Em mais uma semana encurtada pelo feriado no Brasil, o mercado futuro de açúcar em NY encerrou a sexta-feira com uma queda de 19 pontos em relação ao fechamento da semana anterior. O vencimento maio/2017 encerrou a 16,41 centavos de dólar por libra-peso. Os demais meses de vencimento fecharam inalterado. Para os vencimentos a partir de outubro de 2018 houve apreciação.
O mercado foi pego de surpresa com o aumento no preço da gasolina anunciado pela Petrobras, nesta quinta-feira. Com o preço do petróleo caindo no mercado internacional esperávamos que houvesse redução no preço da gasolina na bomba. No entanto, as condições favoráveis da inflação no momento permitem espaço para o aumento de combustíveis e dão à estatal brasileira uma rara oportunidade de reforçar o caixa, tão combalido. É verdade que o RBOB (contrato futuro de gasolina) subiu mais de 10% nas últimas oito semanas, apesar de petróleo e óleo de aquecimento terem caído. No acumulado do ano, contudo, o gás natural caiu 19,7%, o açúcar 14,5%, a gasolina 13,1% e o petróleo 10%.
O açúcar em NY continua preso num aborrecido intervalo de preços entre 16 e 17 centavos de dólar por libra-peso e não há muita coisa no horizonte que aponte para mudanças nesse comportamento. O aumento da gasolina melhora ligeiramente a arbitragem com o etanol e reforça nosso sentimento de que 16 centavos de dólar por libra-peso continua sendo um forte suporte nos preços. Os fundos estão ainda com uma posição comprada bastante limitada (cerca de 25.000 lotes) e, considerando a proximidade do mercado com o custo de produção, achamos difícil que os fundos virem a mão para vendidos neste momento, fortalecendo a tese que o chão do mercado está muito próximo.
É claro que os próximos capítulos do mercado de açúcar vão depender de notícias fundamentalistas fresquinhas, suficientemente encorajadoras para quebrar a resistência de 17 centavos de dólar por libra-peso. Muitas usinas continuam olhando atentamente qualquer movimentação mais robusta por parte da trajetória do dólar para travar preços de açúcar na exportação para 2018/2019. A média de fixação para aquele período, considerando NDF (contrato a termo de dólar com liquidação financeira) está entre R$ 1.380 e 1.400 por tonelada.
A sina do mercado, resume-se: encontrar compradores e cobertura de vendas a descoberto em torno de 16,00 a 16,25 centavos de dólar por libra-peso ou vendedores entusiastas ao redor de 17 centavos de dólar por libra-peso, o que é limitante tendo em vista as previsões de superávit para 2017/2018. Muito excitante, não?
As previsões de produção na Índia para a safra 2017/2018 sofreram uma pequena redução de 25 milhões de toneladas de açúcar para 24.6 milhões. No Centro-Sul não há nenhuma preocupação em relação ao tempo que pudesse chacoalhar o mercado.
O consumo de combustível em fevereiro/2017, segundo a ANP, foi de 4,4 bilhões de litros, o menor consumo mensal desde fevereiro de 2015. No consumo acumulado de doze meses (março de 2016 até fevereiro de 2017), caiu 1.91%, chegando a 57,47 bilhões de litros. O total em gasolina equivalente, no entanto, foi de 53,276 bilhões de litros, uma queda de apenas 0,03% comparativamente ao período anterior.
A queda acentuada do hidratado (20,81%) foi compensada pelo aumento do consumo do anidro em 6,9% e da gasolina A em 6,0%. O mix de combustível consumido baseado nos doze meses encerrados em fevereiro/2017 mostra 44,8% de etanol e 55,2% de gasolina A. Em menos de dois anos o etanol devolveu todo o mercado que havia ganho nesse período (chegou a ter 49% em janeiro de 2016).
Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting
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