Etanol: Mercado

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Com biometano, Brasil vai produzir amônia verde antes da Europa, diz Yara

País deve movimentar quase 45 milhões de toneladas de fertilizantes em 2023, segundo a empresa


Globo Rural - Publicado: 08 Dez 2023 - 08:45

A Yara anunciou nesta terça-feira, 5, a ampliação da estratégia de negócios no Brasil, com destaque para a produção em escala comercial de amônia verde em Cubatão (SP) a partir do segundo trimestre de 2024. “O Brasil vai produzir amônia verde antes que as plantas da Europa”, afirmou o presidente da empresa no país, Marcelo Altieri, em São Paulo, durante um almoço para jornalistas.

Segundo ele, a produção de amônia verde acontecerá a partir de biometano que virá da Raízen. A expectativa é reduzir em 50% as emissões de carbono. “É a primeira amostra de escala global, já que 3% do gás que é produzido na fábrica será com amônia verde”, destacou Altieri.

De acordo com o executivo, o plano estratégico da companhia é, pouco a pouco, mudar as fontes de energia fósseis por renováveis e a produção de fertilizantes vai neste caminho com a amônia verde e com uma linha de fertilizantes líquidos para agricultura regenerativa na planta de Sumaré (SP), cuja capacidade de produção é estimada em 40 milhões de litros.

Na mesma fábrica, a companhia informou que fará um aporte de R$ 90 milhões até 2025 para direcionar pesquisas e desenvolvimento a fim de financiar novas formulações. O desafio no país, no entanto, é ter um marco regulatório que contribua para as empresas que estão fazendo a mudança da matriz energética, avaliou Altieri.

“Para que isso aconteça o país precisa ter condições competitivas com posto energético adequado, pois matérias-primas para produzir nitrogênio, por exemplo, emitem muito carbono”, acrescentou ao falar que ainda é mais caro produzir no Brasil com ativos descarbonizantes.

Na ocasião, o executivo revelou outras projeções relacionadas ao Complexo Industrial de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, que pela primeira vez está operando em capacidade plena, com 1,1 milhão de toneladas de NPK em grãos entregues até o final deste ano. A projeção é produzir 2 milhões de toneladas de fertilizantes até 2024. Em 2022, a operação utilizou metade desta capacidade. Nos últimos dez anos, a companhia de origem norueguesa investiu R$ 15 bilhões no Brasil.

Isadora Camargo