Açúcar: Mercado

Açúcar: Mercado

Arnaldo Luiz Corrêa: Comentário semanal - 29 de agosto a 02 de setembro de 2016


Archer Consulting - Publicado: 05 Set 2016 - 08:37

O mercado futuro de açúcar em NY fechou a semana em 20,18 centavos de dólar por libra-peso, queda de 37 pontos (pouco mais de 8 dólares por tonelada) no vencimento outubro/2016 em relação à semana anterior. Já o vencimento março/2017 fechou a 20,82 centavos de dólar por libra-peso, uma redução de 27 pontos no mesmo período. O spread outubro/março enfraqueceu mais 10 pontos na semana, mostrando que a demanda do físico continua aquém do esperado.

Há um mês que o mercado tenta realizar lucros fortemente e buscar a região dos 19,50 centavos de dólar por libra-peso, sem lograr êxito. Estamos vivendo um período de grandes oscilações no preço. Nos últimos quatro meses, por exemplo, assistimos as oscilações diárias (diferença entre a máxima e a mínima negociada no dia em relação ao fechamento do mercado no dia anterior) ultrapassarem 4,3%, em dezesseis ocasiões. Apenas no último mês isso ocorreu 5 vezes. A oscilação média em agosto foi de 61 pontos. Nesses quatro meses a oscilação diária foi mais ampla do que 61 pontos em 38 pregões, 10 pregões no último mês apenas.

Toda vez que o mercado se aproxima dos 19,50 centavos de dólar por libra-peso, uma avalanche de compras aparece. Será apenas coincidência que a posição em aberto das puts (opções de venda) de preço de exercício de 19 centavos de dólar por libra-peso seja a maior com mais de 10.000 lotes?

Temos razões de sobra para acreditar que, como dissemos aqui reiteradamente, a única coisa que pode mudar a trajetória do mercado de açúcar para patamares mais altos (23-24 centavos de dólar por libra-peso) é o preço do petróleo. Os fundos não-indexados continuam carregando sua pantagruélica posição comprada de 327 mil contratos e não nos parece que eles vão desistir dessa posição tão cedo, principalmente quando percebem do suporte que existe em torno dos 19-19,50 centavos de dólar por libra-peso, graças às tradings.

A curva ascendente do dólar via NDF (contrato a termo de dólar para entrega futura liquidado financeiramente) estimula algumas empresas a apontarem os lápis e anteciparem suas fixações em reais por tonelada dos contratos de exportação de açúcar para a safra 2018/2019. É isso mesmo que você leu. Algumas empresas querem aproveitar os excelentes preços em reais o vencimento maio/2018.

Com a possibilidade de um real estabilizado naquele vencimento futuro, segundo a estimativa de alguns conceituados economistas, o valor obtido hoje em reais por tonelada fazendo a fixação via esse instrumento financeiro só seria igualada se o mercado de açúcar em NY negociasse a 24,36 centavos de dólar por libra-peso, quase 600 pontos acima do que o maio/2018 negociava na sexta-feira. Pelo mesmo raciocínio, os preços médios em centavos de dólar por libra-peso para as safras 2017/2018 (maio, julho, outubro e março) e 2018/2019 teriam – em tese – espaço para subir 400 e 600 pontos, respectivamente, em relação aos níveis médios atuais.

Corroborando com essa tese, o modelo de previsão de preços da Archer Consulting aponta que o contrato futuro de açúcar em Nova Iorque poderá chegar aos 23,44 centavos de dólar por libra-peso até o final deste ano. No mês passado, o modelo indicava que no mês de agosto o preço médio de NY ficaria em 20,07 centavos de dólar por libra-peso, ficou em 20,01. A tendência de melhores preços adiante parece estar se confirmando. No acumulado do ano, a diferença entre o preço médio estimado e o realizado é de apenas 1,60%.

A dívida do setor, segundo levantamento da Archer no final de agosto, é de R$ 84,85 bilhões, sendo 34,7% dessa dívida em dólares americanos.

Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting