Os futuros de açúcar demerara registraram forte queda ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Participantes já não esperavam qualquer movimento para além dos 15 cents por libra-peso, devido à retração na demanda, mas o tombo para abaixo dos 14,50 cents/lb surpreendeu. A avaliação é de que os contratos, contaminados pelo mau humor externo, podem ampliar a desvalorização no pregão de hoje. O suporte inicial está, novamente, nos 14 cents/lb.
As tensões quanto a Coreia do Norte e Irã, os temores envolvendo a desaceleração na China e a queda contínua do preço do petróleo deram o tom às negociações nesta quarta-feira. As perspectivas pouco favoráveis para o Brasil empurraram o dólar de volta para as máximas de setembro do ano passado, fechando em R$ 4,0998 (+1,0%), o que acabou por derrubar de vez os futuros do demerara.
Do lado altista, há ainda a seca na Índia e as chuvas em excesso no Centro-Sul do Brasil, mas que não são páreo para o dólar acima de R$ 4. Abaixo do suporte de 14 cents/lb, há um piso em 13,93 cents/lb, mínima da semana passada. A resistência está em 14,50 cents/lb.
O contrato com vencimento em março caiu 57 pontos (3,86%) e fechou a quarta-feira em 14,18 cents/lb, com máxima de 14,72 cents/lb e mínima de 14,14 cents/lb. Os lotes para maio recuaram 50 pontos e terminaram em 13,91 cents/lb. O spread março/maio variou de 34 para 27 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.
Nos portos brasileiros, o total de navios que aguardam para embarcar açúcar aumentou de 18 para 19 na semana encerrada ontem, segundo levantamento da agência marítima Williams Brazil. O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 26 de janeiro.
Foi agendado o carregamento de 471,56 mil toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos, de onde sairão 479,01 mil t, ou 65% do total. Paranaguá responderá por 23% (167,65 mil t); Maceió, por 9% (70 mil t); e Recife, por 3% (24,90 mil t).


O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a quarta-feira em R$ 84,60/saca, alta de 0,13% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,55/saca (-1,53%).
