Em uma safra onde parte das companhias sucroenergéticas voltou a registrar lucros, o Grupo Zilor – que já havia apresentado uma recuperação na temporada anterior – acompanhou o bom momento e alcançou um aumento de 11,1% na receita líquida, ultrapassando os R$ 2 bilhões. Com isso, a companhia registrou um resultado anual positivo, fechando a safra 2016/17 com um lucro de R$ 167,38 milhões.

O aumento na receita foi ainda comemorado por ter sido acompanhado de uma desaceleração nos custos de produção. O resultado engloba as três usinas do grupo – Barra Grande de Lençóis, Quatá e São José – além da Companhia Agrícola Quatá e suas controladas.
Levando em consideração também despesas com vendas, custos administrativos e outras fontes de receita, a margem operacional do grupo como um todo apresentou uma melhora significativa, indo de 8,12% para 14,71%. Isso significa que a Zilor apresentou melhores resultados para cada real vendido, tendo operado de maneira mais eficiente no período.

No total, a maior parte da receita é oriunda das vendas de etanol, que somaram R$ 855,89 milhões em 2016/17 – um valor 1,7% inferior aos R$ 871,38 milhões de 2015/16. Essa redução, entretanto, foi mais do que compensada pelo crescimento de 57,12% nas vendas de açúcar, que saltaram de R$ 518,06 milhões para R$ 813,99 milhões.

Ainda que a Zilor tenha, tradicionalmente, um perfil mais alcooleiro, aproximadamente 38% das 11,34 milhões de toneladas de cana-de-açúcar moídas pela companhia foram direcionadas para a fabricação de açúcar na última safra. Para 2017/18 – motivada pelos resultados obtidos –, a expectativa da companhia é que a produção do adoçante seja ainda maior.
Além disso, mesmo tendo registrado uma ligeira queda em seus rendimentos com derivados de leveduras, a Zilor continua registrando resultados significativos com o produto, que gerou uma receita de R$ 341,65 milhões em 2016/17.
Especificamente com relação às usinas, o melhor resultado veio com a unidade São José, que registrou um lucro de R$ 101,57 milhões em 2016/17. As unidades Quatá e Barra Grande de Lençóis, que obtiveram prejuízo na safra anterior, registraram lucro de R$ 85,77 milhões e R$ 46,13 milhões, respectivamente.

Esses resultados também podem ser vistos quando se observa a margem operacional de cada usina. A unidade São José trabalhou com uma efetividade de 20,05% em 2016/17, enquanto a Unidade Quatá registrou 13,24% e a unidade Barra Grande de Lençóis obteve 11,6%.

Ainda que as três usinas tenham registrado uma comercialização similar de etanol, a venda de açúcar foi o destaque especialmente nas unidades São José e Barra Grande de Lençóis, sendo que, em ambas, a receita com o adoçante superou a marca de R$ 300 milhões.
Na unidade Quatá, mais uma vez, merece atenção a receita obtida com os derivados de levedura. A comercialização desse produto é feita substancialmente para o mercado externo por meio da unidade de negócios Biorigin, também do Grupo Zilor.

Um diferencial nos resultados do grupo Zilor em relação à safra anterior foi a diminuição da exposição ao risco cambial. Em 31 de março de 2016, a companhia possuía um déficit de R$ 558,36 milhões vinculados a moedas estrangeiras. Ao final da safra 2016/17, essa posição foi para R$ 484,578 milhões – um decréscimo de 13,2%.

Em seu informe de resultados, a empresa relata que está sujeita às oscilações do câmbio especialmente por causa da aquisição de insumos e por meio de empréstimos e financiamentos vinculados a euro ou dólar. Ao mesmo tempo, o grupo também realiza vendas em moedas estrangeiras e possui investimentos no exterior.

Das usinas, a que está mais exposta ao risco cambial é a unidade Quatá. Apesar de ter valores a receber tanto em dólares quanto em euros, em 31 de março de 2017, a usina possuía o equivalente a R$ 267,43 milhões de dívidas com empréstimos e financiamentos na moeda norte-americana e outros R$ 172,48 milhões na importância europeia.

Dessa forma, não chega a surpreender que a unidade Quatá seja também a usina mais comprometida com empréstimos e financiamentos do grupo Zilor, com uma dívida registrada em R$ 815,23 milhões ao final da safra 2016/17. O montante, contudo, é inferior aos R$ 922,03 milhões vistos no mesmo período do ano anterior.
Já nas unidades São José e Barra Grande de Lençóis, a dívida cresceu. Em ambos os casos, os empréstimos giravam em torno de R$ 230 milhões em 31 de março de 2016, mas passaram para R$ 318,33 milhões (Barra Grande) e R$ 354,07 (São José).

Considerando todo o grupo, apesar dos bons resultados gerais, também houve um aumento das dívidas com empréstimos e financiamentos. Em 31 de março de 2016, esses débitos somavam R$ 1,66 bilhão; um ano depois, a dívida foi para R$ 1,94 bilhão.

Ainda assim, houve um recuo na dívida de curto prazo, no valor com vencimento em até 12 meses, que passou de R$ 700,99 milhões para R$ 638,79 milhões. Novamente, a maior parte desse valor – R$ 217,145 – está concentrada na unidade Quatá.


Segundo o informe de resultados da companhia, a Zilor tem realizado investimentos na renovação dos canaviais, com novas tecnologias de plantio e cultivo, para ampliar não apenas a produtividade dos canaviais (medida em toneladas de cana por hectare), mas a qualidade da matéria-prima, aumentando o açúcar total recuperável (ATR) por tonelada de cana-de-açúcar. A empresa teve um aumento de 16% no volume de cana comercializada em 2016/17.
“Na safra 2017/18, a geração de caixa da Zilor está sendo destinada ao fortalecimento do capital circulante líquido. Cerca de 71% dos empréstimos de curto prazo possuem natureza cíclica anual da produção agrícola e de exportação e permanecerão estrategicamente no curto prazo”, afirma a companhia.
Renata Bossle – novaCana.com