Empresas norte-americanas recorreram ao etanol brasileiro pela primeira vez no ano
A decisão da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos de propor metas mais altas que as aguardadas pelo mercado de combustível para o uso de biocombustíveis avançados naquele país provocou, nas últimas duas semanas, uma elevação ao maior patamar em dois anos do prêmio para créditos RIN (Renewable Identification Number), ligados a biocombustíveis como o etanol brasileiro da cana-de-açúcar, na comparação com RINs de etanol de milho.
Como resultado, empresas norte-americanas recorreram ao etanol brasileiro pela primeira vez no ano e, se as condições forem mantidas, 2016 pode oferecer espaço para o Brasil enviar mais de 1,5 bilhão de litros.
A decisão da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos de propor metas mais altas que as aguardadas pelo mercado de combustível para o uso de biocombustíveis avançados naquele país provocou, nas últimas duas semanas, uma elevação ao maior patamar em dois anos do prêmio para créditos RIN (Renewable Identification Number), ligados a biocombustíveis como o etanol brasileiro da cana-de-açúcar, na comparação com RINs de etanol de milho.
Como resultado, empresas norte-americanas recorreram ao etanol brasileiro pela primeira vez no ano.
Apesar da proposta apresentar uma redução em relação aos volumes em vigor, o mercado acreditava em cortes maiores do que o verificado. Publicada pela EPA no dia 29 de maio deste ano, as metas estabelecem o total de combustíveis renováveis a serem utilizados naquele país dentro do Padrão de Combustíveis Renováveis (RFS, na sigla em inglês). Os RINs atestam a conformidade com o programa administrado pela agência e podem ser negociados à vista no mercado.
A escassez de créditos D5, atrelados ao biocombustíveis avançados, e o excesso de D6, relacionado ao etanol de milho, elevaram o spread entre as duas modalidades de RIN, de aproximadamente US$ 0,16, praticado antes do anúncio do órgão regulador, para quase US$ 0,40 nesta semana.
O salto agitou o mercado nas últimas semanas e fez com que surgissem informações sobre interesse em cargas de etanol anidro por parte do mercado norte-americano e sobre pelo menos dois contratos de entrega para os EUA datados para o final do mês de junho e também para julho.
Uma negociação realizada na semana passada envolveu pelo menos 30 milhões de litros de etanol produzido no Brasil, segundo dados de mercado. Entre os destinos do volume estão a Flórida e o Havaí. Os preços envolvidos nas negociações variam entre US$ 475 e US$ 485 por metro cúbico com base FOB Santos.
As empresas norte-americanas que importam etanol brasileiro podem coletar RIN do D5, referentes ao etanol de cana, ao misturarem o produto ao combustível regular, aumentando as vantagens econômicas da negociação
Nas duas últimas semanas, empresas como a Vitol e o Morgan Stanley aproveitaram o que players do mercado norte-americano classificou de "abertura da arbitragem" para comprar até 40 milhões de litros do etanol brasileiro, informaram fontes do setor nos EUA.
O momento parece favorável para que nomes importantes do mercado brasileiro, como Copersucar, Cosan e Biosev (da Louis Dreyfus Commodities) recuperem margens perdidas nos últimos anos de preços baixos praticados no mercado de açúcar e etanol.
Com a desvalorização do real ante o dólar, as exportações brasileiras se tornam mais competitivas. A avaliação do mercado norte-americano é a de que oportunidades para as exportações brasileiras podem ser ampliadas caso o prêmio para créditos RIN seja mantido.
No documento em que justifica a proposta, a EPA argumenta que a falta de capacidade das usinas brasileiras limitou o espaço para os biocombustíveis avançados.
Espaço para 1,5 bilhão de litros em 2016
As oportunidades para envio do etanol brasileiro podem aumentar no próximo ano, se o prêmio for mantido. A EPA propôs a meta para qualquer tipo de combustível avançado em 422 milhões de galões (1,597 bilhão de litros).
A agência é responsável por definir as necessidades anuais para o uso de combustíveis renováveis. Na categoria de biocombustível avançados, os principais combustíveis são o biodiesel, que é feito de óleos vegetais, e o etanol de cana-de-açúcar.
"O tamanho da piscina é muito maior", disse Scott Irwin, um economista agrícola da Universidade de Illinois. "Nós poderíamos ir de importações brasileiras próximas a 250 até 400 milhões de galões, dependendo do que for menos oneroso para os misturadores de combustível."
Em termos domésticos o volume significa 946 milhões a 1,514 bilhão de litros. Isso seria um aumento de mais de sete vezes a partir dos níveis de 2014.
Fontes: Platts e Reuters
Tradução e adaptação NovaCana