Em meio à crise do desabastecimento de combustíveis gerada pela greve dos caminhoneiros – alavancada pelos altos preços do diesel e da gasolina – a perspectiva de preços para o mercado de combustível é acompanhada por uma série de dúvidas.
Mas esse não era o cenário vivido até então pelas usinas produtoras de etanol.
Os baixos preços de açúcar, motivados pelo superávit global do adoçante, levaram muitas unidades a favorecer a produção do biocombustível. Esse fator, acompanhado pelo crescimento da oferta ocorrido no início de safra, baixou os preços do renovável. Entretanto, a recuperação veio no início de maio.
Os reajustes quase diários no preço da gasolina, conforme a política praticada pela Petrobras, contribuíram para aquecer a demanda pelo biocombustível em um cenário de constantes altas.
A partir daí, os postos dos principais estados produtores passaram a registrar uma maior vantagem competitiva do etanol frente à gasolina. A relação entre os preços foi um dos fatores que fez com que, em maio, o volume de hidratado negociado mais que dobrasse em relação à 2017.
Nesse contexto, ao final da primeira quinzena de maio, foi registrado um aumento de 53,22% nos estoques da safra 2018/19 em relação ao visto em 16 de maio de 2017. As informações são referentes a posição dos estoques no Centro-Sul, divulgadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
O aumento de 2 bilhões de litros levou a um volume total de 3,07 bilhões de litros do bicombustível. No mesmo período da safra 2016/17, os volumes de etanol – embora mais próximos aos resultados atuais – não passavam dos 2,8 bilhões de litros.

Os estoques avantajados refletem a maior quantidade de cana moída: a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) registrou uma ampliação de 10,55% na moagem na região Centro-Sul na quinzena, passando de 38,57 milhões de toneladas para 42,65 milhões de toneladas. Além disso, a entidade evidenciou o mix mais alcooleiro do período, quando 63,42% da matéria-prima foi direcionada para a produção de etanol.
No acumulado da safra até 16 de maio, a moagem foi de 102,52 milhões de toneladas de cana (+27,33%), com 64,77% de direcionamento para o etanol – ante 55,79% em 2017/18. No total, a produção do biocombustível foi de 4,81 bilhões de litros.
Com isso, o volume total estocado em 16 de maio é equivalente a 63,91% do total produzido na safra.
São Paulo, o estado que mais produz etanol no país, correspondeu a 1,98 bilhões de litros do biocombustível estocado. O aumento é de 64,76% nos estoques em relação ao mesmo período do ano passado – percentual que excede a média nacional.
Ainda assim, o estado que teve elevação mais acentuada no estoque em relação à ultima safra foi o Paraná, com um aumento de 123,23% no volume, passando de 88 milhões de litros para 197 milhões de litros.

O Mato Grosso do Sul também teve aumento significativo no comparativo entre as duas últimas safras, passando de 136 milhões de litros em 16 de maio de 2017 para 259 milhões de litros em 2018 – uma ampliação de 90,99%.
Já Mato Grosso e Goiás registraram redução nos estoques na mesma comparação: de 14,95% e 0,07%, respectivamente.
O etanol hidratado é o que mais contribuiu com os altos estoques registrados no período. Em 16 de maio, o volume era de 1,89 bilhão de litros, um aumento de 61,08% em relação ao mesmo período da safra passada, quando 1,17 bilhão de litros estavam estocados.
Além disso, na produção acumulada, o hidratado cresceu 81,25% em relação ao ciclo passado, de acordo com a única, atingindo 3,57 bilhões de litros.

As companhias de São Paulo corresponderam a 1,19 bilhão de litros dos estoques de hidratado – 73,63% a mais que os 690 milhões de litros registrados em 2017/18.
Novamente, o Paraná é o estado que registou maior aumento nos volumes estocados, passando de 52 milhões para 120 milhões de litros, uma ampliação de 130,36%.
Por sua vez, Mato Grosso do Sul registrou uma posição de estoque 125,05% superior no comparativo das duas safras – um aumento no volume de 82 milhões de litros para 184 milhões de litros.

Apenas o Mato Grosso reduziu o volume estocado, passando de 51 milhões de litros para 57 milhões de litros (- 11,48%).
Os estoques de etanol anidro, que é misturado à gasolina, seguem a mesma tendência: da última safra para cá, os volumes estocados saíram da casa dos 828,77 milhões para 1,17 bilhões. A quantia é 42,05% superior no comparativo entre as duas temporadas.

As usinas paulistas detêm 785 milhões de litros do anidro, ampliação de 52,85% em relação aos 514 milhões de litros registrados em 2017. E, mais uma vez, o Paraná lidera o índice de aumento do volume estocado: 113,06%, passando de 36 milhões de litros para 78 milhões de litros.
Mato Grosso e Goiás são os únicos que registraram redução de estoque: 20,04% e 2,67%, respectivamente.

O crescimento menos acentuado dos estoques de hidratado também reflete o aumento mais tímido na produção. A fabricação de anidro, no acumulado da safra até primeira quinzena de maio, foi de 1,24 bilhão de litros, 8,85% superior ao 1,14 bilhão visto no mesmo período de 2017.
Gabrielle Rumor Koster – novaCana.com
EXCLUSIVO PARA ASSINANTES
VEJA COMO É FÁCIL E RÁPIDO ASSINAR