É importante situar ainda que, quando se fala na inclusão do bagaço, é o Consecana-SP que está em jogo, o mais antigo (atua há 15 anos) e considerado o mais completo conselho formado por representantes das indústrias de açúcar e álcool e dos plantadores de cana-de-açúcar
A necessidade urgente de uma revisão do Consecana – que está sendo discutida em reuniões pela diretoria do conselho – indica que alguma resolução sobre a polêmica decisão da remuneração dos produtores de cana-de-açúcar pelo bagaço pode acontecer, embora talvez não tão cedo como muitos gostariam. Dentro da necessidade de um equilíbrio da participação dos custos do campo e da indústria, o bagaço é mais um dos aspectos a ser debatido como forma de garantir um ganho extra aos produtores de cana.
Mesmo em um cenário ideal, onde o Consecana já estivesse alinhado com a realidade do setor, uma concreta inserção é tarefa árdua, já que nenhum dos lados conseguiu avançar no assunto a ponto de trazer indicadores concretos que viabilizem o cálculo para remuneração.
Para se ter uma ideia, desde 2009, o fato de as usinas obterem capital por meio da geração de energia elétrica da queima do bagaço ou pela sua venda direta já fazia parte da pauta de produtores de cana, especialmente porque estes não participam dos lucros e ainda são penalizados no ATR da cana pela quantidade de fibra contida.
É importante situar ainda que, quando se fala na inclusão do bagaço, é o Consecana-SP que está em jogo. O mais antigo (atua há 15 anos), ele é considerado o mais completo conselho formado por representantes das indústrias de açúcar e álcool e dos plantadores de cana-de-açúcar.
Vários estados tomam como base as médias paulistas para construção de preços, que leva em conta, entre outros fatores, os valores pagos por nove produtos finais: açúcar branco para mercado interno e mercado externo, açúcar VHP, etanol anidro e hidratado para combustíveis, etanol anidro e hidratado para fins industriais, e etanol anidro e hidratado para exportação.
Ainda assim, com uma perspectiva de resolução para o médio prazo, o cenário começa a se estrututar para uma discussão mais concreta sobre a inclusão do bagaço como o décimo produto a fazer parte do Consecana-SP.
O NovaCana conversou com diversos agentes do mercado envolvidos direta e indiretamente com as disucssões e apresenta a seguir os entraves, as esperanças e perspectivas envolvendo a remuneração dos usineiros e canavieiros e o sempre polêmico Consecana.
A necessidade urgente de uma revisão do Consecana – que está sendo discutida em reuniões pela diretoria do conselho – indica que alguma resolução sobre a polêmica decisão da remuneração dos produtores de cana-de-açúcar pelo bagaço pode acontecer, embora talvez não tão cedo como muitos gostariam. Dentro da necessidade de um equilíbrio da participação dos custos do campo e da indústria, o bagaço é mais um dos aspectos a ser debatido como forma de garantir um ganho extra aos produtores de cana.
Mesmo em um cenário ideal, onde o Consecana já estivesse alinhado com a realidade do setor, uma concreta inserção é tarefa árdua, já que nenhum dos lados conseguiu avançar no assunto a ponto de trazer indicadores concretos que viabilizem o cálculo para remuneração.
Para se ter uma ideia, desde 2009, o fato de as usinas obterem capital por meio da geração de energia elétrica da queima do bagaço ou pela sua venda direta já fazia parte da pauta de produtores de cana, especialmente porque estes não participam dos lucros e ainda são penalizados no ATR da cana pela quantidade de fibra contida.
É importante situar ainda que, quando se fala na inclusão do bagaço, é o Consecana-SP que está em jogo. O mais antigo (atua há 15 anos), ele é considerado o mais completo conselho formado por representantes das indústrias de açúcar e álcool e dos plantadores de cana-de-açúcar.
Vários estados tomam como base as médias paulistas para construção de preços, que leva em conta, entre outros fatores, os valores pagos por nove produtos finais: açúcar branco para mercado interno e mercado externo, açúcar VHP, etanol anidro e hidratado para combustíveis, etanol anidro e hidratado para fins industriais, e etanol anidro e hidratado para exportação.
Setor se movimenta para discussão
Com uma perspectiva de resolução para o médio prazo, o cenário começa a se estrututar para uma discussão mais concreta sobre a inclusão do bagaço como o décimo produto a fazer parte do Consecana-SP.
Em novembro, a Orplana levou ao público um seminário em Sertãozinho, onde fica a sede da Canoeste, o primeiro de uma série de eventos para a organização se aproximar das associações e discutir a viabilidade de incluir essa remuneração pelo bagaço e pela palha no pagamento aos produtores. Um dos principais objetivos do evento foi “desmitificar” as questões relacionadas à inclusão da biomassa dos cálculos.
