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Após fim das atividades na Zona da Mata, Usina Jatiboca e trabalhadores fecham acordo


Diário do Comércio (MG) - Publicado: 18 Dez 2025 - 12:39

Depois de quase dois meses de negociações, a Usina Jatiboca chegou a um acordo com os mais de 1.100 trabalhadores que perderam o emprego após a centenária produtora de açúcar e álcool, localizada em Urucânia, na Zona da Mata mineira, encerrar as atividades.

No documento, assinado na última semana, ficou definido que o pagamento do acerto trabalhista será em até sete parcelas, sendo que a oferta inicial era de até dez. Além disso, as casas em que parte dos empregados moravam, cedidas pela empresa e colocadas em revelia na primeira discussão, seguirão com os moradores, a princípio por três anos.

As informações foram reveladas pelo superintendente do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em Minas Gerais, Carlos Calazans, e confirmadas pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Urucânia (STRU), José Luiz da Anunciação, e pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação de Ponte Nova e Outros Municípios (SITIAPM), Júlio César Rodrigues da Silva.

Especificamente sobre as casas, Calazans explicou que a Jatiboca, ao longo dos anos de atuação na região, cedeu cerca de 150 residências para que funcionários morassem. No entanto, a usina incluiu essas habitações como garantia em dívidas com a União.

Conforme o superintendente, alguns colaboradores ocupavam esses lares há décadas e seria injustiça se tivessem que abandoná-los. Ele afirmou que ficou acordada a permanência dos moradores pelo prazo supracitado, porém, com a possibilidade de que eles fiquem definitivamente em caso de um eventual acordo da companhia com o governo federal.

Futuro das terras e da mão de obra local

Responsável por intermediar as tratativas entre a Usina Jatiboca e os trabalhadores, Calazans lamentou o fato de não encontrarem uma solução para manter a tradicional fabricante mineira de açúcar e etanol. Ele ressaltou que agora o foco está no destino das terras onde a matéria-prima para a produção da empresa era cultivada e da mão de obra.

Segundo o superintendente, Urucânia e municípios vizinhos têm diversas propriedades com plantação de cana-de-açúcar e com o fechamento da companhia é preciso discutir com os produtores, técnicos agrícolas, instituições e o poder público a possibilidade de plantar outras culturas ou desenvolver algum projeto nos terrenos. O representante do MTE pontuou que o efeito indireto do encerramento das atividades na região é significativo.

Calazans salientou também a necessidade de as prefeituras locais e o próprio Ministério do Trabalho e Emprego pensarem em campanhas de requalificação profissional para que os trabalhadores rurais e da indústria possam ser absorvidos pelo mercado.

“Existe muita reclamação da ausência de mão de obra, então é possível que a região absorva para outras áreas, mas vai ser necessário requalificação, sobretudo dos mais jovens”, disse.

Em nota divulgada à imprensa, a Usina Jatiboca, sem dar detalhes, confirmou os acordos coletivos com os trabalhadores visando o equacionamento dos direitos rescisórios. A empresa também pontuou que as operações foram suspensas a partir de 21 de outubro, após uma análise sobre o cenário do mercado de açúcar e etanol, aliado às condições específicas da região da instalação, como o clima e a disponibilidade de mão de obra e matéria-prima.

A produtora reiterou que houve tentativas frustradas de venda da unidade. Acrescentou que as diligências conduzidas evidenciaram “falta de idoneidade moral, ausência de capacidade financeira e até a utilização de informações falsas por parte dos pretensos investidores que se intitulavam como potenciais compradores”.

Thyago Henrique