Sucroenergética registrou melhora no desempenho operacional, mas pagamento de juros e câmbio prejudicaram resultado
Com uma usina em Lucélia (SP) e em recuperação judicial desde novembro de 2019, a Bioenergia do Brasil acumula prejuízos há oito anos; seu último resultado positivo foi em 2012. Em 2020, a companhia, que também atua com a produção de agentes biológicos e microbiológicos para controle de doenças e pragas da cana-de-açúcar, registrou o prejuízo de R$ 42,87 milhões.
Os dados se referem ao período de janeiro a dezembro. A perda é a maior em cinco anos, ficando 19,7% acima do valor registrado em 2019, e o segundo pior resultado desde o prejuízo de R$ 82,71 milhões visto em 2015.
Os números da sucroenergética foram publicados no Diário Oficial de São Paulo. Leia mais no texto completo (exclusivo para assinantes).
Com uma usina em Lucélia (SP) e em recuperação judicial desde novembro de 2019, a Bioenergia do Brasil acumula prejuízos há oito anos; seu último resultado positivo foi em 2012. Em 2020, a companhia, que também atua com a produção de agentes biológicos e microbiológicos para controle de doenças e pragas da cana-de-açúcar, registrou o prejuízo de R$ 42,87 milhões.
Os dados se referem ao período de janeiro a dezembro. A perda é a maior em cinco anos, ficando 19,7% acima do valor registrado em 2019, e o segundo pior resultado desde o prejuízo de R$ 82,71 milhões visto em 2015.
Os números da sucroenergética foram publicados no Diário Oficial de São Paulo.

Apesar do resultado líquido negativo, a Bioenergia do Brasil teve uma melhora considerável em seu lucro bruto e fechou 2020 no azul, com R$ 57 milhões, após dois anos consecutivos de prejuízo. Uma valorização do ativo biológico contabilizada em R$ 12,38 milhões, aumento de cinco vezes ante os R$ 2,03 milhões de um ano antes, beneficiaram o resultado.
Ao longo dos últimos dez anos, a companhia teve prejuízo bruto em quatro deles e lucro em seis.

O restabelecimento do resultado bruto positivo em 2020 se deve, em grande parte, a uma melhora no desempenho operacional da sucroenergética. No ano passado, os custos com os produtos vendidos representaram um valor equivalente a 75,4% das receitas; um ano antes, este indicador era de 105,6%, caracterizando prejuízo desde a fase operacional.
Na comparação com 2019, as receitas subiram 71,5%, indo de R$ 105,6 milhões para R$ 181,11 milhões. Por sua vez, os custos aumentaram 22,4%, passando de R$ 111,55 milhões para R$ 136,5 milhões.

Com isso, a responsabilidade do prejuízo líquido recai sobre o desempenho financeiro da companhia, especialmente os gastos com pagamentos de juros e o impacto da variação cambial.
Em 2020, as despesas financeiras foram de R$ 47,42 milhões, aumento de 82,5% ante os R$ 25,99 milhões vistos no ano anterior. Por sua vez, o câmbio gerou perdas líquidas de R$ 39,34 milhões, o que representa um crescimento anual de 564%.

Considerando também as receitas de R$ 226 mil, o resultado financeiro da Bioenergia do Brasil foi negativo em R$ 86,53 milhões. O valor ficou 175,9% acima do registrado em 2019, quando o prejuízo foi de R$ 31,37 milhões.
O aumento nas despesas com juros, porém, era esperado. Ao longo dos últimos anos, a sucroenergética vem ampliando seu endividamento e, em 31 de dezembro de 2020, suas dívidas brutas com empréstimos e financiamentos somavam R$ 295,16 milhões – 37,9% acima da posição de um ano antes.

Deste total, R$ 279,15 milhões são referentes a dívidas com vencimento ao longo de 2021, enquanto R$ 16,01 milhões possuem um prazo mais amplo. Ou seja, 94,6% do endividamento da empresa está comprometido no curto prazo.
Renata Bossle – NovaCana