Com o etanol celulósico ganhando força e a bioeletricidade ensaiando retorno, qual será o melhor destino para o bagaço da cana?As apostas no etanol de segunda geração são altas, mas o biocombustível que promete revolucionar o setor ainda deixa dúvidas. Uma delas diz respeito ao modelo de usina que trará os melhores resultados. A partir desta incerteza e da possibilidade de aproveitar o bagaço tanto para a produção do biocombustível quanto de bioeletricidade, pesquisadores desenvolveram um estudo para descobrir que tipo de integração dá mais retorno para as unidades produtoras.
Leia a seguir:
- Os modelos de integração analisados
- Os resultados obtidos para cada um dos modelos
- Os fatores que influenciam estes resultados
As apostas no etanol de segunda geração são altas, mas o biocombustível que promete revolucionar o setor ainda deixa dúvidas. Uma delas diz respeito ao modelo de usina que trará os melhores resultados. A partir desta incerteza e da possibilidade de aproveitar o bagaço tanto para a produção do biocombustível quanto de bioeletricidade, pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveram um estudo para descobrir o que deve valer mais a pena para as unidades produtoras e verificaram que usinas integradas, que produzem etanol de primeira e segunda gerações, podem ser a melhor opção.
Considerando os preços de mercado do ano de 2012, os pesquisadores analisaram a produção, o consumo de energia e os custos de três modelos de usina: uma que produz etanol de primeira geração (1G) a partir da cana-de-açúcar e eletricidade a partir do bagaço e de palha da cana, nomeada BioEE; uma que produz etanol 1G e 2G (usando 74% do bagaço – os outros 26% são usados para geração de energia para o funcionamento da usina), chamada BioEth; e uma que alterna a produção de bioeletricidade e de etanol 2G, chamada "flex".
A BioEth, apesar de ter o segundo custo mais alto, de US$ 172,7 milhões, produz mais de 57 mil litros de etanol por hora, volume mais que 25% superior ao produzido pela BioEE. Assim, ela apresenta a melhor taxa interna de retorno entre os três modelos, de 8,3%, e o mais alto valor presente líquido, que totaliza US$ 30 milhões negativos. A BioEE tem custos que totalizam US$ 165,8 milhões, mas a taxa interna de retorno é de 7,6% e o valor presente líquido de US$ 34,5 milhões negativos. Já a usina flex tem custo total de US$ 180 milhões, taxa interna de retorno de 8% e valor presente líquido de US$ 41,8 milhões negativos. Apesar de ter a vantagem de atenuar as flutuações sazonais dos mercados de energia elétrica e etanol, a usina flex não apresentou resultados que justifiquem o maior investimento que o modelo requer.

Ainda que a BioEth seja o melhor modelo dentre os analisados, o valor presente líquido da unidade evidencia que ela ainda não é viável, assim como não o são a BioEE e a flex. "Considerando os preços atuais do mercado brasileiro, nem mesmo a produção de etanol de primeira geração é economicamente possível", diz o texto. De acordo com resultados da pesquisa, para que a usina integrada fosse possível, o preço do etanol deveria subir 11,5%. Para viabilizar todos os modelos de usina, contudo, seria necessário um aumento de 21,1% no preço do biocombustível.
Esta diferença está relacionada não apenas aos resultados individuais dos modelos, mas também ao fato de que a BioEth é a mais sensível a variações no preço do etanol, o que também tem um lado negativo: quando os preços do etanol caem, a usina flex pode se voltar para a produção de energia e se tornar superior à usina integrada.
O estudo avaliou também a sensibilidade a outros fatores e observou que os preços de energia para leilão influencia apenas a taxa interna de retorno da BioEE, porque as vendas de energia deste modelo são feitas principalmente por meio de leilões. Da mesma forma, o preço de energia no mercado spot causa impacto apenas na taxa interna de retorno das usinas flex, e de maneira sutil, porque boa parte das vendas destas unidades é feita no mercado spot.
Apesar disso, os pesquisadores alertam que os preços de energia, tanto nos leilões quanto no mercado spot, devem passar por aumento em futuro próximo e, nesse caso, dependendo do aumento, a usina flex pode se tornar a melhor opção.
No que diz respeito às enzimas para produção de etanol celulósico, a pesquisa considerou que elas compõem 75% dos custos totais de produção, contudo, no caso da BioEth, este custo é diluído devido à produção do biocombustível de primeira geração. Assim, o impacto que o preço das enzimas causa nos custos totais da usina e na taxa interna de rendimento são menores do que o esperado.
