A Biosev, divisão de energia da francesa Louis Dreyfus Commodities no Brasil, prevê elevar a moagem de cana em 12 por cento em 2013/14, para 33 milhões de toneladas, o que poderá ajudar a empresa a reverter os prejuízos recentes, disse nesta quarta-feira o presidente da companhia.
"Estamos crescendo de maneira saudável, enchendo nossas plantas. Isso se vê no nosso faturamento e na nossa geração de caixa", afirmou o presidente-executivo da Biosev, Christophe Akli, em entrevista à Reuters.
O executivo observou que a companhia investiu 1,3 bilhão de reais nos ativos durante a temporada passada, estável com o ano anterior, o que permitiu a renovação dos canaviais, resultando em um esperado aumento de produtividade e uso da capacidade em 13/14.
"Fizemos mais com o mesmo dinheiro... Isso é importante, a gente investiu, plantou 4 por cento a mais e mecanizou mais o nosso canavial...", disse o executivo, após a divulgação de seu primeiro resultado financeiro após a Oferta Pública de Ações.
A segunda produtora de açúcar e etanol do Brasil, atrás da Raízen, do grupo Cosan, divulgou na terça-feira prejuízo líquido de 185,4 milhões de reais no último trimestre referente à safra 12/13.
A companhia prevê elevar o uso da capacidade de moagem de cana a 87 por cento em 13/14, ante 73,7 por cento no ciclo anterior, segundo o executivo.
A empresa estima produção de açúcar em 2,1 milhões de toneladas em 13/14, praticamente o mesmo volume do ano anterior, e projeta produção de etanol em 1,3 bilhões de litros, crescimento de 300 milhões de litros ante 12/13.
Do total previsto de açúcar na temporada, Akli disse que 98 por cento foi vendido antecipadamente a 45 centavos de real por libra-peso. "Quem for ao mercado agora para vender, se não estiver hedgeado, consegue 34 centavos de real/lb", estimou.
Às 15h45, as ações da Biosev tinham alta de 0,45 por cento.
EXPANSÃO
A Biosev deu início a um processo de expansão e otimização do uso da capacidade e prevê elevar a capacidade de moagem em 6 milhões de toneladas, sobre as atuais 38 milhões de toneladas em capacidade instalada.
O executivo não especificou um prazo para esta expansão projetada, ressaltando que isso dependerá das condições do mercado.
Akli descartou, por ora, investimentos em "greenfields" (novos projetos) dada à condição pouco favorável do mercado.
"Acreditamos na sacarose, no potencial do açúcar, etanol e energia... mas o cenário agora favorece todo o trabalho para otimizar o uso do ativo existente", acrescentou.
ARRUMAÇÃO
O executivo disse que enxerga um futuro favorável para o setor, pela expectativa de crescimento de 2 por cento no consumo global de açúcar e pelo cenário positivo ao etanol no Brasil e no mundo, com as leis que preveem um maior uso do combustível renovável. Por isso, a empresa vem se estruturando para garantir melhor desempenho no segmento.
A companhia reduziu e alongou o vencimento das dívidas. Em dezembro de 2012, a dívida somava 4,7 bilhões de reais, com 40 por cento dos vencimentos no curto prazo. Ao final de março, a dívida recuou para 3,9 bilhões de reais, com 30 por cento vencendo no curto prazo.
A Biosev fez oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em abril levantando pouco mais de 700 milhões de reais, dos quais 30 por cento foram usados para pagamento de dívidas e o restante será utilizado para otimizar o uso das plantas da companhia e manter crescimento.
Os recursos do IPO também ajudam a companhia a reduzir a alavancagem, trazendo a níveis semelhantes aos de seus concorrentes com capital aberto.
A relação entre dívida líquida e a geração de caixa operacional medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortização da Biosev recuou para 3 vezes no final de março, ante 4,1 vezes no final de 2012.
O diretor de Relação com Investidores, Marco Antonio Modesti, explicou que com a entrada de recursos do IPO em abril a relação recua para 2,5 vezes.
Fabíola Gomes