O aumento da mistura de anidro na gasolina, de 25 para 27,5%, é dado como certo pela indústria sucroalcooleira, que espera uma definição do governo para poder planejar a oferta de etanol na entressafra da cana, que vai de dezembro a abril.
Em entrevista à Agência Estado, o presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha, disse que o setor está pronto para garantir, já a partir de dezembro, a oferta necessária de anidro para suprir uma demanda extra mensal entre 80 milhões e 100 milhões de litros do combustível com o aumento de 10% na mistura e no consumo, mas precisa de um sinal do governo.
"Temos produto, temos condições de transformar hidratado em anidro, de antecipar a safra e até mesmo, em último caso, importar o álcool. Mas precisamos de uma definição do governo", afirmou.
Em entrevista ao Financial Times, a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, salientou que “a lei já está em vigor e que as condições técnicas foram alcançadas”.
Uma decisão já deveria ter sido anunciada, mas com a morte do ex-ministro o anúncio da nova medida precisou ser adiado
Segundo ela, uma decisão já deveria ter sido anunciada semana passada, mas com a morte do ex-ministro da justiça, Márcio Thomaz Bastos, o anúncio da nova medida precisou ser adiado.
Como o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, não esteve no encontro entre o governo, representantes do setor de etanol e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), por conta do velório do ex-ministro Thomaz Bastos, uma nova reunião, deverá ratificar a decisão, que deve passar, ainda, pelo crivo do Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (Cime).
O aumento da mistura é dado como certo, mas Rocha acredita que o governo deverá determinar a medida apenas para o dia 1o de janeiro de 2015. Nos bastidores, porém, o Ministério de Minas e Energia (MME) cogita adiar a entrada em vigor da nova regra, e sinalizou que poderá dar carta verde para que os órgãos envolvidos possam aprovar a nova composição da gasolina apenas em fevereiro de 2015, no Cime.
A preocupação é justamente a questão do desabastecimento, que na visão do ministério poderia ser agravado no período da entressafra. "Caso o governo aprove a alteração, a data de sua implementação dependerá da devida comprovação da existência de volumes compatíveis com a alteração", disse a Pasta em entrevista ao Valor Econômico.
O Fórum Nacional Sucroenergético, porém, mantém firme a posição de que o setor produtivo tem condições de suprir um eventual aumento da demanda pelo combustível.
"Com produção até dezembro e o nível de estoques, temos condição de atender a demanda e queremos reivindicar que a decisão seja feita agora para que as empresas se programem e celebrem os contratos", disse Rocha.
Paralelamente aos dois estudos realizados pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes), que deverão abalizar a aprovação da medida pelo governo, a Anfavea deverá entregar um outro estudo, que avaliará os efeitos da mistura quanto a durabilidade de componentes dos motores.
Segundo informações do Valor Econômico, 250 automóveis de montadoras associadas e 12 de outros fabricantes estão sendo testados. Sabe-se apenas que cerca de 25% dos testes já foram realizados, apresentando resultados positivos.
O governo pediu para que a Anfavea antecipasse a apresentação destes testes. Assim, a indústria de etanol teria mais tempo para planejar um aumento da demanda por anidro.
Segundo Rocha, na reunião com representantes do setor de etanol e da indústria automobilística, o MME apresentou o estudo que apontou que a nova mistura não traria problemas aos motores, apesar de variações nas emissões de poluentes.
A Anfavea tem sido contra o aumento da mistura, alegando que a medida causaria problemas na parte técnica dos veículos e também ao meio ambiente.
Porém, estudos preliminares com automóveis e motocicletas movidos só a gasolina deixam claro que o novo percentual de anidro não trará prejuízos a performance dos motores.
Os dois testes que o governo utilizará para aprovar a nova mistura indicam que o novo combustível não trará mudanças significativas aos veículos.
Segundo o Valor, inicialmente, foram feitos testes com oito carros e cinco motocicletas, que rodaram com a gasolina com teor de etanol anidro de 27,5%. Também foi testada uma mistura de 30%.
Critérios como retomada da velocidade, dirigibilidade e partido a frio, eficiência dos motores e emissão de gases poluentes foram avaliados. Segundo indicaram os testes, não apenas foram mantidos os padrões de desempenho e emissões, como também houve a manutenção e até a redução na emissão de gases poluentes como THC, NMHC e monóxido e dióxido de carbono.
Houve, porém, um aumento na emissão de óxidos de nitrogênio (NOx). "O estudo apontou que existem emissões de gases poluentes, como o CO2, que diminuem e outras, como a do NOx, que aumentam, mas dentro dos índices permitidos pelo Proconve (Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores)", disse à Agência Estado.
A nova mistura apresentou ainda uma pequena elevação no consumo de combustível em automóveis e motos. Um estudo complementar com cinco automóveis foi realizado posteriormente e apresentou as mesmas conclusões.
novaCana.com
Com texto da Agência Estado, Financial Times e Valor Econômico