A Superintendência de Defesa da Concorrência (SDC) da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) vai aprofundar, nos próximos anos, estudos sobre, dentre outros temas, as relações concorrenciais entre as distribuidoras e postos de bandeira branca – assunto que esteve em evidência nos últimos anos, nas discussões sobre a bomba branca.
A diretoria da ANP aprovou nesta quinta-feira, 7, o primeiro Plano de Estudos Econômicos Estratégicos (PEE) da SDC, válido para o biênio 2024-2025. O plano foi criado com o objetivo de ampliar conhecimento da agência sobre o setor regulado por meio de análises empíricas e subsidiar tomadas de decisão do regulador.
Serão sete blocos temáticos, dentre os quais está listado o “mercado de revenda de combustíveis automotivos: mapeamento da concentração, aprimoramentos de metodologia de detecção de cartéis e relações concorrenciais entre distribuidoras e postos bandeira branca”.
O Plano de Estudos Econômicos Estratégicos (PEE) da SDC também contemplará outros seis blocos temáticos:
Líderes do mercado de distribuição, Vibra, Raízen e Ipiranga chegaram a ser alvos de um inquérito da superintendência geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), por discriminação de preços entre postos bandeirados e sem bandeira. O caso foi arquivado este ano.
Ao votar a favor do PEE, o diretor da ANP, Daniel Maia, mencionou que será interessante dedicar um olhar concorrencial sobre a “polêmica da bomba branca” e o resultado da regulamentação sobre o assunto.
Em 2021, o governo de Jair Bolsonaro editou uma medida provisória com a flexibilização da fidelidade à bandeira dos postos – que, na prática, abria espaço para a existência de postos multimarcas, a partir da instalação de bombas brancas. A proposta era permitir a instalação de bombas não-exclusivas pelas quais o revendedor que exibe uma marca específica de uma distribuidora possa vender também produtos de outros fornecedores.
A MP foi editada enquanto a flexibilização ainda estava sendo avaliada pela ANP. A medida, um pleito da Associação Brasileira dos Revendedores de Combustíveis Independentes e Livres (AbriLivre), gerou muitas críticas por parte das distribuidoras. A proposta acabou sendo retirada na tramitação da MP na Câmara dos Deputados.
André Ramalho