A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projeta uma queda de 11% na venda de máquinas agrícolas em 2024. A previsão foi apresentada em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira, 28.
Se for confirmada, este será o segundo ano consecutivo de redução nas vendas. No ano passado, foram comercializadas 60,98 mil unidades. Para este ano, a projeção é de que sejam vendidas 54,3 mil unidades.
O clima adverso decorrente dos efeitos do fenômeno climático El Niño, que provocou a quebra da safra 2023/24 e a queda nos preços das commodities agrícolas, pode representar riscos para a aquisição de maquinário por parte dos produtores.
Também as exportações devem diminuir neste ano, com 8,5 mil unidades, queda de 3% em relação a 2023. Mas, segundo o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, a projeção de crescimento global da economia e do PIB do Brasil, além da queda da taxa de juros e do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), de R$ 1,4 trilhão, podem estimular o setor.
O presidente da CNH Industrial para a América Latina, Rafael Miotto, disse que existe uma preocupação acentuada em relação ao rendimento das lavouras no momento, especialmente em Mato Grosso, o maior estado produtor de grãos do país, o que tende a encurtar as margens de investimentos dos agricultores.
A queda nas vendas de colheitadeiras de grãos no ano passado, de 18,5%, já foi reflexo dessa preocupação, segundo ele. “A margem apertada influencia a decisão”, afirmou.
Ele ressalta, entretanto, que há boas chances de ocorrência de La Niña neste ano. Ao contrário de El Niño, o fenômeno pode trazer muitas chuvas para o Centro-Oeste e provocar estiagem no Sul do país, situação inversa da verificada na safra atual. “A tendência para Mato Grosso é de recuperação no próximo ano”, afirmou.
As 60,98 mil máquinas agrícolas vendidas em 2023 representam uma queda de 13,2% em comparação com 2022, quando foram comercializadas 70,26 mil unidades.
Para Márcio de Lima Leite, a queda está associada ao financiamento, responsável, segundo ele, por 60% da tomada de decisão dos consumidores de comprar uma máquina agrícola, com peso para as taxas e o tempo de pagamento, além da liberação de crédito.
Já o vice-presidente da Anfavea, Alexandre Bernardes, disse que o clima adverso e a queda nos preços das commodities agrícolas contribuíram para a queda nas vendas. Ainda assim, o executivo ressaltou que o ano foi excelente, considerando a série histórica da Anfavea.
O ano passado superou 2019, quando o Brasil vendeu 38,73 mil unidades; 2020, com 40,98 mil unidades vendidas; e 2021, com vendas de 58,43 mil unidades.
A queda na venda de tratores de rodas em 2023 foi de 12,4%, com 53,79 mil, em comparação com 61,44 mil unidades em 2022. Já as vendas de colheitadeiras de grãos caíram 18,5%, para 7,19 mil unidades em 2023 ante 8,82 mil no ano anterior.
Em relação às vendas externas, houve queda de 17,8%, com vendas de 8,76 mil em 2023 em comparação com 10,66 mil em 2022. O Paraguai foi o principal destino das máquinas fabricadas no Brasil no ano passado, com 30% das compras (195 unidades), seguido pelos Estados Unidos, com 15% do mercado (95 unidades), e pela Bolívia, com 9% (55 unidades). O faturamento das exportações no ano passado foi de US$ 640 milhões, disse a Anfavea.
Vinicius Galera