A usina de açúcar e etanol da Raízen em Caarapó – distante 270 quilômetros de Campo Grande – confirmou ao prefeito do município, André Nezzi (PSDB), a contaminação de dois trabalhadores indígenas com novo coronavírus. A unidade já havia afastado todos os seus funcionários indígenas há dez dias.
Em comunicado ao prefeito, a Raízen diz que, “por cautela”, submeteu todos os trabalhadores indígenas da usina a testes por biologia molecular, considerado uma das melhores opções para identificação da contaminação pela covid-19.
Nezzi relata que 200 exames foram realizados pela Raízen. De acordo com a companhia, outros quatro resultados ainda são aguardados.
A usina relatou ao prefeito de Caarapó que os demais trabalhadores que tiveram contato com os dois indígenas contaminados testaram negativo para novo coronavírus. A Raízen alega que acionou a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).
“Nossa equipe da secretaria municipal de saúde e também do Comitê Municipal de Combate ao Coronavírus, juntamente com equipes da Sesai, assim que acionados pela empresa, já estão trabalhando para isolar os dois rapazes e também outras pessoas que tiveram contato com eles”, completou André Nezzi, em publicação no Facebook.
Localizada no município, a Terra Indígena Caarapó abriga pelo menos 5 mil guaranis, entre kaiowás e ñandevas. Parte trabalha nas lavouras de cana-de-açúcar que alimentam as usinas de açúcar e etanol da região.
Até domingo (24), a Secretaria de Estado de Saúde (SES) contava somente um caso confirmado de novo coronavírus em Caarapó. A prefeitura local já identificou duas outras ocorrências, ambas vindas de Osasco (SP).
O boletim de domingo da SES ainda apontava para 17 casos suspeitos do município ao sul do Estado sob investigação em laboratório.
Em nota, a Raízen afirma que os indígenas contaminados não apresentaram sintomas. A empresa confirma que assegurou os direitos trabalhistas, com pagamento de salários e benefícios, aos 200 funcionários indígenas afastados que atuam na frente de plantio de cana em Caarapó.
Segundo o grupo, foram distribuídos sabonete líquido, álcool em gel e máscaras para funcionários e familiares. Trabalhadores indígenas receberam comunicações personalizadas em guarani, como panfletos.
Em resposta à reportagem, a Raízen citou também que prefeito e líderes da comunidade indígena sinalizaram a possibilidade da contaminação ter acontecido após visitas a familiares em Dourados, distante 50 quilômetros de Caarapó.
Jones Mário