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Apesar do bom momento do setor, algumas usinas podem estar em situação financeira irreversível

fitch ratings 241014Fitch manda mensagem para os investidores: novos calotes podem ocorrer

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Apesar do bom momento que vive o setor, com preços elevados para o etanol e o açúcar, a situação financeira de algumas usinas podem ter alcançado um quadro irreversível. A agência de classificação de risco responsável por avaliar grupos sucroenergéticos que controlam 47 usinas no Brasil não está otimista. A mensagem que a Fitch Ratings transmitiu para os investidores na semana passada é de cautela e algum pessimismo.

O analista da Fitch, Claudio Miori, aponta para aqueles que estão aplicando dinheiro no ramo o que eles podem esperar para o setor nacional em 2016.

Na fala do analista fica claro que ainda é uma preocupação da agência a capacidade de refinanciamento de algumas companhias. A perspectiva da Fitch é que novos calotes ocorram.

A seguir os detalhes da análise.

Apesar do bom momento que vive o setor, com preços elevados para o etanol e o açúcar, a situação financeira de algumas usinas podem ter alcançado um quadro irreversível. A agência de classificação de risco responsável por avaliar grupos sucroenergéticos que controlam 47 usinas no Brasil não está otimista com o setor. A mensagem que a Fitch Ratings está transmitindo aos investidores é de cautela e algum pessimismo.

A Fitch — que acompanha o perfil e a saúde financeira de seis grupos sucroenergéticos— publicou na tarde da última quinta-feira (12) um comentário em vídeo do analista da agência, Claudio Miori, em que ele aponta o que esperar para setor sucroenergético nacional em 2016.

Os grupos que atualmente estão na mira das análises da agência de classificação de risco são Raízen Energia, Biosev, Jalles Machado, USJ, Tonon e GVO. Juntas as companhias representam cerca de 131 milhões de toneladas de capacidade de moagem.

Na fala do analista fica claro que ainda é uma preocupação da agência a capacidade de refinanciamento das companhias de açúcar e álcool, conforme já havia afirmado no início da atual safra. A perspectiva da Fitch é que novos calotes ocorram.

“A habilidade das companhias em gerenciar o risco de refinancimento será determinante até o final de 2015 e em 2016. O fluxo de caixa operacional das companhias deve permanecer limitado devido à uma combinação entre a recuperação lenta dos preços do açúcar e uma inflação anual acima de 8%”, afirma Miori.

Considerando o setor sucroalcooleiro um segmento que se caracteriza pelo uso intensivo de capital, as companhias não podem abrir mão dos investimentos no campo sob pena de prejudicarem seus rendimentos. Devido à essa necessidade permanente de aportes, a perspectiva para o setor é negativa.

O analista da Fitch, espera que o fluxo de caixa livre da maioria das empresas permaneça negativo, enquanto os recentes pedidos de recupração judicial e problemas financeiros de importantes players do setor reduzem a disposição dos bancos em rolar a dívida ou aumentar o limite com os grupos sucroalcooeiros.

Ratings sucroalcooleiros

Miori destacou que a maioria dos grupos cobertos pela Fitch estão com os ratings na categoria de 'B', que indica grau altamente especulativo, com duas únicas exceções positivas: a Raízen (‘BBB’) e a Biosev (‘BB-’). A primeira, por se beneficiar da estabilidade de fluxo de caixa do negócio de distribuição de combustíveis e do fácil acesso à liquidez, enquanto a Biosev se favorece do suporte recebido do grupo controlador Louis Dreyfus, além de um acesso acima da média ao mercado bancário.

Miori afirma que os ratings da Jalles Machado, atualmente ‘B+’, devem continuar refletindo sua eficiência operacional, enquanto os ratings da USJ (‘CC’) e Tonon (‘C’) devem continuar incorporando seus maiores riscos de refinanciamento.

Cenário

O analista resgata o histórico do forte momento de stress vivido pela indústria brasileira de açúcar e etanol. Os maiores culpados (além dos crescentes riscos de refinancimanto em toda a indústria), segundo ele, têm sido os preços deprimidos de açúcar e etanol.

A Fitch não espera uma recuperação expressiva para o açúcar, seja para o restante de 2015 ou para o próximo ano, pois, embora a relação de oferta e demanda esteja caminhando para um déficit global na próxima safra, que se inicia em 1º de outubro. A explicação é que os estoques globais existentes devem ser grandes o suficiente para absorver o impacto e retardar um aumento mais significativo nos preços.

Já a desvalorização do Real, que chegou em 30% em relação ao dólar americano em 2015, encoraja as usinas brasileiras a exportar mais açúcar, o que contribui para empurrar para baixo as cotações internacionais de açúcar, citou Miori.

Em relação ao etanol, as previsões da agência é que o forte incremento de demanda pelo hidratado deve ter influência limitada no sentido de ajudar as empresas sucroalcooleiras nacionais em situação frágil. Um problema são os preços deprimidos na média da comparação entre safras, em função dos elevados estoques construídos na última entresafra. Ou seja, os preços melhores agora não estão sendo necessariamente captados por aqueles que mais precisam.

Piora esse cenário, o fato de que usinas em dificuldades financeiras têm favorecido a produção de etanol em detrimento de açúcar pelos menores investimentos exigidos em capital de giro. A Fitch ainda considera que o teto imposto pelo preço da gasolina deve segurar um aumento mais significativo nos preços do etanol, indicando que a agência não aposta numa alta da gasolina tão cedo.

 

Marina Gallucci – NovaCana

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