Grupo Virgolino de Oliveira (GVO) vê crescimento astronômico do prejuízo
Com muito tempo de atraso o Grupo Virgolino de Oliveira (GVO) finalmente divulgou seus resultados referentes a safra de 2014/15. Na temporada encerrada em 30 de abril de 2015, a empresa, com suas quatro usinas (apenas três em operação) e capacidade de moagem de 12 milhões de toneladas, registrou um prejuízo líquido de R$ 1,69 bilhão.
O número, referente ao prejuízo após a consideração de despesas e dos resultados financeiros, representa um aumento astronômico comparado com o mesmo período de 2014, quando a perspectiva de futuro da Virgolino era um pouco mais otimista.
O resultado da GVO chegou um dia depois da agência de riscos Fitch anunciar a retirada das classificações da companhia devido à falta de informações atualizadas da empresa, que seriam consequência das dificuldades financeiras pelas quais passa o grupo.
Com muito tempo de atraso o Grupo Virgolino de Oliveira (GVO) finalmente divulgou seus resultados referentes a safra de 2014/15. Na temporada encerrada em 30 de abril de 2015, a empresa, com suas quatro usinas (apenas três em operação) e capacidade de moagem de 12 milhões de toneladas, registrou um prejuízo líquido de R$ 1,69 bilhão.
O número, referente ao prejuízo após a consideração de despesas e dos resultados financeiros, representa um aumento astronômico comparado com o mesmo período de 2014, quando a perspectiva de futuro da Virgolino era um pouco mais otimista. Com o resultado atual, o prejuízo da companhia alcança uma piora de mais de 17 mil vezes ao registrado no fim da temporada do ano passado (R$ 9,6 milhões).
Já a receita da companhia encolheu 38%, decaindo de R$ 1,42 bilhão em 2013/14 para cerca de R$ 888,6 milhões em 2014/15.
Além dessa retração na entrada de dinheiro, destaca-se a variação negativa no período do valor justo dos ativos biológicos, mostrando uma desvalorização do seu capital de cana-de-açúcar em mais R$ 66 milhões. Este dado, mais o fato de os custos do produtos vendidos, que apesar de terem diminuído em 2015, superaram a receita, coroaram um prejuízo (sem as despesas operacionais) de mais de R$ 248 milhões. Após as despesas, o prejuízo fica em quase R$ 379 milhões. No ano passado, a GVO havia apresentado lucro no período de um pouco mais de R$ 215 milhões.
A exemplo de outras companhias do setor, a empresa também sentiu o efeito das variações cambiais. Se no passado isso rendeu a empresa um tímido ganho (em torno de R$ 7 milhões), agora a alta valorização do dólar trouxe um impacto de quase R$ 749 milhões nas contas da empresa.
Setor sucroalcooleiro
Partindo para uma análise das empresas que o grupo controla (ao todo são 5), as unidades de negócio setor sucroenergético foram as que mais contribuíram para os resultados negativos da companhia. As atividades relacionas ao açúcar e álcool da Virgolino, apresentadas em balanços separados, amargaram cerca de R$ 2 bilhões em prejuízos (após despesas e resultados financeiros). Os números referem-se às operações das Usinas de Bonifácio, Itapira e Monções. A unidade Catanduva, da cidade de Ariranha (SP), está fora de operação de acordo com os balanços divulgados.
Pelo recorte dos resultados operacionais, a Usina de Itapira, que representa a maior operação da Virgolino de Oliveira no setor, apresentou uma diminuição dos custos de 17%. Porém, a queda na receita de R$ 700 milhões em 2013/14, para cerca de R$ 465 milhões em 2014/15 fez com que a unidade apresentasse também um prejuízo operacional de R$ 48 milhões. Quando adicionada as despesas, o número do prejuízo operacional chega em R$ 833 milhões.
Endividamento
A dívida referente a empréstimos e financiamentos do grupo Virgolino registraram queda tanto no curto quanto no longo prazo. O valor total desse montante caiu cerca de 18%, passando de R$ 328 milhões em abril de 2014 para R$ 285 milhões no final da temporada deste ano.
No entanto, o número que chama a atenção é o de ‘contas a pagar – bondholders’, referente às contas a pagar em bonds (títulos de dívida) da companhia. Do ano passado para cá, o valor para ser pago aumentou em 74%. Segundo o balanço patrimonial da GVO, a companhia precisará pagar cerca de R$ 2,32 bilhões em títulos de dívida. Destes, apenas R$ 182 milhões estão previstos para o curto prazo e o restante para pagamento futuro.
Além dos números da dívida, o resultado da empresa mostra que histórico de prejuízos acumulados da GVO chega a R$ 1,25 bilhões no período registrado até o final de abril de 2015.
Virgolino perde ratings
O resultado da GVO chegou um dia depois da agência de riscos Fitch anunciar a retirada das classificações da companhia devido à falta de informações atualizadas da empresa, que seriam consequência das dificuldades financeiras pelas quais passa o grupo. Com isso, segundo comunicado à imprensa, a agência não mais proverá ratings ou cobertura analítica ao Grupo Virgolino Oliveira e às dividas de suas unidades de negócio.
Marina Gallucci – NovaCana