Com a atual safra de cana-de-açúcar chegando à reta final, Banco Pine revisou projeções para a safra 2016/17 no Centro-Sul e começou a estimar os resultados para a próxima temporada, 2017/18
Com a atual safra de cana-de-açúcar chegando em sua reta final, o Banco Pine revisou suas projeções para a safra 2016/17 no Centro-Sul e começou a estimar os resultados para a próxima temporada, 2017/18.
O banco fez uma compilação dos indicadores que devem afetar o desenvolvimento desta e da próxima safra.
Confira os detalhes da análise e os gráficos com as estimativas atualizadas:
“A idade média dos canaviais cresceu de maneira considerável e, além de a renovação ser pequena, ela é de pior qualidade que o normal – com baixa quantidade de renovação de cana de ano e meio e alta quantidade de cana de ano”.
- Comparativo entre as estimativas de agosto e novembro de 2016
- Estimativas para as safras 2016/17 e 2017/18
- Moagem
- Mix de produção
- Produção de Açúcar
- Produção de Etanol Total, Hidratado e Anidro
- ATR por tonelada de cana
- Idade média dos canaviais e produtividade por corte
- Capacidade de cristalização e preços relativos etanol X açúcar
Com a atual safra de cana-de-açúcar chegando em sua reta final, o Banco Pine revisou suas projeções para a safra 2016/17 no Centro-Sul e começou a estimar os resultados para a próxima temporada, 2017/18.
Mais uma vez a instituição diminuiu sua expectativa de moagem para a principal região produtora de cana-de-açúcar do país. As projeções, que já tinham diminuído em agosto, agora caíram mais 2,5%, passando de 620 para 605 milhões de cana moída.
Com atualização, a perspectiva de moagem do Banco Pine para o Centro-Sul ficou abaixo do resultado da temporada 2015/16, quando foram esmagados 617,7 milhões de cana-de-açúcar.
Segundo relatório assinado pelo economista da instituição financeira Lucas Brunetti, entre as principais justificativas para a revisão está o fato de a queda na produtividade agrícola ter sido mais intensa do que se previa há alguns meses em função “das surpresas negativas durante o desenrolar da safra”.
Entre estas surpresas negativas, o economista enumera: as chuvas concentradas, seguidas por vários períodos de algumas semanas de secas, as temperaturas abaixo da média durante a maior parte de 2016, e a geada prejudicou o rendimento agrícola em algumas regiões e bagunçou o planejamento de colheita em uma área grande que se estendeu por parte do Paraná, do Mato Grosso do Sul e de São Paulo.
Outro ponto, mas que, segundo Brunetti, não supreendeu, foi o envelhecimento dos canaviais. “Esse é o motivo mais importante e que já havia sido levantado desde o começo da safra”, aponta. É esse fator, ainda segundo o economista, que deve também afetar a próxima temporada, 2017/18.

Idade dos Canaviais
De acordo com Brunetti, “já está claro que os investimentos foram muito aquém do necessário para a renovação normal dos canaviais”. Ele analisa que, por causa dos baixos preços do açúcar no final de 2015, além da situação altamente endividada da maioria das usinas, o setor não se preparou para renovar seus canaviais.
“A idade média dos canaviais cresceu de maneira considerável e, além de a renovação ser pequena, ela é de pior qualidade que o normal – com baixa quantidade de renovação de cana de ano e meio e alta quantidade de cana de ano”.
O banco aponta que houve queda de quase 25% ao ano na área plantada de cana de ano e meio nos últimos anos-safra.
Ele ainda acrescenta que o plantio da cana de inverno na atual temporada foi acima do ano passado e o plantio de cana de ano deverá ser o maior dos últimos anos. Segundo as estimativas, a área de cana de inverno e de cana de ano somadas deve crescer mais 40%, porém, devido à grande participação da cana de ano e meio, a área de renovação total será menor na próxima safra.

Ele acrescenta ainda que o período do plantio da cana de ano ainda está aberto, mas o plantio pode ser prejudicado caso ocorram chuvas demais neste mês. Nesse caso, a área total de renovação será ainda menor que a esperada.
Por essas razões que o Banco projeta que a idade média do canavial deverá passar de 3,4 para 3,6 anos - o maior índice desde o Banco Pine passou analisar esses indicadores.
“Além disso, existe uma característica da cana de ano que é que a sua produtividade média é bem menor que a da cana de ano e meio, e assim, diminui o potencial da próxima safra”, aponta.
Estimativas

Além de queda na atual temporada em relação à anterior, o Banco Pine prevê que a moagem de cana-de-açúcar na safra 2017/18 será de 590 milhões de toneladas.
Apesar desta previsão, o banco não descarta a possibilidade de dois cenários extremos: o de quebra de safra com uma disponibilidade de cana para moagem de 545 milhões de toneladas e o otimista com uma projeção de até 635 milhões de toneladas de cana esmagada. Dessa forma, “a probabilidade da disponibilidade de cana ser menor na próxima safra do que a atual é de mais 65%”.

Outro fator relevante para a projeção da próxima safra é o mix de produção de açúcar e qual será o limite da capacidade de cristalização, que deve apresentar crescimento. “Os investimentos por enquanto são marginais e ainda são mais um chamariz da mudança nos jornais de negócios do que uma clara tendência de mercado. No entanto, isso deve trazer um incremento na capacidade de cristalização na próxima safra, caso o mercado permaneça nos patamares atuais, os investimentos deverão se tornar uma realidade recorrente”, aponta Brunetti.
Se isso o ocorrer, acrescenta, para a safra 2018/19 as usinas do Centro-Sul poderão ter um potencial de fabricação de açúcar bem maior que o atual.

Os preços de mercado claramente sinalizam que as usinas vão continuar a maximizar a produção de açúcar. “Os preços relativos estão muito favoráveis para açúcar, além das margens operacionais das usinas estarem altamente remuneradoras após vários anos de vacas magras, incentivando o aumento da produção de açúcar em detrimento ao etanol”.
Para atual safra, 2016/17, o Pine realizou nova elevação nas estimativas do total de cana que será destinado à produção de açúcar. Além disso, o banco considera que o mix crescerá em direção ao açúcar na próxima safra para ficar com 47% do total dos açúcares totais recuperáveis (ATR) utilizados pela indústria.

“Além disso, no caso de uma quebra de safra ou de qualquer queda de produtividade agrícola, esse mix deverá crescer, contrabalançando a queda na quantidade de cana colhida. Nossa projeção é de um novo aumento na produção de açúcar, mesmo com uma quantidade menor de cana”. A estimativa para a produção de açúcar passou de 35,5 milhões de toneladas, conforme dados disponibilizados para o NovaCana em agosto, para 35,2 milhões de toneladas na nova projeção. Já para a safra 2017/18, a expectativa é de 35,7 milhões de toneladas do adoçante.

Já a perspectiva para a destilação de etanol hidratado na atual safra caiu 11%, de 16,5 para 14,6 bilhões de litros. Por sua vez, o etanol anidro subiu, indo de 10,4 para 11,2 bilhões de litros. Para a safra 2017/18, a projeção é de uma produção de etanol hidratado ainda menor, de 13,5 bilhões de litros. Já a previsão para o anidro é de 11,4 bilhões de litros.


O Banco Pine, depois de elevar a previsão de ATR em agosto para a safra 2016/17 (para 133,5 kg/t), reduziu levemente sua expectativa para o índice agora em novembro, para 133,3 kg/t. A previsão para 2017/18 de ATR por tonelada de cana é de 135 kg/t.

Marina Gallucci – NovaCana