2ª Geração

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Bioinformática é indispensável nas pesquisas do etanol de segunda geração


Valor Econômico - Publicado: 20 Set 2013 - 09:39 | Atualizado: 30 Nov -0001 - 21:00
A tecnologia da informação (TI) é um dos ingredientes mais importantes nos processos de inovação. Qualquer dúvida sobre essa relevância pode ser esclarecida na lista das dez empresas mais inovadoras da América do Sul em 2013, selecionadas pelo site Fast Company: somente o décimo colocado, a companhia teatral argentina Fuerza Bruta poderia, em tese, dispensar a TI como essencial - mas até isso é amplamente discutível. Quatro das dez classificadas são brasileiras: a Enalta, a GranBio, a Tecsis e a Netshoes. E em todas elas, a TI é fundamental.

Na GranBio, startup da área de bioenergia, fundada em 2011 pela Gran Investimentos, holding da família Gradin, o foco está nos segmentos de biocombustíveis e bioquímica. A estratégia da empresa inclui a produção de etanol a partir da celulose, agora chamado de álcool 2G (de segunda geração), e também o desenvolvimento de uma nova espécie de cana, a "cana energia", que rende 200 toneladas por hectare, enquanto a cana comum rende 85. Nada disso seria possível sem a bioinformática, garante Gonçalo Pereira, cientista-chefe da GranBio: "Nossa missão é transformar biomassa em combustível, e para isso temos de trabalhar com bioinformática", diz ele.

Na concepção de Pereira, as próprias células dos organismos vivos são computadores, nos quais o código genético é o programa armazenado: "É esse código que define o que é ligado ou desligado, o que funciona ou não. Faz 20 anos que a ciência está decompondo a informação biológica e armazenando-a em bits - estruturando assim a genômica, a proteômica e outras 'ômicas'", brinca ele. "O que elas fazem é reunir várias áreas do conhecimento para simular a vida dentro do computador", explica.

É com o auxílio dessas ciências, conta Pereira, que a GranBio está pesquisando os insumos para seus processos industriais. O processo para a obtenção do álcool 2G, segundo ele, começa com "biomassa de alta produtividade e baixo valor", que será obtida a partir da cana energia. Ali, o bagaço é pura celulose, substância formada por uma série de açúcares encadeados. A tarefa da GranBio será transformar em álcool os dois tipos de açúcar contidos nessa biomassa. "No processamento tradicional da cana obtém-se álcool a partir da glicose, mas é possível conseguir mais 25 a 30% com o açúcar que está ali sob outra forma, a xilose", explica Pereira. A solução está em novas leveduras que a empresa está desenvolvendo em computador: elas são geneticamente modificadas, para que consigam transformar a xilose da biomassa em álcool.

Paulo Brito