A sexta-feira, 14, chega ao final com os preços do milho mais baixos no mercado físico brasileiro. Em levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas, foram percebidas valorizações apenas nas praças de Tangará da Serra (MT) e Campo Novo do Parecis (MT).
Já as desvalorizações apareceram em Ubiratã (PR), Londrina (PR), Cascavel (PR), Marechal Cândido Rondon (PR), Pato Branco (PR), Dourados (MS), São Gabriel do Oeste (MS), Eldorado (MS), Amambaí (MS) e no oeste da Bahia.
Enquanto isso, no Rio Grande do Sul, 85% das lavouras de milho do estado já foram colhidas. Na safra anterior a colheita já estava finalizada em 87% das áreas e em 83% na média dos últimos anos cinco. Quanto ao estágio das lavouras ainda em campo, 5% ainda estão em enchimento de grãos e 10% já chegaram à maturação.
“A colheita do milho destinado à produção de grãos segue em ritmo normal, e já foi efetivada em 85% das lavouras. Nesta safra, destacam-se a ocorrência de enfezamento nas lavouras mais tardias, causando redução no potencial, e a estiagem, nas do cedo”, destaca o relatório.
Os preços futuros do milho estenderam às quedas na bolsa brasileira B3 nesta sexta-feira. As principais cotações registraram movimentações negativas entre 0,16% e 1,47% ao final do dia.
O vencimento maio de 2021 foi cotado à R$ 102 com perdas de 0,16%, o julho de 2021 valeu R$ 96,45 com desvalorização de 1,47%, o setembro de 2021 foi negociado por R$ 94,90 com queda de 0,63% e o novembro de 2021 teve valor de R$ 94,81 com baixa de 0,72%.
Com relação ao fechamento da última semana, os futuros do milho acumularam queda de 0,58% para o maio de 2021, de 7,88% para o julho de 2021, de 5,43% para o setembro de 2021 e de 6,08% para o novembro de 2021 na comparação com a última sexta-feira, 7.
Para o analista de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, o mercado do milho começa a se acomodar com quedas tanto lá fora como internamente no Brasil. Na bolsa brasileira, as posições que antes era de R$ 105 ou R$ 103 já começaram a liquidar.
“Nos próximos dias começa a colheita da safrinha e o mercado está vendo que o Brasil não fez grandes contratos de exportação nos últimos três meses, temos já milho negociado, mas o volume não é grande. As cotações caem porque se olha safra, e os grandes consumidores sabem vai se colher 75 milhões de toneladas e vamos consumidor 40 milhões no segundo semestre”, explica.
Já a bolsa de Chicago (CBOT) perdeu força ao longo do dia e despencou para os preços internacionais do milho futuro nesta sexta-feira. As principais cotações registraram movimentações negativas entre 15,5 e 34 pontos ao final do dia.
O vencimento maio de 2021 foi cotado à US$ 6,85 com desvalorização de 34 pontos; o julho de 2021 valeu US$ 6,43 com perda de 31 pontos; o setembro de 2021 foi negociado por US$ 5,63 com queda de 20 pontos; e o dezembro de 2021 teve valor de US$ 5,42 com baixa de 15,5 pontos.
Esses índices representaram desvalorizações, com relação ao fechamento da última quinta-feira, de 4,73% para o maio de 2021, de 4,60% para o julho de 2021, de 3,43% para o setembro de 2021 e de 2,87% para o dezembro de 2021.
Com relação ao fechamento da última semana, os futuros do milho acumularam perdas de 11,27% para o maio de 2021, de 12,16% para o julho de 2021, de 13,91% para o setembro de 2021 e de 14,78% para o dezembro de 2021 na comparação com a última sexta-feira, 7.
Segundo informações da Agência Reuters, os futuros do milho nos Estados Unidos caíram pela terceira sessão consecutiva na sexta-feira, com o contrato de referência de julho atingindo uma baixa de duas semanas na liquidação em meio a preocupações com a diminuição da oferta.
A publicação destaca que este foi o primeiro recuo em sete semanas com os comerciantes se concentrando na previsão de oferta maior do que o esperado do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O relatório do USDA, juntamente com o nervosismo nos mercados financeiros sobre a inflação, alimentou as vendas após o pico de oito anos do milho na semana passada.
“Só acho que as especificações têm mais vendas a fazer. Pode levar tempo para fazer esse mercado funcionar novamente”, disse o analista do Price Futures Group, Jack Scoville, em Chicago.
Em meio a tudo isso, o mercado ignorou a confirmação do USDA de vendas privadas de 1,36 milhão de toneladas de milho da nova safra dos EUA para a China, o mais recente em uma série de anúncios de vendas de milho nos últimos dias.
Guilherme Dorigatti