Etanol: Mercado

Etanol: Mercado

Biocombustível rodoviário atingirá teto até fim da década, mas SAF decola, diz S&P Global

Perspectiva é que mercado convencional tenha retração, mas combustível sustentável para aviação deve representar nova demanda


NovaCana - Publicado: 11 Set 2024 - 14:25

Desde que os biocombustíveis fizeram sua entrada no mercado mundial de energia, os transportes terrestres têm sido seu principal nicho de mercado. Segundo estimativa da S&P Global Commodity Insights, dos 175 bilhões de litros consumidos mundialmente no ano passado, em torno de 99% foram para movimentar veículos e equipamentos que circulam principalmente por rodovias.

Mas isso está prestes a sofrer uma verdadeira guinada. Um levantamento publicado pelo braço da S&P Global que se dedica a acompanhar os mercados globais de energia e de commodities aponta que, até o final desta década, a demanda anual por biocombustíveis nos transportes terrestres deve atingir o teto de 222,8 bilhões de litros.

Depois disso, o consumo deverá se estabilizar por outra década. Após esse período, ele deve começar a perder força conforme outras opções de motorização – como veículos elétricos e/ou a hidrogênio – começarem a conquistar parcelas maiores de um mercado que, hoje, é dominado pelos combustíveis líquidos.

Isso não significa que esse mercado vai desaparecer. Inclusive, os transportes terrestres ainda levarão a maior fatia da produção de usinas e biorrefinarias. Em 2050, o setor demandará cerca de 199 bilhões de litros – aproximadamente 60% frente a um total de quase 332 bilhões de litros consumidos. Mas o protagonismo deverá passar para outros segmentos de mercado, especialmente o aéreo, que irá puxar a demanda.

Além disso, considerando a entrada em vigor de uma série de mecanismos globais de incentivo ao combustível sustentável de aviação (SAF) – o mais notório é o Esquema de Compensação e Redução de Carbono para a Aviação Internacional (Corsia, no original) –, a estimativa da S&P Global é que o produto, que nem aparecia nas estatísticas de quatro anos atrás, encerre os anos 2020 com uma demanda de mais de 20 bilhões de litros.

Depois disso, o consumo anual de SAF vai se multiplicar por seis nos próximos 20 anos, até beirar 125 bilhões de litros em 2050.

Embora menos exuberante, o mercado naval também passará a absorver volumes expressivos de biocombustíveis, chegando a 8,1 bilhões de litros em 2050 – cerca de 2,5% do consumo anual total.

Etanol em baixa

Essa virada não afetará todos os biocombustíveis da mesma forma. O impacto será quase todo sentido pelos fabricantes de etanol.

De acordo com as projeções da S&P Global, depois de atingir 136 bilhões de litros em 2030, a demanda pelo etanol crescerá apenas marginalmente na década seguinte, para então despencar mais de 20% entre 2040 e 2050.

Ainda assim, as usinas de etanol não precisam olhar para o futuro com receio. Ao menos uma parte do SAF deverá ser suprida com uma rota de produção chamada ATJ, que significa “alcohol-to-jet”.

Em 2050, essa alternativa deverá representar mais 42 bilhões de litros, mantendo, ao menos em parte, a demanda dos atuais fabricantes.

Biodiesel cresce

Já os produtores de biodiesel têm pouco a temer do futuro. Embora em um ritmo menor do que nos ciclos anteriores, a demanda pelo produto continuará crescendo, chegando a 65,6 bilhões de litros em 2050.

A expectativa é que a indústria se mostre mais resiliente do que a de diesel verde, que tem crescido nos últimos anos e – pelo menos nos Estados Unidos – já superou o consumo de biodiesel convencional.

Segundo a S&P Global, o diesel verde deverá atingir seu pico em 2040, com 47 bilhões de litros por ano, enquanto as biorrefinarias colocarão mais 43 bilhões de litros no mercado na forma de SAF.

Esse crescimento, contudo, será afetado por algumas zonas de turbulência, com dúvidas consideráveis quanto à oferta de óleos e gorduras em volumes capazes de sustentar esse crescimento.

As estimativas da S&P Global apontam que, já no final da década atual, a indústria enfrentará o desafio de encontrar matéria-prima suficiente para garantir a produção de 20 bilhões de litros de biodiesel, diesel verde e SAF.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com