Retomada dos investimentos em tratos culturais deve compensar chuvas abaixo da média
Depois de um ano difícil em que precisou recorrer à recuperação judicial para evitar o completo desmantelamento, a Aralco planeja uma safra melhor em 2015/16. Embora a influência do clima nos próximos dois meses ainda não possa ser quantificada, o grupo com sede em Araçatuba (SP) acredita que a retomada de investimento nos canaviais compensará o esperado défice hídrico.
O ciclo 2014/15 foi encerrado com uma moagem de apenas 2,980 milhões de toneladas e três de suas quatro usinas em operação, mas a Aralco planeja processar quase um milhão de tonelada a mais na safra que inicia em abril.
Veja a seguir como a Aralco está planejando a safra 2015/16 com suas quatro usinas e a influência do plano de recuperação judicial
Depois de um ano difícil em que precisou recorrer à recuperação judicial para evitar o completo desmantelamento, a Aralco planeja uma safra melhor em 2015/16. Embora a influência do clima nos próximos dois meses ainda não possa ser quantificada, o grupo com sede em Araçatuba (SP) acredita que a retomada de investimento nos canaviais compensará o esperado défice hídrico.
O ciclo 2014/15 foi encerrado com uma moagem de apenas 2,980 milhões de toneladas e três de suas quatro usinas em operação, mas a Aralco planeja processar quase um milhão de tonelada a mais na safra que inicia em abril.
“O grupo [que está em recuperação judicial] passou por uma crise muito grande e por isso se deixou de cuidar bem da soqueira. Agora foi feito um trabalho de adubação, de limpeza, de herbicida, controlando pragas e isso melhorou um pouco [a condição dos canaviais]”, comentou o gerente agrícola da Aralco Luiz Romeu Voss.
Com a retomada do investimento em tratos culturais e a previsão de um défice hídrico menos severo do que na safra passada, o gerente agrícola projeta uma moagem de 3,8 milhões de toneladas nesta safra, crescimento de 27% na comparação com a anterior. A previsão considera 3 milhões de toneladas de cana própria e de fornecedores parceiros, e também a compra de 800 mil toneladas de cana de terceiros.
As chuvas que só caíram nos últimos dias de janeiro sobre os canaviais da Aralco tem retorno aguardado para esta semana. “Do dia 4 até o dia 10 [de fevereiro] esperamos chuva abundante aqui na região”, disse Voss.
Com uma de suas usinas fora de funcionamento, a companhia ainda deve operar bem abaixo da capacidade plena que soma 7,2 milhões de toneladas. Segundo Voss, a quarta usina sai de hibernação quando a companhia atingir a moagem de 5 milhões de toneladas.
Com a necessidade de redução de custos é possível que a operação seja reduzida para apenas dois turnos, ao invés de três, o que resultaria uma demanda menor por mão-de-obra.
A usina Generalco, em General Salgado, inicia a safra em 2 de abril, seguida pela Alcoazul, em Araçatuba, dia 8 de abril, e pela unidade Figueira, em Buritama, que retoma a moagem em 2 de maio.
Na safra 2014/15 foram produzidas pelo grupo 57,469 mil toneladas de açúcar e 192,6 milhões de litros de etanol, com 76% do mix voltada à produção do biocombustível.
Plano de recuperação
Aprovado pelos credores em dezembro e ratificado ontem (3) pelos acionistas, o plano de recuperação da Aralco tem prazo de 15 anos. Com assessoria jurídica do escritório Dias Carneiro Advogados (DCA) o pleno prevê uma reestruturação da sociedade com a conversão da dívida em participação acionária em uma holding a ser criada, a Nova Aralco.
Se todos os credores fizerem uso do seu direito de subscrição de ações, os atuais sócios da companhia devem ter sua participação reduzida a 26% da totalidade das ações da Nova Aralco que virá a deter todos os ativos do grupo, controlando as empresas Aralco, Agral, Generalco, Agrogel, Agroazul, Alcoazul, Figueira, Aralco Finance e Aracanguá.
A atual dívida da Aralco, estimada em mais de R$ 1 bilhão, “pode ser diminuída drasticamente por conta desta potencial conversão de crédito em ação”, comentou o advogado Bruno K. de Oliveira do escritório DCA. Entre os credores estão os bancos Citibank, Scotiabank, Bradesco e Credit Suisse.
O documento traz o compromisso de moagens mínimas para as próximas safras. No ciclo 2015/16 a companhia já deverá processar, pelo menos, 3,25 milhões de toneladas, volume abaixo da moagem planejada.
Em 2016/2017 o processamento exigido sobe para 3,6 milhões de toneladas e deve seguir em crescimento escalonado nas safras seguintes; em 2017/18 para 4,2 milhões de toneladas; em 2018/19 para 5,8 milhões de toneladas e de 2019/20 em diante no mínimo 6,5 milhões de toneladas. No plantio o compromisso é de manter o cultivo de 7 mil hectares de canaviais.
O plano também permite que unidades isoladas, ou mesmo todas as usinas, sejam negociadas com um investidor. A venda dependeria do aval judicial. “Não é que se esteja indo atrás disso, mas se deixou essa possibilidade que é muito interessante para todo mundo. A porta ficou aberta, mas é bem teórica e precisa de implementação caso todos estejam de acordo”, ressalvou o advogado.
Oliveira explica que toda as decisões importantes a serem tomadas a partir de agora deverão passar pelo grupo consultivo que terá sete membros, um indicado pelos atuais acionistas e os demais pelos credores. Até o momento nenhum dos nomes foi definido.
O plano de recuperação completo está disponível aqui.
Amanda SchArr – NovaCana