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Ameaça de El Niño cresce e coloca o mercado de açúcar em alerta

el nino mapa 260314Fenômeno climático pode causar chuvas no Brasil e secas na Austrália, diminuindo ainda mais o rendimento previsto para a safra 2014/2015
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Corretoras, bancos, consultorias e associações ligadas ao mercado de açúcar ao redor do mundo tiveram um assunto em comum nos últimos dias: a ameaça do El Niño.

O alerta principal que desencadeou as análises veio do Escritório de Meteorologia da Austrália, informando que a água do Oceano Pacífico "esquentou significativamente nos últimos dois meses" abaixo da superfície, anunciando o aumento das temperaturas na superfície, importante indicador de um El Niño.

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"O Oceano Pacífico Tropical está esquentando neste momento", disse o escritório, acrescentando que a maioria dos modelos climáticos está "mostrando que as temperaturas da superfície do mar devem atingir os limiares de um El Niño durante o inverno do Hemisfério Sul". "A chance de um El Niño acontecer em 2014 aumentou", concluiu a agência australiana.

Apesar do fenômeno ser considerado positivo para mercado brasileiro de soja, milho e algodão, para o setor que depende da cana-de-açúcar, a situação é mais complicada. A possibilidade do El Niño está mexendo especificamente com o mercado de açúcar.

Em meio à crescente preocupação de investidores do setor de açúcar com relação ao padrão climático verificado este ano, que ameaça a produção na Ásia e no Brasil, a Austrália aumentou a possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño em 2014.

Segundo o Escritório de Meteorologia da Austrália, a água do Oceano Pacífico "esquentou significativamente nos últimos dois meses" abaixo da superfície, anunciando o aumento das temperaturas na superfície, vista como importante indicador de um El Niño.

"O Oceano Pacífico Tropical está esquentando neste momento", disse o escritório, acrescentando que a maioria dos modelos climáticos está "mostrando que as temperaturas da superfície do mar devem atingir os limiares de um El niño durante o inverno do Hemisfério Sul".

"A chance de um El Niño acontecer em 2014 aumentou".

Produção de açúcar ameaçada

Apesar do fenômeno ser considerado positivo para mercado brasileiro de soja, milho e algodão, para o setor que depende da cana-de-açúcar, a situação é mais complicada. A possibilidade do El Niño está mexendo especificamente com o mercado de açúcar.

A safra de cana-de-açúcar 2014/2015 deve ser enfraquecida pela seca que atingiu o Hemisfério Sul, e a possibilidade de El Niño ameaça ainda mais o rendimento.

O desenvolvimento da cana no primeiro trimestre foi prejudicado pela falta de chuva e agora o risco se inverte. As chuvas mais intensas atrapalhariam a colheita da cana.

No Brasil, o maior produtor mundial de açúcar, El Niños são associados à pluviosidade acima da média, que pode interromper a colheita e diminuir a quantidade de açúcar na cana. Na Austrália, o padrão é de seca no cinturão de açúcar da costa leste, que já está sofrendo com escassez de chuvas.

Na terça-feira, o banco Standard Chartered atualizou suas previsões para os preços das commodities e estimou que o preço do açúcar vai ficar em torno de 20 centavos de dólar por libra-peso no último trimestre de 2014, bem acima dos 18,72 centavos de dólar por libra-peso pagos nos futuros de março de 2015.

O banco advertiu que "condições climáticas extremas no Brasil e o risco de um El Niño devem minar o rendimento da cana-de-açúcar em 2014/2015".

Canegrowers, o grupo dos produtores australianos, já diminuiu em 2 milhões de toneladas a estimativa de moagem, que ficou em 30 milhões de toneladas, conforme o banco australiano Commonwealth Bank of Australia.

"Tão esperado desenvolvimento"

A corretora de soft commodities Sucden Financial também destacou o maior número de menções ao El Niño, enquanto a rival Marex Spectron chamou a "crescente probabilidade" de El Niño de o "tão esperado desenvolvimento" no mercado de açúcar nos últimos dias.

Em comentários menos reconfortantes do que os que já havia feito, a Marex disse que "o verdadeiro desastre seria se o El Niño viesse cedo e fizesse com que as monções na Índia falhassem". Ainda assim, a corretora destacou o nível dos reservatórios de água no país, o segundo maior produtor de açúcar do mundo, está "incomumente alto".

"Mas o verdadeiro foco de atenção é o centro-sul do Brasil", que é responsável por 90% da produção de açúcar do país.

Um El Niño, além de reduzir a quantidade de açúcar na cana e dificultar a colheita, "pode aumentar doenças e pragas na cultura, que pode ter sido enfraquecida pela seca".

Redução considerável de produtividade

Em 2009, durante o último El Niño, "chuvas excessivas no centro-sul do Brasil reduziram a produtividade consideravelmente", disse a Marex.

O ano de 1997, que testemunhou o El Niño anterior, "foi o único ano da década em que a produção de açúcar do centro-sul do país, ao invés de crescer em torno de 10%, caiu". A produção caiu 2,3% em 1997/1998, de acordo com a União da Indústria de Cana-de-açúcar.

Fonte: Agrimoney
Tradução e adaptação: Vivian Faria - NovaCana
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