Os produtores conseguiram semear 82% da área da segunda safra de milho do Centro-Sul do Brasil 2022/23 até a semana passada, mantendo um atraso ante a média histórica para o período. Isso deve levar uma parte dos agricultores a reduzir a aplicação de insumos nas lavouras mais atrasadas e com maiores riscos climáticos, avaliou nesta segunda-feira, 13, a consultoria AgRural.
Os maiores atrasos continuam no Paraná e Mato Grosso do Sul, segundo e terceiro produtores de milho na segunda safra.
“Essas áreas vão ficar para plantar fora da janela ideal e parte delas vai ser semeada com menos tecnologia. O produtor vai reduzir a tecnologia para diminuir o custo nessas áreas com maior risco”, disse o analista Adriano Gomes, da AgRural.
A redução do pacote de investimentos pode ocorrer principalmente em termos de adubação, segundo ele.
A média de plantio para esta época é de 84% da área do Centro-Sul, enquanto no mesmo período do ano passado produtores já tinham semeado 94%.
A situação só não tem atraso maior ante a média histórica porque o Mato Grosso, maior produtor, já está com plantio praticamente finalizado.
O atraso na colheita de soja impactou o milho segunda safra, semeado em seguida, o que deixa o cereal mais sujeito a riscos de chuvas irregulares e a geadas nos próximos meses.
A janela climática ideal para o milho termina no dia 15 de março em Mato Grosso do Sul, disse Gomes. “Tradicionalmente, uma parte é semeada fora da janela, e este ano uma maior quantidade de área vai ser semeada assim”, completou.
Até a última quinta-feira, Mato Grosso do Sul havia semeado 42,3% da área projetada, contra 72,6% na média de cinco anos e 93% do mesmo período do ano passado.
No Paraná, apesar do atraso, o estado conseguiu “se alinhar pelo menos até a média”, notou o analista, atingindo 71,8% do total plantado, versus 72,5% do índice histórico para o período.
Para algumas regiões do Paraná, como o oeste, o período ideal para plantio já se encerrou no dia 28 de fevereiro.
“A região norte do estado é mais parecida com o Mato Grosso do Sul, tem mais alguns dias para plantar. A grande preocupação é que a segunda safra já tem maior risco e, fora da janela, eles ficam maiores. Vai ter que chover muito bem, e a preocupação é com o frio, principalmente”, explica.
Roberto Samora e Gabriel Araujo