
Falta de curvas de nível em canaviais tem provocado assoreamentos do rio Jacaré Pepira, argumenta prefeitura de Brotas
Assoreamentos têm colocado em risco o rio Jacaré Pepira, principal atração de Brotas (SP). O dano ambiental tem sido provocado pela falta de curvas de nível nos canaviais da região, segundo a prefeitura.
No rio Jacaré Pepira são realizados os esportes radicais, como o rafting, que deixou Brotas conhecida como a capital da aventura. A sua degradação pelo agronegócio tem preocupado autoridades, agências de turismo e moradores da cidade.
Ao longo da extensão de canaviais que margeiam o rio há vários locais com erosões. Após as fortes chuvas do começo do ano, vídeos feito por moradores mostram a terra dos canaviais sendo levada pela água para o leito do rio sem qualquer obstáculo.
A Raízen, detentora das áreas, foi denunciada ao Ministério Público pelos impactos causados. E após investigações, a promotoria apresentou uma análise que confirma que as atuais técnicas usadas pela empresa estão colaborando para o assoreamento.
Por meio de nota, a Raízen disse que segue todas as recomendações da secretaria de agricultura e abastecimento do estado de São Paulo e que adota as melhores práticas de conservação do solo. A empresa responsabiliza o excesso de chuvas pelo escorrimento da camada superficial do solo em áreas de plantio.
“Brotas tem uma peculiaridade de relevo, que é bastante inclinado. São muitas encostas e as plantações têm que ter um cuidado maior que a norma estadual por causa da inclinação. O solo de Brotas é muito arenoso, escorre com muita facilidade para o rio”, explica a presidente do conselho municipal de meio ambiente, Vivian da Cunha.
O secretário municipal de Turismo, Fábio Pontes, disse que a questão vem sendo discutida há anos.
“Nós começamos uma conversa em 2020, no Encontro das Águas e voltamos a fazer esse encontro em 2021 quando apresentamos um estudo que mostrou que o maior problema do nosso rio era o assoreamento, principalmente pelo mau cultivo da cana-de-açúcar”, afirmou.
Segundo o secretário, o assoreamento do Jacaré Pepira tem impactos ambientais e econômicos. O rio é o cartão de visitas do município, que tem 25% da sua população de 25 mil habitantes dependentes diretamente do turismo.
“Nós temos 2,4 mil famílias trabalhando diretamente e precisando do turismo. O setor movimenta R$ 140 milhões no ano, injeção de dinheiro que vem de fora para dentro”, disse Pontes.
Preocupadas, pessoas que dependem do turismo fizeram um protesto para chamar a atenção para o problema.
“A gente acaba sofrendo socialmente, economicamente e ambientalmente. A cidade começa pelo rio e ela pode, devido a esse manejo errado acabar pelo rio também”, afirmou o presidente do conselho de turismo.
Para a conselheira de meio ambiente, moradores e operadores de turismo têm razão para se preocupar. “A gente está vendo, de modo acelerado, a morte do rio, o rio sendo soterrado. No inverno, a gente vê o rio virando um riacho, em vários lugares onde tinha, há anos, uma linha de água para passar”, afirmou.
Rebeca Branco