“O que enxergamos é que precisava de um bom esclarecimento em relação à biomassa, tanto do bagaço como da palha. E uma visão mais analítica para tomada de decisão também por parte do produtor, se ele vai querer entrar ou não nesse mercado. A ideia é perceber o quão complexa é a inserção do bagaço no cálculo, e que não cabem pensamentos simplistas”, pontuou em entrevista ao portal NovaCana o superintendente da Orplana, Celso Albano.
No evento foi levantado que o tema já era discutido internamente por produtores nos últimos anos, mas a crise do setor impedia o avanço das conversas entre as partes envolvidas, usinas e associações. Apesar da falta de lucratividade afetar tanto usinas quanto canavieiros, os produtores enfrentam o desafio da mudança tendo que considerar “se as usinas têm condições de pagar algum valor neste momento em que ainda enfrentam crise”.
Mas a crise não é exclusividade da indústria, também sendo vivenciada pelos plantadores de cana-de-açúcar, que investiram em mecanização e viram seus custos aumentarem a medida que os valores recebidos ficaram estagnados. "Precisamos de estudos que nos digam da possibilidade. Nesse sentido, vamos procurar entender e avaliar a questão não só do bagaço como da palha da cana”, considerou opresidente da Associação dos plantadores de Cana do Oeste de SP (Canoeste) e da Orplana, Manoel Ortolan.
Vale resgatar que, no início do ano, o presidente da Orplana chegou a afirmar que a remuneração pela cogeração “era algo próximo”. “Porque seria muito desconfortável para as usinas ficarem usando um mercado desse com o bagaço da cana do produtor e não remunerar. Houve um tempo em que o bagaço era até um problema para as usinas, mas isso é passado. Estamos em um novo tempo onde a fibra e a energia são fundamentais para o País”, considerou na época.
Agora, no final de 2015, com a discussão mais madura, a ideia que a Orplana transmite é de que, talvez, a inclusão do bagaço não seja algo para o curto prazo, mas, se o material está contribuindo de alguma forma para o rendimento das usinas, os produtores vão lutar para também receberem sua fatia.
Recentemente, em outro evento do setor, integrantes do Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege) também indicaram a busca por uma aproximação com a Orplana, além da grande expectativa em relação a uma revisão que já inclua o bagaço – aumentando a pressão para que o debate alcance resultados práticos logo.
Momento oportuno para discussão
“Como tudo na cana, não é uma coisa simples, é polêmico desde a época dos alambiques”, ironiza o presidente da Associação Rural dos Fornecedores e Plantadores de Cana da Média Sorocabana (Assocana), da região de Assis (SP), Sylvio Ribeiro do Valle Mello Júnior.
“Eles queimam o bagaço nas caldeiras para tocar a própria indústria há séculos. Então essa é uma alegação dos industriais - se sempre foi assim, estão querendo mudar por quê? É porque agora ela está se tornando uma commodity. O princípio é o seguinte: se participamos da cadeia, o que gerar riqueza nós queremos nossa parte também.”
E foi essa transformação no mercado que motivou também a retomada mais forte da conversa sobre o tema. Os produtores entenderam que "já há um grande número de unidades de cogeração e outras que não cogeram, mas vendem o bagaço para outras empresas", afirmou Ortolan .
Com isso, foi abaixo uma explicação que sempre frustou produtores: de que São Paulo precisava de uma maior partipação de indústrias cogeradoras. Segundo a lógica do Consecana, o número de usinas no estado era importante porque o cálculo considera uma série de médias paulistas para construir “uma usina padrão”. Nesse caso, São Paulo precisava ter um percentual participativo de cogeração para que as médias pudessem ser calculadas, pois, na medida que o número de participantes na cogeração vai aumentando, esse mercado vai se consolidando e tornando-se mais relevante.
“A reclamação era porque existia um novo segmento de usinas de fora do estado de São Paulo, usando como base de contrato os modelos do Consecana-SP, e com uma expansão do setor sucroenergético totalmente diferente do estado, com indústrias que já vieram prontinhas gerando energia elétrica”, explica Celso Albano. Ele garante que agora os paulistas já tem condições de apresentar uma média palpável para servir de base para os outros estados.
Os produtores já “recebem” pelo bagaço
Um dos argumentos da indústria contra a inclusão é que o produtor já participa com a fibra da cana. Como mencionado, o sistema de cálculo toma como base uma série de médias para delinear o que seria uma ‘usina padrão média do estado de São Paulo’ na produção de etanol e açúcar.
Faz parte do sistema Consecana uma relação entre os custos de produção de açúcar e etanol correlacionados com custos de produção de cana no campo. A partir desses dados são determinadas as participações de cada um desses lados no conjunto de formação de preços.
