Apesar do cenário desafiador, sucroenergética contabilizou um resultado líquido positivo de R$ 78,63 milhões e um avanço de 6,8% na moagem, para 8,47 milhões de toneladas
Em meio a aumentos dos custos de produção e a instabilidades na economia nacional, um grande número de sucroenergéticas registrou queda em suas margens de lucro. Ainda assim, os elevados preços do açúcar no mercado internacional mantiveram os resultados no azul.
Entre as empresas que se enquadram nesta descrição está a Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA), que contabilizou um resultado líquido de R$ 78,63 milhões em 2022/23, queda de 59,7% em comparação com o recorde de R$ 195,09 milhões visto na temporada anterior.
Os números referentes à safra foram divulgados pela companhia em seu site de relações com investidores. Conforme relatório da administração, a margem líquida foi de 3,6% em 2022/23, ante 10,9% um ano antes.
Segundo a empresa, apesar de um maior faturamento com açúcar e etanol, houve maiores custos de produção e logística, além de uma variação negativa no valor justo dos ativos biológicos.
Ainda de acordo com a CMAA, a moagem em 2022/23 alcançou 8,47 milhões de toneladas, alta de 6,8% na comparação anual. Além disso, a concentração de açúcar total recuperável na cana foi de 139,1 kg/t, elevação de 1,6% no mesmo comparativo. Os valores incluem as três usinas do grupo, que possuem uma capacidade agrupada de 9,7 milhões de toneladas.
Leia mais no texto completo (exclusivo para assinantes NovaCana):
- Dados de moagem e produção
- Volumes vendidos e preço médio por produto
- Receita com os produtos vendidos
- Relação entre receitas e custos
- Lucro bruto da CMAA
- Resultado financeiro
- Perfil da dívida da companhia
- Resultados em relação à moagem: lucro líquido, lucro bruto, receitas, custos e endividamento
Em meio a aumentos dos custos de produção e a instabilidades na economia nacional, um grande número de sucroenergéticas registrou queda em suas margens de lucro. Ainda assim, os elevados preços do açúcar no mercado internacional mantiveram os resultados no azul.
Entre as empresas que se enquadram nesta descrição está a Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA), que contabilizou um resultado líquido de R$ 78,63 milhões em 2022/23, queda de 59,7% em comparação com o recorde de R$ 195,09 milhões visto na temporada anterior.
Os números referentes à safra foram divulgados pela companhia em seu site de relações com investidores. Conforme relatório da administração, a margem líquida foi de 3,6% em 2022/23, ante 10,9% um ano antes.
Segundo a empresa, apesar de um maior faturamento com açúcar e etanol, houve maiores custos de produção e logística, além de uma variação negativa no valor justo dos ativos biológicos.

Ainda de acordo com a CMAA, a moagem em 2022/23 alcançou 8,47 milhões de toneladas, alta de 6,8% na comparação anual. Além disso, a concentração de açúcar total recuperável na cana foi de 139,1 kg/t, elevação de 1,6% no mesmo comparativo. Os valores incluem as três usinas do grupo, que possuem uma capacidade agrupada de 9,7 milhões de toneladas.
Conforme a companhia, a maior usina é a Vale do Tijuco, localizada em Uberaba (MG), com potencial para 5 milhões de toneladas de cana por safra. Já a Vale do Pontal, em Limeira do Oeste (MG), pode moer até 2,7 milhões de toneladas. Por fim, a Canápolis, situada no município mineiro de mesmo nome, tem capacidade para 2 milhões de toneladas por temporada.
Produção e vendas
Com isso, em 2022/23, a produção de açúcar do grupo totalizou 685,1 mil toneladas, crescimento anual de 19,7%. Por sua vez, a fabricação de etanol caiu 2,2%, para 309,8 milhões de litros – deste volume, 109,8 milhões de litros foram de anidro (-14,6%) e 200 milhões de litros foram de hidratado (+6,3%). Já a cogeração de energia subiu 20%, para 431,3 GWh.

