Por trás das paredes do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), pesquisas inovadoras em biociências e nanotecnologia estão mirando a transição energética, tão necessária para frear o aquecimento global.
O diretor-geral do CNPEM, José Roque, falou sobre o assunto no Fórum de Ciência e Tecnologia Inovação, na sede da ONU em Nova York, em maio. Na sequência do evento, ele conversou com a ONU News e explicou que a área de biocombustíveis é uma das grandes prioridades do centro de pesquisa.
“Já faz ‘pra lá de década’ que a gente tem uma capacidade de produzir coquetéis enzimáticos para transformação de diversos tipos de biomassa e programas de desenvolvimento de leveduras para produção, desde combustíveis tradicionais como o etanol, mas também trabalhando para combustíveis avançados de aviação”, afirma.
Segundo ele, um dos grandes desafios atuais é justamente tornar a aviação comercial mais sustentável. “A gente já vem fazendo isso e é uma área que eu acho que pode vir a ter um impacto em mobilidade importante no Brasil e na África, também em outros países”, completa.
O pesquisador ressalta que nações com grande biodiversidade tem a oportunidade de explorar diversas variedades de biomassa.
Roque defende ainda que a ciência de materiais tem um papel central no cumprimento dos objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU, pois pode apontar novos caminhos para a transição energética.
Ele explica que isso pode significar uma menor dependência dos chamados minerais críticos, como terras raras, cobalto, lítio e níquel. “Fazer imãs permanentes que não utilizem terras raras ou não utilizem materiais complexos e difíceis, pois talvez eles mesmo tenham problemas de sustentabilidade, é um grande desafio”, afirma.
Ele ainda completa: “Na energia solar, houve uma queda muito grande de preço, com avanço de materiais, baterias. Também há um avanço enorme de redução de custo e de sustentabilidade na própria produção”.
Em relação a materiais, o CNPEM tem capacidade tanto de investigação quanto de desenvolvimento, com um olhar focado em “tecnologias de futuro”.
Roque disse que, além de buscar materiais que possam otimizar a energia solar ou eólica, o centro de pesquisa também está focado na produção de outras fontes de energia, como o hidrogênio.
“Temos pesquisas olhando possíveis materiais para a fotoeletrólise, utilizando energia solar para poder quebrar a água e produzir hidrogênio”, relata.
De acordo com ele, atualmente, a eletrólise tradicional depende da rede elétrica, de modo que é interessante buscar por uma alternativa sustentável, conectada a fontes eólicas ou de energia solar.
“Você pode fazer uma conversão direta utilizando materiais que vão usar a luz solar e quebrar diretamente a água. Esse é um dos desenvolvimentos, por exemplo, que o CNPEM tem feito e que envolve toda essa questão de novos materiais”, detalha.
Para o pesquisador, como a energia é uma das grandes questões globais, é fundamental procurar materiais que sejam mais eficientes, e, eles próprios, sustentáveis, ou seja, cuja produção não envolva a destruição da natureza.
Felipe de Carvalho