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Associação quer tratamento diferenciado para etanol 2G

Gustavo-Leite-CTCPresidente do CTC fala dos desafios da Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial (ABBI)
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No final do mês passado 13 empresas se juntaram para formar uma associação que pretende mudar a situação da biotecnologia no Brasil. Os desafios para o desenvolvimento do etanol celulósico foi um dos temas que garantiu a união dessas empresas em torno da Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial (ABBI), lançada oficialmente em abril.

Formada por Amyris, Basf, BioChemtex, BP, Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), Dow, DSM, DuPont, GranBio, Novozymes, Raízen e Rhodia, a entidade quer destravar o desenvolvimento da indústria de biotecnologia que se vê amarrada pela burocracia nacional e impedimentos legais. A criação de um marco regulatório deve ser o primeiro pleito da ABBI.

A questão "é uma das mais importantes e que demanda trabalho imediato por parte da associação", explicou o presidente do CTC, Gustavo Leite. A associação ainda não tem conselho nem presidência definidos, mas Leite afirma que já há certos consensos para a atuação.

No final do mês passado 13 empresas se juntaram para formar uma associação que pretende mudar a situação da biotecnologia no Brasil. Os desafios para o desenvolvimento do etanol celulósico foi um dos temas que garantiu a união dessas empresas em torno da Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial (ABBI), lançada oficialmente em abril.

Formada por Amyris, Basf, BioChemtex, BP, Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), Dow, DSM, DuPont, GranBio, Novozymes, Raízen e Rhodia, a entidade tem como missão representar empresas e instituições de diversos setores da economia que empregam ou desenvolvem processos produtivos que utilizam organismos vivos, sejam modificados ou não, e seus derivados.

Para destravar o desenvolvimento dessa indústria que se vê amarrada pela burocracia nacional e impedimentos legais, a criação de um marco regulatório deve ser o primeiro pleito da ABBI. A questão "é uma das mais importantes e que demanda trabalho imediato por parte da associação", explicou o presidente do CTC, Gustavo Leite.

A associação ainda não tem conselho nem presidência definidos, mas Leite afirma que já há certos consensos para a atuação. O estreitamento da relação entre ciência e indústria, a aceleração das análises de propriedade intelectual e o assessoramento ao governo em eventuais negociações internacionais envolvendo biotecnologia, são pontos de convergência entre as associadas.

"As empresas participantes dessa associação entendem a biotecnologia como futuro inevitável e necessário ao crescimento do país como um todo", comenta.

A expectativa da Agência Internacional de Energia dos Estados Unidos (IEA, na sigla em inglês) é de que o mercado de produtos químicos derivados da biomassa cresça 22,8% ao ano, alcançando em 2015, US$ 6,8 bilhões. Em 2010, o mercado foi de aproximadamente US$ 2,4 bilhões.

"A biotecnologia industrial é uma área em rápido desenvolvimento e com grande potencial de contribuição para o futuro".

Com a maior biodiversidade do planeta, a participação brasileira sobre o total de patentes biotecnológicas depositadas internacionalmente  era de apenas 0,45% em 2011, de acordo com recente relatório do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES. Reverter a insignificante participação do país no setor de biotecnologia está entre os desafios da nova associação.

Tratamento diferenciado para o etanol 2G

A ABBI defende que o etanol de segunda geração (2G) receba um tratamento diferenciado em relação ao produzido pela via convencional. Para a entidade oficializada no final do abril, os biocombustíveis produzidos a partir da celulose são dignos de "algum tratamento diferenciado como aquele que o BNDES e a FINEP, por exemplo, tem oferecido nos Programas PAISS para fomento à pesquisa e ao estabelecimento comercial de tecnologias".

Lançado em 2011, o PAISS - Plano Conjunto BNDES-Finep de Apoio à Inovação Tecnológica Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico está em sua terceira edição e nesse período reverteu parcialmente a distância entre o Brasil e as nações líderes na corrida tecnológica pelos biocombustíveis 2G e outros produtos derivados da biomassa. O impacto da linha foi tal, que quase todas as fundadoras da ABBI tiveram projetos seus selecionados pelo plano.

"A tecnologia do etanol de segunda geração é um desenvolvimento disruptivo, ou seja não terá como consequência pequenos incrementos, mas uma nova área industrial completa será criada exigindo novas competências, com novos insumos e equipamentos", reforça o presidente do CTC.

Tecnologia e profissionais são desafios

Além de modernizar o marco legal, a associação buscará novas formas de financiamento e fomento para a biotecnologia.

"A Lei de Subvenção precisaria de um aperfeiçoamento, por exemplo, que permitisse a construção de plantas piloto no âmbito empresarial. Além disso, há barreiras para usar no país equipamentos analíticos e ferramentas de Biotecnologia mais modernos".

Com essas dificuldades, não raro muitos destes recursos tecnológicos chegam no país com grandes atrasos, além de custos até duas vezes maiores do que nos seus países de origem, relata o executivo.

Soma-se à dificuldades para internalizar tecnologia, a falta de profissionais qualificados para a área. "Também recursos humanos (cientistas) habilitados para usar estas ferramentas modernas não são facilmente encontrados no país e o seu treinamento é mais caro e demora mais do que nos países avançados", completa Gustavo Leite.

O perfil da biotecnologia no Brasil

De acordo com dados apresentados em análise setorial do BNDES publicada em abril, em 2009 o Brasil contava com 253 empresas de biociências, sendo 110 empresas de biotecnologia. Na área de biocombustíveis, as empresas de biotecnologia ainda demonstram pequena participação, conforme informa o banco.

Além da baixa a atuação das empresas de biotecnologia do Brasil, em relação a registro de novos processos ou produtos, há um grande desafio no financiamento para pesquisa e desenvolvimento na área. "Cerca de 80% das empresas utilizaram algum tipo de recurso público para financiar seu plano de P&D e somente 14% informaram ter participação de algum fundo de investimento", diz o trabalho.

Para saber mais sobre a análise do BNDES, clique aqui e acesse o trabalho completo sobre "Química verde na ótica dos agentes de mercado".

Amanda SchArr - NovaCana
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