Citando estudos anteriores, os pesquisadores ressalvam, porém, que os resultados não são únicos ou imutáveis, devido à volatilidade dos preços de energia e de etanol e à grande variedade de premissas econômicas e técnicas que cada pesquisa pode considerar.
A pesquisa pode ser conferida na íntegra aqui.
Vivian Faria - NovaCana
Leia a seguir:
- Os modelos de integração analisados
- Os resultados obtidos para cada um dos modelos
- Os fatores que influenciam estes resultados
As apostas no etanol de segunda geração são altas, mas o biocombustível que promete revolucionar o setor ainda deixa dúvidas. Uma delas diz respeito ao modelo de usina que trará os melhores resultados. A partir desta incerteza e da possibilidade de aproveitar o bagaço tanto para a produção do biocombustível quanto de bioeletricidade, pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveram um estudo para descobrir o que deve valer mais a pena para as unidades produtoras e verificaram que usinas integradas, que produzem etanol de primeira e segunda gerações, podem ser a melhor opção.
Considerando os preços de mercado do ano de 2012, os pesquisadores analisaram a produção, o consumo de energia e os custos de três modelos de usina: uma que produz etanol de primeira geração (1G) a partir da cana-de-açúcar e eletricidade a partir do bagaço e de palha da cana, nomeada BioEE; uma que produz etanol 1G e 2G (usando 74% do bagaço – os outros 26% são usados para geração de energia para o funcionamento da usina), chamada BioEth; e uma que alterna a produção de bioeletricidade e de etanol 2G, chamada "flex".
A BioEth, apesar de ter o segundo custo mais alto, de US$ 172,7 milhões, produz mais de 57 mil litros de etanol por hora, volume mais que 25% superior ao produzido pela BioEE. Assim, ela apresenta a melhor taxa interna de retorno entre os três modelos, de 8,3%, e o mais alto valor presente líquido, que totaliza US$ 30 milhões negativos. A BioEE tem custos que totalizam US$ 165,8 milhões, mas a taxa interna de retorno é de 7,6% e o valor presente líquido de US$ 34,5 milhões negativos. Já a usina flex tem custo total de US$ 180 milhões, taxa interna de retorno de 8% e valor presente líquido de US$ 41,8 milhões negativos. Apesar de ter a vantagem de atenuar as flutuações sazonais dos mercados de energia elétrica e etanol, a usina flex não apresentou resultados que justifiquem o maior investimento que o modelo requer.
Tabela de custos, taxa interna de retorno (IRR) e valor presente líquido (NVP) dos modelos de usina

Ainda que a BioEth seja o melhor modelo dentre os analisados, o valor presente líquido da unidade evidencia que ela ainda não é viável, assim como não o são a BioEE e a flex. "Considerando os preços atuais do mercado brasileiro, nem mesmo a produção de etanol de primeira geração é economicamente possível", diz o texto. De acordo com resultados da pesquisa, para que a usina integrada fosse possível, o preço do etanol deveria subir 11,5%. Para viabilizar todos os modelos de usina, contudo, seria necessário um aumento de 21,1% no preço do biocombustível.
Esta diferença está relacionada não apenas aos resultados individuais dos modelos, mas também ao fato de que a BioEth é a mais sensível a variações no preço do etanol, o que também tem um lado negativo: quando os preços do etanol caem, a usina flex pode se voltar para a produção de energia e se tornar superior à usina integrada.
O estudo avaliou também a sensibilidade a outros fatores e observou que os preços de energia para leilão influencia apenas a taxa interna de retorno da BioEE, porque as vendas de energia deste modelo são feitas principalmente por meio de leilões. Da mesma forma, o preço de energia no mercado spot causa impacto apenas na taxa interna de retorno das usinas flex, e de maneira sutil, porque boa parte das vendas destas unidades é feita no mercado spot.
Apesar disso, os pesquisadores alertam que os preços de energia, tanto nos leilões quanto no mercado spot, devem passar por aumento em futuro próximo e, nesse caso, dependendo do aumento, a usina flex pode se tornar a melhor opção.
No que diz respeito às enzimas para produção de etanol celulósico, a pesquisa considerou que elas compõem 75% dos custos totais de produção, contudo, no caso da BioEth, este custo é diluído devido à produção do biocombustível de primeira geração. Assim, o impacto que o preço das enzimas causa nos custos totais da usina e na taxa interna de rendimento são menores do que o esperado.
Citando estudos anteriores, os pesquisadores ressalvam, porém, que os resultados não são únicos ou imutáveis, devido à volatilidade dos preços de energia e de etanol e à grande variedade de premissas econômicas e técnicas que cada pesquisa pode considerar.
A pesquisa pode ser conferida na íntegra aqui.
Vivian Faria - NovaCana