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Biomassa e hidrogênio podem ser chaves na transição energética, diz pesquisador

À frente do CNPEM, José Roque ressalta importância de inovações que estão sendo desenvolvidas no Brasil; ele destaca a busca por tecnologias de futuro que possam reduzir dependência de minerais críticos


ONU News - Publicado: 08 Jul 2026 - 08:28

Por trás das paredes do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), pesquisas inovadoras em biociências e nanotecnologia estão mirando a transição energética, tão necessária para frear o aquecimento global.

O diretor-geral do CNPEM, José Roque, falou sobre o assunto no Fórum de Ciência e Tecnologia Inovação, na sede da ONU em Nova York, em maio. Na sequência do evento, ele conversou com a ONU News e explicou que a área de biocombustíveis é uma das grandes prioridades do centro de pesquisa.

“Já faz ‘pra lá de década’ que a gente tem uma capacidade de produzir coquetéis enzimáticos para transformação de diversos tipos de biomassa e programas de desenvolvimento de leveduras para produção, desde combustíveis tradicionais como o etanol, mas também trabalhando para combustíveis avançados de aviação”, afirma.

Segundo ele, um dos grandes desafios atuais é justamente tornar a aviação comercial mais sustentável. “A gente já vem fazendo isso e é uma área que eu acho que pode vir a ter um impacto em mobilidade importante no Brasil e na África, também em outros países”, completa.

O pesquisador ressalta que nações com grande biodiversidade tem a oportunidade de explorar diversas variedades de biomassa.

Roque defende ainda que a ciência de materiais tem um papel central no cumprimento dos objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU, pois pode apontar novos caminhos para a transição energética.

Ele explica que isso pode significar uma menor dependência dos chamados minerais críticos, como terras raras, cobalto, lítio e níquel. “Fazer imãs permanentes que não utilizem terras raras ou não utilizem materiais complexos e difíceis, pois talvez eles mesmo tenham problemas de sustentabilidade, é um grande desafio”, afirma.

Ele ainda completa: “Na energia solar, houve uma queda muito grande de preço, com avanço de materiais, baterias. Também há um avanço enorme de redução de custo e de sustentabilidade na própria produção”.

Em relação a materiais, o CNPEM tem capacidade tanto de investigação quanto de desenvolvimento, com um olhar focado em “tecnologias de futuro”.

Hidrogênio como fonte de energia

Roque disse que, além de buscar materiais que possam otimizar a energia solar ou eólica, o centro de pesquisa também está focado na produção de outras fontes de energia, como o hidrogênio.

“Temos pesquisas olhando possíveis materiais para a fotoeletrólise, utilizando energia solar para poder quebrar a água e produzir hidrogênio”, relata.

De acordo com ele, atualmente, a eletrólise tradicional depende da rede elétrica, de modo que é interessante buscar por uma alternativa sustentável, conectada a fontes eólicas ou de energia solar.

“Você pode fazer uma conversão direta utilizando materiais que vão usar a luz solar e quebrar diretamente a água. Esse é um dos desenvolvimentos, por exemplo, que o CNPEM tem feito e que envolve toda essa questão de novos materiais”, detalha.

Para o pesquisador, como a energia é uma das grandes questões globais, é fundamental procurar materiais que sejam mais eficientes, e, eles próprios, sustentáveis, ou seja, cuja produção não envolva a destruição da natureza.

Felipe de Carvalho