos e financiamentos, que estava em 5,45 bilhões em 31 de dezembro. A maior parte desse valor é referente a adiantamentos de contrato de câmbio (R$ 2,02 bilhões) e pré-pagamentos de exportações (R$ 1,25 bilhão).

Entretanto, houve uma redução de 1,3% no valor devido com vencimento nos próximos 12 meses, chegando a R$ 2,10 bilhões. Já o valor das dívidas nessa categoria com vencimento em médio e longo prazo aumentou em 1,5%, para R$ 3,36 bilhões.
Renata Bossle – NovaCana