Etanol: Meio ambiente

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Bioenergia evitou mais de 85 milhões de toneladas de CO2 no Brasil em 2023

O valor é 16% maior que o registrado antes da pandemia de covid-19


EPBR - Publicado: 26 Ago 2024 - 09:14

A análise de conjuntura dos biocombustíveis publicada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) esta semana aponta que a bioeletricidade e os biocombustíveis estão contribuindo para aumentar a renovabilidade da matriz energética brasileira e reduzir a intensidade de carbono.

De acordo com o levantamento, tanto a geração de energia elétrica nas usinas sucroenergéticas quanto a produção de etanol e biodiesel cresceram em 2023, o que resultou em mais de 85,62 milhões de toneladas de CO2 evitadas pela bioenergia. O valor é 16% maior que o registrado antes da pandemia de covid-19.

No setor elétrico, a bioeletricidade representou 8,2% da energia elétrica gerada em 2023. A maior parte veio das usinas de etanol, com o bagaço de cana se convertendo em fonte de geração.

Essa participação, combinada com a manutenção da geração hidrelétrica e aumentos da geração eólica (+17,4%) e solar fotovoltaica (+68,1%), contribuiu para que a oferta de eletricidade no ano fosse ainda mais renovável do que em 2022, diz a EPE.

Além disso, ela ajudou a deslocar a participação de térmicas a gás natural (-7,9%) e derivados de petróleo (-19,4%). Isso resultou em um fator médio de emissão do Sistema Interligado Nacional (SIN) de 0,0385 tCO2/MWh – cerca de 10% menor que o valor registrado em 2022, além de ser o menor valor dos últimos 12 anos.

“A energia gerada pelas usinas de açúcar e etanol em 2023, utilizada para autoconsumo e exportada para a rede, contribuiu para evitar a emissão de 1,41 MtCO2, 2,3% a mais que as emissões evitadas em 2022 (1,37 MtCO2)”, aponta a EPE.

A melhora contrasta com o cenário geral. Publicado em junho, o Balanço Energético Nacional da EPE mostra que o total de emissões associadas à matriz energética brasileira atingiu 428 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (MtCO2eq), um ligeiro aumento de 0,8% em relação aos 424,3 MtCO2eq registrados em 2022.

Mesmo com as adições de capacidade renovável, a previsão é de aumento nos próximos anos, com as emissões de CO2 associadas à matriz energética crescendo a uma taxa média de 1,73% ao ano desde o ano 2000.

Biodiesel e etanol

A maior contribuição bioenergética para evitar emissões veio dos biocombustíveis. O aumento da produção e consumo observados em 2023 fez com que a matriz de transportes apresentasse um perfil 22,5% renovável. Um dos motivos é a retomada do cronograma de aumento da mistura de biodiesel no diesel, que subiu de 10% para 12% no ano passado.

“As emissões evitadas pelo uso de etanol (anidro e hidratado de cana e milho de primeira geração) e biodiesel, em comparação aos equivalentes fósseis (gasolina e diesel), somaram 84,2 MtCO2 em 2023. Esse valor representa um nível de emissões evitadas 18,5% maior do que o total observado no ano anterior (71,1 MtCO2)”, calcula a empresa de pesquisa.

Novos combustíveis no horizonte

Para a EPE, a bioenergia deve ganhar ainda mais relevância com o avanço da transição energética, especialmente com os biocombustíveis drop-in para o transporte pesado de longa distância, mais difíceis de eletrificar.

Regulações nacionais como o Combustível do Futuro e internacionais como o esquema de compensação de emissões para a aviação (Corsia) e o futuro imposto de carbono do transporte marítimo tendem a impulsionar a demanda pelos renováveis.

Globalmente, o setor de transportes contribui com cerca de um quarto das emissões globais de CO2, devido à queima ser predominantemente de combustíveis fósseis. O transporte marítimo é responsável por 2% a 3% das emissões globais de GEE, enquanto o transporte aéreo mundial responde por cerca de outros 2%.

Na presidência rotativa do G20 este ano, o governo brasileiro tem defendido sua bioenergia como uma alternativa sustentável para descarbonizar esses setores.

Em setembro, o país levará à Organização Marítima Internacional (IMO, em inglês) uma proposta para abrir mercados aos combustíveis de base agrícola. A intenção é defender que se considere características regionais nos cálculos de intensidade de carbono, para mostrar que o uso da terra brasileiro é mais sustentável do que diz o padrão europeu.

Nayara Machado