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Anfitrião da COP28, Emirados Árabes planejam aumentar produção de fósseis

CAT rastreia 39 países e a União Europeia, cobrindo cerca de 85% das emissões globais e nenhum deles tem ambição compatível com 1,5°C


EPBR - Publicado: 24 Jul 2023 - 08:41

Os Emirados Árabes Unidos apresentaram na semana passada a terceira atualização da sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, em inglês) para cortar emissões e ajudar o planeta a limitar o aquecimento a 1,5 °C até 2100, mas o plano ainda é insuficiente, segundo cientistas do Climate Action Tracker (CAT).

O país foi escolhido para sediar, em novembro deste ano, a 28ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP28) e é um dos primeiros a apresentar uma nova NDC à ONU.

Embora o governo tenha aumentado sua ambição climática, o CAT observa que há “muito pouca ação na economia real”, já que o plano é continuar aumentando a produção e consumo de combustíveis fósseis.

De acordo com relatório publicado na quinta-feira, 20, as emissões continuarão aumentando até 2030, quando deveriam cair 35% abaixo dos níveis de 2021 para serem compatíveis com 1,5°C.

“Por causa de sua nova e mais forte meta NDC, a classificação geral do CAT para os Emirados Árabes Unidos melhorou de ‘Altamente insuficiente’ para ‘Insuficiente’, mas com incertezas sobre como planejam atingir a meta, seus desenvolvimentos planejados de combustíveis fósseis também o tornariam inatingível”, explica o documento.

A nova NDC estabelece uma meta de redução de emissões para 185 milhões de toneladas de CO2 equivalente até 2030 (excluindo mudança de uso da terra e silvicultura), uma redução de 14% em relação à meta anterior e 13% abaixo dos níveis atuais.

O CAT classifica esse objetivo como “Quase suficiente” no cenário doméstico e “Altamente insuficiente” em comparação com a parcela justa do país em relação às demais economias – ambas as subclassificações melhoraram com a nova NDC.

Estratégia de energia

A atualização da estratégia de energia para 2050 do sétimo maior produtor de petróleo do mundo inclui meta de 30% de capacidade de “energia limpa” até 2030 e investimentos de US$ 54 bilhões em energias renováveis nos próximos sete anos.

“No entanto, a estratégia ainda prevê um grande papel para o gás fóssil em 2050, o que está em desacordo com a meta declarada dos Emirados Árabes Unidos de atingir emissões líquidas zero até então”, observa o CAT.

Concorrendo com a ambição climática está a meta de alcançar a autossuficiência de gás natural e aumentar as exportações de óleo e gás.

O país tem investido fortemente na produção de gás offshore, após a descoberta de campos de até 57 bilhões de metros cúbicos.

A empresa nacional de petróleo dos Emirados Árabes Unidos (Adnoc) – cujo CEO é o presidente designado da COP28 – estabeleceu um plano de investimento de US$ 150 bilhões para a expansão de petróleo e gás.

Entre as estratégias para avançar com o O&G de forma menos agressiva ao clima está o desenvolvimento de projetos de captura e armazenamento de carbono e captura direta de ar. Falta, no entanto, especificar a escala de reduções e remoções de CO2 que esses investimentos pretendem alcançar.

Incompatíveis com 1,5°C

Os Emirados Árabes não estão sozinhos. O CAT rastreia 39 países e a União Europeia, cobrindo cerca de 85% das emissões globais e nenhum deles conseguiu a classificação de compatível.

O Brasil está no quadro dos insuficientes. A última atualização da NDC foi apresentada em abril de 2022, ainda durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), com revisões que organizações ambientais classificaram de “pedaladas climáticas” – as metas ficaram mais fracas que as originais, apresentadas em 2016.

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Com a mudança de governo, há uma grande expectativa de que o Ministério do Meio Ambiente, comandado por Marina Silva (Rede), corrija a pedalada.

Enquanto isso não ocorre, a NDC brasileira mais recente contribui para elevação de temperatura acima de 3°C no final do século. Desmatamento e previsão de expansão da geração térmica a gás natural estão entre os principais fatores elencados pelo CAT.

Nayara Machado