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ANP faz análise estrutural e conjuntural sobre o comportamento dos preços do etanol e gasolina

anp logo black 460 170915A ANP concluiu nos últimos dias uma análise dos aspectos estruturais e conjunturais que afetaram a dinâmica de preços do etanol e gasolina no ano passado. Em 13 páginas a agência apresentou sua visão sobre o comportamento dos preços ao longo do ano e os fatores determinantes para as variações registradas na produção, distribuição e revenda

NovaCana 7 min de leitura

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) concluiu nos últimos dias uma análise dos aspectos estruturais e conjunturais que afetaram a dinâmica de preços do etanol e gasolina no ano passado.

Em 13 páginas a agência apresentou sua visão sobre o comportamento dos preços ao longo do ano e os fatores determinantes para as variações registradas na produção, distribuição e revenda.

Mais interessante que os fatores destacados sobre a dinâmica de preço dos combustíveis, é perceber como a agência enxerga o mercado de etanol no Brasil.

Segundo o diretor da ANP, Helder Queiroz Pinto Jr., o objetivo do trabalho foi contribuir para a compreensão dos traços marcantes, de natureza estrutural e tendencial, do comportamento dos preços.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) concluiu nos últimos dias uma análise dos aspectos estruturais e conjunturais que afetaram a dinâmica de preços do etanol e gasolina no ano passado.

Em 13 páginas a agência apresentou sua visão sobre o comportamento dos preços ao longo do ano e os fatores determinantes para as variações registradas na produção, distribuição e revenda. Mais interessante que os fatores destacados sobre a dinâmica de preço dos combustíveis, é perceber como a agência enxerga o mercado de etanol no Brasil.

Segundo o diretor da ANP, Helder Queiroz Pinto Jr., o objetivo do trabalho foi contribuir para a compreensão dos traços marcantes, de natureza estrutural e tendencial, do comportamento dos preços.

Etanol e gasolina: relação mais direta e imediata

Na visão da Agência, a relação do preço da gasolina e do etanol com a demanda pelos combustíveis está cada vez mais intensa. De acordo com o relatório, “a variação de preço de um combustível reflete cada vez mais diretamente, e de forma mais imediata, na demanda do outro, devido à crescente substituibilidade entre o etanol hidratado e a gasolina comum”. A explicação para este movimento está na participação cada vez maior dos carros flex dentro da frota nacional.

No entanto, a ANP destaca quatro fatores que sempre determinarão a competitividade entre os combustíveis: os “períodos de safra e de entressafra da cana-de-açúcar, a proximidade dos centros produtores (o que reduz o valor do frete), as diferentes alíquotas de ICMS incidentes sobre os combustíveis e a presença de grandes economias de escala na comercialização do produto”.

De forma geral a análise acabou se limitando apenas as influências relacionadas diretamente ao mercado de combustíveis. No entanto, a ANP menciona rapidamente o impacto de questões agrícolas no preço do etanol e de falta de financiamento das usinas. “Variações no valor do biocombustível ocorrem [também] em função de: concorrência causada pelo açúcar em momentos de elevação de sua cotação no mercado internacional; patamar dos preços e da demanda de seu principal substituto, a gasolina automotiva; e condições de financiamento para incremento da área plantada”, complementou a instituição.

Variação de preços

Segundo o documento da ANP, além dos reajustes em 2014 da gasolina A e do óleo diesel A nas unidades produtoras do país, a questão marcante no período foi a redução dos preços internacionais do petróleo no segundo semestre e seus impactos sobre a relação de preços nos mercados nacional e internacional e sobre o valor das importações dos produtos.

Ainda assim, a trajetória de preços da gasolina foi relativamente estável no período, mesmo em diferentes etapas da cadeia produtiva. O mesmo não se pode dizer em relação aos preços do etanol, afetado significativamente pelo período de safra e entressafra.

Para evidenciar a situação a ANP apresentou os valores praticados em São Paulo, estado que responde por 53,8% da produção brasileira de etanol (veja gráfico abaixo).