A mudança na estratégia em relação aos tipos de etanol foi justificada pelo movimento dos preços. “Impulsionados pelo alta no preço do açúcar no mercado externo, pela baixa oferta de etanol e pela paridade favorável frente os preços da gasolina, os preços de etanol apresentaram alta na média do período”, relata a CMAA.
De acordo com a empresa, foram vendidos 179,9 milhões de litros de etanol hidratado na safra, com um preço médio líquido de R$ 3,17 por litro, alta de 21,9% ante os R$ 2,60/L de 2021/22. Já no etanol anidro, as vendas somaram 129,4 milhões de litros, com preço médio de R$ 3,25/L, incremento de apenas 1,2% ante os R$ 3,21/L da safra anterior.
“Como parte das vendas de etanol já estava fixada a bons níveis de preço e a companhia vem realizando as entregas deste volume no decorrer da safra, os preços médios de venda foram superiores ao exercido pelo mercado, o que nos assegurou um melhor preço médio comparado ao mesmo período do exercício anterior”, explica a CMAA.
O relatório da administração ainda aponta que “foram aproveitadas oportunidades pontuais de exportação de etanol”. Segundo o documento, cerca de 20 milhões de litros foram vendidos para o exterior a valores com margens melhores que as vistas no mercado doméstico.
Ainda assim, as atenções da CMAA seguiram no mercado de açúcar. A comercialização do adoçante teve um aumento de 14,7%, para 646,1 mil toneladas. “O ritmo das vendas foi maior nos últimos trimestres devido a cadência de produção da safra e embarque no açúcar no porto”, relata o documento.
A companhia também afirma que os preços obtidos ficaram abaixo dos praticados no mercado à vista, mas tiveram alta de 10,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando um valor médio de R$ 1.563 por tonelada.
Receitas e custos
Com o maior volume vendido e os maiores preços, a CMAA contabilizou um aumento de 20,6% em sua receita líquida, totalizando R$ 2,17 bilhões na temporada.
Considerando os valores brutos – ou seja, antes da incidência de impostos e outros descontos –, o produto mais significativo para a empresa foi o açúcar para exportação, com R$ 1,3 bilhão (alta anual de 31%). Na sequência, o etanol vendido domesticamente representou R$ 1 bilhão (-2,5%) e a energia elétrica somou R$ 102,65 milhões (-4,5%). Outros produtos contabilizados são: etanol exportado (R$ 67,8 milhões), CBios (R$ 38,49 milhões), açúcar para mercado interno (R$ 339 mil) e outros (R$ 24,68 milhões).
Ao mesmo tempo, os custos da companhia com os produtos vendidos subiram mais que o faturamento, 27,9%, para R$ 1,61 bilhão. Segundo a CMAA, o aumento se deu por conta do maior volume comercializado e pelo maior desembolso com tratos culturais, feito para assegurar o rendimento do canavial após as intempéries climáticas vistas em anos anteriores.

Ainda conforme a sucroenergética, houve um aumento nos preços dos insumos, nos gastos com manutenção e nas despesas com mão-de-obra. Além disso, o custo com corte, carregamento e transporte de cana (CCT) também subiu devido aos maiores preço do diesel.
Com isso, as despesas com os produtos vendidos representaram o equivalente a 74,3% da receita. O valor representa uma elevação de 4,3 pontos percentuais ante os 70% de 2021/22.
Além disso, o lucro bruto da CMAA na temporada foi de R$ 557,56 milhões, alta de 3,3% ante os R$ 539,67 milhões da safra anterior. Desta forma, mesmo com a piora na margem, a companhia obteve o maior resultado da série histórica iniciada em 2014/15.

