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Biosev pretende acessar linhas de crédito para renovação de canavial


Agência Estado - Publicado: 10 Jun 2015 - 14:06 | Atualizado: 30 Nov -0001 - 21:00

A Biosev, braço sucroenergético da trading Louis Dreyfus Commodities (LDC), já está se movimentando para acessar as linhas de renovação de canaviais (Prorenova) e de estocagem de etanol previstas no Plano Safra 2015/2016, anunciado na semana passada. "Temos conversado com alguns bancos, que fazem a intermediação, para entender a rapidez com que conseguiremos acessar essas linhas", afirmou ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o diretor presidente da companhia, Rui Chammas. O Prorenova terá R$ 1,5 bilhão, via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O montante equivale à metade do que foi alocado em 2014. Com relação à estocagem de álcool, os recursos disponibilizados foram mantidos em R$ 2 bilhões. Para ambas as linhas, os juros são TJLP mais 2,7% ao ano, superiores aos do ano passado.

De acordo com Chammas, o crédito, mesmo sendo mais enxuto, tem de ser comemorado, dado o momento de ajuste fiscal em praticamente todos os setores da economia. Num cenário assim, o executivo destacou que a Biosev pretende repetir a "tática" de carregar seus estoques de açúcar para serem comercializados durante a entressafra de cana-de-açúcar, no início do ano que vem, quando os preços da commodity geralmente estão em níveis mais elevados. "Já estamos projetando uma concentração maior (de comercialização) durante a entressafra", afirmou.

Ao final de 2014/15, em 31 de março, a Biosev detinha reservas de 76 mil toneladas de açúcar, 9,1% mais na comparação com igual data do ano anterior. No caso do etanol, os estoques eram 11,1% menores, com 85 milhões de litros, devido à comercialização mais aquecida no primeiro trimestre deste ano. O período foi marcado por medidas de apoio ao biocombustível, como retorno da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) na gasolina, aumento da mistura de anidro no combustível fóssil e redução do ICMS incidente sobre o hidratado em Minas Gerais, que impulsionaram a demanda pelo produto. Chammas evitou dizer se a estratégia de carregar estoques se aplicará também ao etanol em 2015/16. "Estamos acompanhando o mercado", disse.

Quantos aos investimentos, o diretor presidente da Biosev afirmou que vai manter o mesmo "conceito" de 2014/15 na atual temporada, incluindo aí disciplinas operacional e financeira "extremas". No ciclo passado, o capex da empresa foi de R$ 1,13 bilhão.

A Biosev reportou ontem prejuízo líquido de R$ 221,7 milhões no quarto trimestre do ano-safra 2014/15, 78,2% menor do que as perdas de R$ 1,0 bilhão registradas em igual período de 2013/14. O período corresponde aos meses de janeiro, fevereiro e março deste ano. Na temporada fechada, o prejuízo da empresa foi de R$ 498,7 milhões (-66%). Já a receita líquida alcançou R$ 1,4 bilhão no quarto trimestre (+71,2%), totalizando R$ 4,5 bilhões no ano (+5,8%).

O fluxo de caixa ficou positivo em R$ 16 milhões no ciclo, ante um negativo de R$ 192 milhões no anterior, graças à estratégia comercial da empresa, segundo Chammas. "Essa estratégia visa a maximizar o resultado na venda de açúcar, de etanol e de energia, com hedge, conhecimento de mercado e venda de produtos com maior valor agregado", afirmou.

Criada em 2009 a partir da fusão da LDC Bioenergia com a Santelisa Vale, a Biosev é a segunda maior processadora de cana do mundo, com 11 unidades localizadas em 4 polos agroindustriais no Brasil. Só o do Nordeste utilizou 95% de sua capacidade instalada em 2014/15, "melhor moagem das últimas três safras", conforme Chammas. A Biosev tem capacidade total de moagem superior a 36 milhões de toneladas por safra.

José Roberto Gomes

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