Na usina média considerada pelo Consecana não são estimadas as sobras de bagaço, porém, entende-se que a fibra consumida em suas atividades produtivas contribui para diminuição ou inexistência do custo energia elétrica para processar a cana. Se, no custo do açúcar e do álcool, a fatia de energia elétrica é zero ou mínima, isso diminui a participação da usina e eleva o percentual da matéria-prima do campo.
Mas os canavieiros contra-argumentam. “Do que nós não participamos é do bagaço excedente, o que sobra das usinas e elas utilizam para cogeração ou para fazer etanol 2G, ou ainda vendem in natura para outros fins. Que fique bem claro que é isso que se reivindica, quando falamos da participação do bagaço. É o excedente”, afirma o engenheiro químico da Associação dos Fornecedores de Cana de Capivari (Assocap), Roberto Sachs, que tem realizado estudo sobre a viabilidade da proposta.
O que fermenta mais a discussão é a alegação, do lado da indústria, de que ela coloca capital para ter uma estrutura, adequar as caldeiras e turbinas para poder cogerar. Da outra ponta, produtores reclamam que o mesmo bagaço que gera lucro também gera menos remuneração para ele, por meio de descontos proporcionais na quantidade de fibra no custo do frete – o que dimininui a sua participação.
Faltam indicadores
O fato de não se saber nem quanto efetivamente sobra de bagaço mostra que é preciso avançar com mais foco na busca de indicadores nas usinas para compreender a viabilidade da reivindicação. “É uma nova realidade que precisa ser estudada, para ver, primeiro, se é justificado ou não pagar o bagaço para o produtor de cana. É polêmico, mas eu acho que se deve chegar em um denominador comum, dos dois lados”, reconhece o presidente da Associação dos Plantadores de Cana do Médio Tietê (Ascana), de Lençóis Paulistas, Luiz Carlos Dalben.
A unanimidade dentro desse ponto de vista é a necessidade do amadurecimento da discussão, por isso o esforço da Orplana em esclarecer e derrubar entendimentos equivocados. “É preciso os produtores se conscientizarem que já participamos indiretamente. Esse é o essencial. O segundo passo vem do lado das indústrias, de elas aceitarem dar o início da conversa e entenderem o que pleiteamos”, aponta Roberto Sachs.
“Como vai ser feito isso? Depende de muitos fatores”, acrescentou o engenheiro químico da Assocap. No entanto, ele ressaltou o desconhecimento de dados sobre as usinas para alcançar o que seria uma usina média no estado de São Paulo. O profissional que elabora uma possível proposta de cálculo com a inclusão do bagaço preferiu não dividir números, “caso as estimativas não se concretizem”.
“Não se pode falar muito agora porque depende de muito consenso e discussão. É uma base de dados que não se compreende totalmente”, argumentou.
A palha é um assunto para o futuro
Dentro desse cenário, a palha, considerada a outra biomassa com possibilidade de ganho para produtores, ainda é uma incógnita. “Precisamos de muito estudo técnico, tanto por parte do produtor de cana como por parte da indústria, para se adaptar em maquinário e investimento. Isso não está maduro, ao contrário do bagaço”, aponta o presidente da Assocana, Mello Júnior.
Como subproduto que permanece no campo, a lógica é totalmente diferente, pois há outros setores que também podem se beneficiar da matéria-prima, e o setor sucroenergético apenas começa a perceber seu potencial. “É um negócio à parte”, pontua o presidente da Ascana, Luiz Carlos Dalben.
A Ascana tem grande experiência com produtores que recolhem a palha da cana e, segundo seu presidente, como o produto é de propriedade do canavieiro, na maioria das vezes, a forma de negociá-la apresenta muitas variantes. Além disso, o produtor precisa estudar se é vantajoso investir ou não no recolhimento, armazenamento e transporte, em termos de técnicas e maquinário – considerando que muitas usinas colocam esse serviço no seu contrato como uma forma de ficar com a palha.
Pernambuco e Mato Grosso
Dos demais estados, o portal NovaCana falou com duas associações, que vivem momentos diferentes em relação às associações paulistas. Em Pernambuco, o presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), Alexandre Andrade Lima, afirmou que “o bagaço é uma discussão eterna em todos os Consecanas”. No entanto, segundo ele, a briga no estado seria ainda maior, já que na comparação com o Consecana-SP, que engloba nove produtos, os produtores pernambucanos só recebem remuneração por cinco - açúcar mercado interno, açúcar mercado mundial, açúcar da cota americana, etanol anidro e etanol hidratado.
Já para o presidente da Associação dos Fornecedores de Cana do Vale do Rio Paraguai, de Nova Olímpia, no Mato Grosso, a discussão do bagaço é para ser feita entre fornecedores e usina e não na esfera do Consecana. “Sentimos necessidade de discutir o fornecimento de bagaço, mas isso será feito com o contrato com a indústria. Pelo menos, aqui na região apenas uma cogera, então na renovação vamos falar sobre isso”.
Marina Gallucci – NovaCana