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A agência ainda fez questão de destacar a influência da resolução nº 67/2011, que “possibilitou a mitigação de riscos de desabastecimento de etanol anidro, minimizando a probabilidade de ocorrência de grandes variações em seus preços, como as acontecidas no primeiro semestre de 2011”. Esta resolução direcionou as distribuidoras para firmarem contratos anuais com as usinas de no mínimo 90% do volume vendido de anidro.

Etanol versus gasolina

Com relação à gasolina, o relatório inclui um gráfico que exibe o comportamento do preço médio mensal da gasolina brasileira, de janeiro de 2013 a dezembro de 2014. Os dados foram coletados com base nos preços dos produtores de gasolina A e nos preços da gasolina comum nas etapas de distribuição e revenda.

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O destaque do gráfico é o reajuste na gasolina comum de 3% ocorrido em 7 de novembro de 2014, que acabou alterando os preços em toda a cadeia. Na comparação entre os preços de dezembro de 2014 com 2013, a ANP realçou que a revenda reajustou seus preços em 2,9%, já a distribuição fez um reajuste maior, de 3,5%.

Com esse contexto, no gráfico seguinte a agência verificou o impacto nos preços médios mensais de etanol hidratado e de gasolina comum.

Assim, a partir dos dados apresentados, o relatório concluiu que o preço médio em nível nacional, foi “mais vantajoso economicamente o consumo do biocombustível durante oito meses de 2014: janeiro e entre junho e dezembro”. Esse resultado é bastante similar ao obtido em 2013, quando os meses mais vantajosos foram fevereiro e, novamente, entre junho e dezembro.

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Proximidade e sazonalidade

A ANP evidencia que a vantagem no consumo de etanol hidratado pode ser percebida de forma mais nítida em localidades próximas às áreas produtoras e na época da colheita de cana-de-açúcar, período em que a oferta é maior. Dessa forma, nos últimos dois anos, foi mais barato para os proprietários de veículos flex abastecer com etanol hidratado nos estados de São Paulo, Goiás, Paraná e Mato Grosso.

A relação da paridade com a gasolina e oferta próxima ao consumo nos últimos dois anos permitiu a agência constatar que em 2014, pelo segundo ano consecutivo, a demanda por hidratado cresceu, “o que não acontecia desde 2009, ano em que registrou seu maior consumo histórico”.

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Ao contrário da gasolina, que registra um consumo crescente desde 2004, o mercado do etanol ainda não conseguiu recuperar o volume comercializado no final da década passada.

Vale observar, contudo, que o consumo total de combustíveis dos veículos do Ciclo Otto, entre janeiro de 2008 e dezembro de 2014 cresceu a uma taxa média anual de 7%. Em 2014, especificamente, a elevação ficou acima da média, alcançando quase 8% em relação a 2013.

De acordo com o relatório, a participação do etanol hidratado na demanda desses combustíveis atingiu 23% no ano passado, um avanço de um ponto percentual comparando-se com a participação no ano anterior, porém, ainda distante dos 39% constatados em 2009.

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Para este ano, a expectativa da ANP é que o aumento de preço da gasolina a partir de fevereiro, motivado pela elevação de tributos federais, ampliará a competitividade do etanol hidratado no mercado doméstico. Fato que pode ser facilmente constatado com os números de venda de etanol nos postos este ano.

Importância do ICMS

Especialmente em São Paulo, um dos principais fatores que possibilitou vantagem econômica no uso do etanol hidratado foi derivado da incidência da menor alíquota de ICMS sobre o combustível, uma vez que ele ficou em 12%. Segundo a ANP, na média nacional entre os estados, o ICMS se situou em torno de 24%.

Em 2015, uma situação semelhante deve acontecer em Minas Gerais, pois foi aprovada, em março, uma alíquota do ICMS incidente sobre o etanol hidratado, que foi de 19% para 14%. Além disso, a alíquota para a gasolina foi elevada para 29%, alta de dois pontos percentuais.

O boletim com a análise completa está disponível aqui (.pdf).

Renata Bossle – NovaCana

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