Nessa madrugada (5), o Governo da Índia divulgou a liberação da importação de 500 mil toneladas de açúcar bruto isentos do imposto de importação – sendo que o imposto de importação de açúcar na Índia é de 40%. Ainda sobre a licença de importação divulgada, ela deverá ter validade até o dia 12 de junho, segundo fontes do setor.
Durante março, tanto a Associação das Usinas da Índia (ISMA) e o ministro de alimentos do país afirmaram que não seria necessário importar açúcar e que os estoques nacionais seriam suficientes para essa safra. Essas declarações tiraram a certeza do mercado e a compra de açúcar bruto no mercado internacional pela Índia foi questionada. No entanto, a posição do governo indiano não parecia ser defensável por muito tempo.
A quantidade de açúcar liberada não é suficiente para reverter a forte queda nos estoques indianos, mas, pelo fato dessa licença ter prazo curto, é possível que esse o Governo ainda está estudando o mercado local. Conforme se torne mais claro que faltará produto indiano, novas licenças serão liberadas entre junho e novembro. Lembrando que a safra indiana começa em novembro, ou seja, os meses posteriores ao término da licença são o ponto crítico da necessidade de estoques.
Outro ponto que é importante salientar é que estamos reportando a arbitragem do açúcar no mercado indiano desde o início de março, quando a janela de importação estava fechada para o açúcar internacional. Apenas com a queda do preço do açúcar no mercado internacional (#11) é que a janela se abriu e, agora, ela está bem positiva para o produto sem o imposto de importação.
Nos preços atuais (fechamento de ontem), a arbitragem de importação de açúcar do Brasil – sem imposto de importação – para o refino no mercado indiano está aberta, nas contas do Banco Pine, dando US$ 83/tonelada importada (ou quase 5.400 rupias/tonelada).

Adicionalmente, o período das monções indianas é entre junho e setembro (sendo que algumas áreas recebem mais de 90% das chuvas anuais apenas nesse intervalo). Como a previsão meteorológica é de ocorrência do El Niño no segundo semestre de 2017, as chuvas podem ficar aquém do necessário para uma boa safra em 2017/18 – um aspecto que reforça a necessidade de importação da Índia. Um período de monções seco também será um fator importante para novas licenças de importações indianas.
Dessa forma, as licenças divulgadas hoje serão apenas a primeira de série. Porém, o tamanho dependerá do preço do açúcar no mercado local e da força da influência do El Niño no sudoeste da Ásia.
Lucas Brunetti é economista do Banco Pine