A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) publicou nesta quinta-feira, 24, um relatório sobre o acidente ocorrido em 29 de agosto de 2018 na produtora de etanol Denusa Destilaria Nova União, localizada em Jandaia (GO).
O acidente envolveu uma explosão no interior do terceiro pré-evaporador da usina durante uma inspeção de eficiência do novo sistema de limpeza. Conforme explica a agência, pré-evaporadores são equipamentos utilizados no processo de produção do etanol como produto final que atenda às especificações da ANP. “É utilizado, especificamente, para a eliminação da água, obtendo um produto límpido e isento de impurezas e favorecendo o rendimento na produção de etanol na etapa posterior de fermentação”, segue.
Anteriormente, a limpeza deste equipamento pela usina era feita por meio de uma mangueira sob pressão com água e acompanhada de uma roseta (equipamento que entra nos tubos para realizar a limpeza). Entretanto, esse processo havia passado a ser feito com uso de produtos químicos em circuito fechado.
No dia anterior ao acidente, ainda segundo a ANP, foi realizada a limpeza dos tubos dos pré-evaporadores. Após o uso de produtos químicos e do enxágue, durante inspeção de eficiência do novo sistema de limpeza, houve um estrondo seguido de um deslocamento de ar, o qual atingiu os colaboradores envolvidos na atividade.
“Como consequências da explosão, quatro colaboradores foram acidentados, resultando em duas vítimas fatais e dois feridos”, lembra a agência, que segue: “Também houve danos às instalações (desprendimento de parte do isolamento térmico do terceiro pré-evaporador e perda de parte do isolamento térmico e chapas de revestimento no pré-evaporador 2), que fizeram com que a unidade não pudesse continuar operando”.
Na ocasião, a ANP deslocou servidores para fiscalizar a instalação da Denusa e acompanhar as ações imediatas que estavam sendo tomadas. A agência ainda esclarece que não houve necessidade de interdição parcial do pré-evaporador 3, onde ocorreu o incidente, pois o equipamento já se encontrava interditado por determinação do Ministério do Trabalho.
“Coube à agência solicitar toda a documentação necessária à adequação das diretrizes apontadas na Resolução ANP nº 734/2018, procedimento necessário para que a unidade pudesse voltar a operar com segurança”, afirma.
A partir da análise do incidente, a comissão de investigação da ANP identificou 12 causas, todas relacionadas aos requisitos estabelecidos pela resolução, em especial às diretrizes descritas no manual orientativo de vistorias. São elas:
A ANP apontou também não conformidades e indicou cinco recomendações, de implementação obrigatória, com abrangência para todas as empresas que possuem instalações produtoras de biocombustíveis autorizadas pela ANP.
Segundo a entidade, o objetivo é executar as “lições aprendidas com o incidente em questão”. Em especial, as recomendações envolvem instalações com arranjo tecnológico e operacional que possa se assemelhar ao relatado pela comissão de investigação da ANP.
As recomendações, que podem ser lidas na íntegra no relatório, determinam aspectos como:
A ANP ainda explica que, a partir da conclusão do relatório, terá início o processo que determinará as sanções a serem aplicadas pela ANP à empresa, nos termos da Lei nº 9.847, de 1999.