De acordo com um relatório publicado no final do mês passado pela Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês) praticamente metade de todos os empregos do mundo gerados pela indústria de biocombustíveis está no Brasil. As indústrias brasileiras de etanol e biodiesel empregaram, no total, 845 mil trabalhadores no ano passado.
A maior parte desses empregos está no setor de etanol, com 504 mil postos de trabalho — 304,4 mil na produção de cana-de-açúcar e 199,6 mil nas destilarias. Já o biodiesel empregou 141,2 mil pessoas no ano passado. A conta fecha com mais 200 mil trabalhadores no segmento de maquinas e equipamentos.
Embora o segmento de etanol tradicionalmente responda com uma maior participação no mercado de biocombustíveis líquidos no país, superando o número de vagas no setor de biodiesel, os efeitos da mecanização da colheita da cana-de-açúcar “cortaram” milhares de postos de trabalho.
“Apesar de a produção ter crescido, o aumento da mecanização reduziu a força de trabalho agrícola no setor de açúcar e etanol em 25 mil [vagas]”, afirma o documento, citando dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Mesmo considerando os “avanços” da formalização de empregos no setor sucroalcooleiro, o documento lembra que muitos trabalhadores ainda atuam de forma informal e não estão incluídos na base de dados da Relação Anual de Informações Sociais do Trabalho e Emprego (Rais).
A redução nos empregos é apontada como o resultado de uma “consolidação” – e não de uma crise – nas usinas, cujo total de usinas em operação no Brasil caiu de 430 em 2010 para 390 em 2014, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

Etanol: mais empregos nos EUA
Ao contrário do que aconteceu no Brasil, a oferta de empregos na indústria de etanol nos Estados Unidos aumentou.
Impulsionada por um crescimento de 7,4% na produção do renovável, que chegou a 54 bilhões de litros em 2014, o número de postos de trabalho naquele ano cresceu 34% para 232.600. O número inclui as vagas geradas pela expansão de 380 milhões de litros da capacidade produtiva da indústria.
O mercado brasileiro representa cerca de 47,2% dos 1,79 milhão de empregos que o segmento de biocombustíveis sustentou no ano passado.
Segundo os dados do levantamento feito pela equipe da Irena, os biocombustíveis líquidos foram o segundo maior empregador dentro do setor de energias renováveis – atrás apenas da energia solar fotovoltaica com praticamente 2,5 milhões de empregos gerados. Aproximadamente 23,3% dos 7,66 milhões de empregos gerados pelo setor de energias renováveis como um todo dependem dos biocombustíveis.
Contudo, a agência considerou os biocombustíveis líquidos como uma categoria a parte. Se toda a energia derivada de biomassa fosse contabilizada em conjunto, o número de empregos saltaria para pouco menos de 3 milhões.

O emprego no setor de renováveis está em alta tendo crescido 18% sobre os 6,5 milhões registrados no ano anterior. O maior polo de crescimento tem sido a Ásia que já concentra cinco dos 10 maiores empregadores na área de renováveis – China, Índia, Indonésia, Japão e Bangladesh.
Estados Unidos e União Europeia que, em 2012, detinham 31% do mercado de trabalho e renováveis agora representam 25% do total.
Além disso, o estudo estima que o setor de hidroeletricidade de grande porte – que não entra na conta geral – suporta outros 1,5 milhões de empregos diretos. Destes, 7,6% (114 mil) estão no Brasil.

A integra do relatório está disponível aqui.
Fábio Rodrigues e Leonardo Siqueira – novaCana.com