O setor sucroenergético está buscando cada vez mais uma economia circular em seus ciclos produtivos. Por esta razão, as possibilidades e inovações para as usinas foram tema do terceiro painel da Conferência NovaCana, realizado nesta segunda-feira, 15.
Substâncias que eram vistas como rejeitos da indústria, como a vinhaça e a torta de filtro, agora são matéria-prima para novos produtos. Além de acrescentarem receita às usinas, elas também representam um ponto positivo para a descarbonização.
Entre as soluções sustentáveis estão o biogás e o biometano. O diretor da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), Tiago Santovito explicou mais sobre a tecnologias e a sua importância para a descarbonização.
De acordo com ele, a população global está com uma taxa de crescimento de 0,9% ao ano, pressionando os recursos naturais do planeta. Assim, há uma necessidade energética, afinal, a demanda continuará a crescer pelas próximas duas décadas.
Santovito acredita que o biometano estaria bem-posicionado como uma oportunidade para o setor sucroenergético. Ele ainda destaca que o biometano pode ser um substituto do diesel, um grande custo para as usinas.
“A oportunidade do biometano é, de fato, essa troca pelo diesel. O diesel é importado, não traz benefício para a sociedade. Se trocado por um produto nacional, será muito mais vantajoso”, completa.
Em 2024, segundo Santovito, foram importados 2,4 bilhões de litros de diesel, 2,7 milhões de metros cúbicos de GNL (gás natural liquefeito) e 2 milhões de m³ de GLP (gás liquefeito de petróleo) dos Estados Unidos. Considerando as projeções de produção do biometano, o gás sustentável seria suficiente para substituir em mais de duas vezes cada um dos combustíveis originados no país norte-americano.
O biometano cresceu 188% nos últimos cinco anos. Em 2020, foram 314 milhões de m³, enquanto neste ano já está prevista a produção de 906,75 milhões de m³. Além disso, segundo a ABiogás, há 37 plantas em processo de autorização, que podem elevar a capacidade total para 1,4 bilhão de m³.
Atualmente, a capacidade de produção chega a 1 milhão de m³ ao dia, levando em conta as plantas autorizadas e o autoconsumo. Considerando os associados da ABiogás, que somam 127 plantas, o potencial de produção alcança 8 milhões de m³ por dia.
A entidade, entretanto, aponta que existe no Brasil um potencial teórico de 120 milhões de m³ ao dia. Dentro deste total, 57,6 m³ viriam do setor sucroenergético; 38,9 m³ de proteínas animais; 18,2 m³ da produção agrícola; e 6,1 m³ do saneamento básico urbano.
Por fim, ele aponta que os principais desafios rodeiam a demanda de infraestrutura, a precificação e o aprimoramento regulatório.
Giully Regina – NovaCana