Resultado financeiro e perfil das dívidas
Outro fator que colaborou para a retração no resultado líquido da CMAA foi o aumento de 36,8% no prejuízo financeiro. Ao longo da safra, a companhia registrou perdas de R$ 326,86 milhões, frente a R$ 238,86 milhões no período anterior.
“O resultado financeiro líquido foi impactado principalmente pela alta da taxa de juros e o impacto das curvas futuras de CDI e IPCA no valor justo dos instrumentos financeiros derivativos de proteção ao endividamento da companhia”, justifica a CMAA.

No período, as receitas financeiras – compostas por rendimentos de aplicações, ganhos com ajustes, liquidações de operações, variação cambial e juros sobre arrendamentos – somaram R$ 246,69 milhões, alta anual de 3,3%. Em contrapartida, as despesas financeiras subiram 20,1%, para R$ 573,55 milhões.
Especificamente, estes gastos correspondem a: juros sobre empréstimos e financiamentos (R$ 204,07 mi); juros sobre arrendamentos (R$ 130,66 mi); perdas com liquidações (R$ 78,89 mi); perdas com ajustes (R$ 60,43 mi); variação cambial passiva (R$ 57,19 mi); despesas não identificadas (R$ 16,7 mi); tarifas bancárias (R$ 13,7 mi); e impostos sobre operações financeiras (R$ 11,91 mi).
Apesar do aumento de 26,2% nos gastos para pagamento de juros sobre empréstimos e financiamentos, o endividamento da CMAA teve uma variação anual de apenas 0,9%. Em 31 de março de 2023, os débitos brutos da companhia somavam R$ 1,72 bilhão, ante R$ 1,7 bilhão um ano antes.
Conforme os números apresentados, no encerramento da safra, R$ 257,84 milhões tinham vencimento ao longo da temporada 2023/24. Em comparação com a posição comprometida no curto prazo um ano antes, a alta foi de 13,8% – segundo a CMAA, isso ocorreu por conta do aumento nos custos com insumos e combustíveis.
Já os R$ 1,46 bilhão restantes possuem um tempo mais longo para amortização. Ao final da temporada anterior, esta posição era de R$ 1,48 bilhão, caracterizando uma redução anual de 1,1%.

Para completar, durante a mais recente entressafra, a CMAA também fez uma emissão de debêntures simples e não conversíveis em ações, no valor de R$ 200 milhões. “Esse montante ajudou na manutenção dos elevados níveis de caixa e liquidez da companhia”, reforça.
De acordo com a sucroenergética, a dívida líquida subiu 14,8% no ano, para R$ 902,3 milhões. A necessidade de novas captações, justifica a administração, veio dos altos custos de produção e, também, dos constantes investimentos para modernização das usinas, manutenção dos canaviais e melhoria da eficiência. Também foi citado o projeto de irrigação na usina Vale do Pontal.
“Importante mencionar que, na gestão de risco da companhia, existe um desdobramento entre empréstimos negociados em diferentes indexadores, parcialmente segurados pelo IPCA, parcialmente segurados pelo CDI”, reforça a CMAA.
Resultados comparados
Outra forma de olhar para o resultado de uma sucroenergética é comparar seu desempenho em relação à moagem. Em 2022/23, a CMAA teve um lucro líquido de R$ 9,28 por tonelada de cana-de-açúcar processada, uma queda de 62,2% em relação aos R$ 24,58/t da temporada anterior.
Por sua vez, a receita teve uma elevação de 12,9%, para R$ 255,79/t, enquanto os custos subiram 19,9%, indo a R$ 189,98/t. Com isso, o resultado bruto da companhia em relação à moagem caiu 3,2%, saindo de R$ 68/t em 2021/22 para R$ 65,81/t na temporada mais recente.

Já o endividamento da companhia em 31 de março de 2023 correspondia a R$ 202,74 por tonelada moída ao longo da temporada. O valor representa uma queda de 5,5% ante o observado um ano antes, quando os débitos equivaliam a R$ 214,53/t.
Renata Bossle – NovaCana