Cana: Meio ambiente

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Assoreamento provocado pelo plantio de cana ameaça rio em Brotas (SP), diz prefeitura

Raízen disse que segue todas as recomendações da secretaria de agricultura e abastecimento e responsabiliza as fortes chuvas pelas erosões


G1 - Publicado: 03 Mar 2023 - 10:07 | Atualizado: 03 Mar 2023 - 14:03
Assoreamento provocado pelo plantio de cana ameaça rio em Brotas (SP), diz prefeitura

Falta de curvas de nível em canaviais tem provocado assoreamentos do rio Jacaré Pepira, argumenta prefeitura de Brotas

Assoreamentos têm colocado em risco o rio Jacaré Pepira, principal atração de Brotas (SP). O dano ambiental tem sido provocado pela falta de curvas de nível nos canaviais da região, segundo a prefeitura.

No rio Jacaré Pepira são realizados os esportes radicais, como o rafting, que deixou Brotas conhecida como a capital da aventura. A sua degradação pelo agronegócio tem preocupado autoridades, agências de turismo e moradores da cidade.

Ao longo da extensão de canaviais que margeiam o rio há vários locais com erosões. Após as fortes chuvas do começo do ano, vídeos feito por moradores mostram a terra dos canaviais sendo levada pela água para o leito do rio sem qualquer obstáculo.

A Raízen, detentora das áreas, foi denunciada ao Ministério Público pelos impactos causados. E após investigações, a promotoria apresentou uma análise que confirma que as atuais técnicas usadas pela empresa estão colaborando para o assoreamento.

Por meio de nota, a Raízen disse que segue todas as recomendações da secretaria de agricultura e abastecimento do estado de São Paulo e que adota as melhores práticas de conservação do solo. A empresa responsabiliza o excesso de chuvas pelo escorrimento da camada superficial do solo em áreas de plantio.

“Brotas tem uma peculiaridade de relevo, que é bastante inclinado. São muitas encostas e as plantações têm que ter um cuidado maior que a norma estadual por causa da inclinação. O solo de Brotas é muito arenoso, escorre com muita facilidade para o rio”, explica a presidente do conselho municipal de meio ambiente, Vivian da Cunha.

Risco para o meio ambiente e para o turismo

O secretário municipal de Turismo, Fábio Pontes, disse que a questão vem sendo discutida há anos.

“Nós começamos uma conversa em 2020, no Encontro das Águas e voltamos a fazer esse encontro em 2021 quando apresentamos um estudo que mostrou que o maior problema do nosso rio era o assoreamento, principalmente pelo mau cultivo da cana-de-açúcar”, afirmou.

Segundo o secretário, o assoreamento do Jacaré Pepira tem impactos ambientais e econômicos. O rio é o cartão de visitas do município, que tem 25% da sua população de 25 mil habitantes dependentes diretamente do turismo.

“Nós temos 2,4 mil famílias trabalhando diretamente e precisando do turismo. O setor movimenta R$ 140 milhões no ano, injeção de dinheiro que vem de fora para dentro”, disse Pontes.

Preocupadas, pessoas que dependem do turismo fizeram um protesto para chamar a atenção para o problema.

“A gente acaba sofrendo socialmente, economicamente e ambientalmente. A cidade começa pelo rio e ela pode, devido a esse manejo errado acabar pelo rio também”, afirmou o presidente do conselho de turismo.

Para a conselheira de meio ambiente, moradores e operadores de turismo têm razão para se preocupar. “A gente está vendo, de modo acelerado, a morte do rio, o rio sendo soterrado. No inverno, a gente vê o rio virando um riacho, em vários lugares onde tinha, há anos, uma linha de água para passar”, afirmou.

Rebeca Branco