A aversão ao risco ditou o rumo dos mercados globais e pressionou os futuros de açúcar demerara ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Por causa da alta do dólar ante o real, os contratos romperam o suporte de 14,50 cents por libra-peso, mas ainda se mantêm perto desse patamar.
O câmbio no Brasil repercutiu a notícia de que a Coreia do Norte testou uma nova bomba nuclear, elevando a tensão geopolítica global. A moeda norte-americana encerrou em R$ 4,0073, com alta de 0,36%. O Índice Ibovespa, por sua vez, caiu 1,52%, para 41.773,14 pontos.
Além do dólar, continua no radar dos participantes o desenrolar da safra no Brasil. Depois de chuvas intensas, o tempo finalmente começa a abrir em áreas produtoras de São Paulo e Paraná. Na próxima semana, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) deverá atualizar os dados da temporada até o final de dezembro. A perspectiva é de que a segunda quinzena do mês tenha registrado moagem volumosa. Conforme o Banco Pine, o processamento deve ter sido de 10,8 milhões de toneladas (+192%), com 290 mil toneladas de açúcar (+134%). São informações, portanto, baixistas para os futuros.
Muitos analistas avaliam também que as perdas recentes se devem a investidores que estão se antecipando ao rebalanceamento dos dois principais índices de commodities, S&P GSCI e BCOM, o que deve ocorrer entre 8 e 14 de janeiro. No período, fundos que acompanham esses índices devem reajustar seus portfólios. De acordo com o Société Générale, esses fundos administram aproximadamente US$ 125 bilhões e terão de vender cerca de 21% do volume médio diário de açúcar para acompanhar o rebalanceamento dos índices. Isso corresponde a aproximadamente US$ 869 milhões e 51.803 contratos.
Março caiu 15 pontos (1,03%) e fechou a quarta-feira em 14,42 cents/lb, com máxima de 14,64 cents/lb (mais 7 pontos) e mínima de 14,40 cents/lb (menos 17 pontos). Maio recuou 13 pontos (0,91%) e terminou em 14,12 cents/lb. O spread março/maio variou de 32 para 30 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.


Nos portos brasileiros, o total de navios que aguardam para embarcar açúcar diminuiu de 23 para 18 na semana encerrada ontem, segundo levantamento da agência marítima Williams Brazil. O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 22 de janeiro.
Foi agendado o carregamento de 616,57 mil toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos, de onde sairão 331,98 mil t, ou 54% do total. Paranaguá responderá por 36% (224,68 mil t); Maceió, por 6% (35 mil t); e Recife, por 4% (24,90 mil t).
O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a quarta-feira em R$ 82,76/saca, baixa de 0,37% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,60/saca (-1,01%).
