Veja a seguir as explicações e as consequências do novo salto no preço dos créditos de biocombustíveisNesta análise sobre a mais recente disparada nos preços das RINs, você verá que a origem do problema está nos mandatos de consumo de etanol e na "parede de mistura". Mas foi o mercado de biodiesel nos EUA que "enlouqueceu".
Em recente análise sobre a alta nos preços dos RINs, que em duas semanas foram de US$ 1,02 para US$ 1,46, os pesquisadores da Universidade de Illinois Scott Irwin e Darrel Good chegaram à conclusão de que "se podemos dizer que algum mercado 'enlouqueceu', este mercado foi o de biodiesel, não o de RINs". Segundo eles, é a variação no preço do biodiesel que afeta o preço dos créditos de biodiesel (D4) e, consequentemente, o preço nos créditos de biocombustíveis avançados (D5) e de etanol (D6).
Inicialmente, os pesquisadores explicam a origem do problema: os mandatos de consumo de etanol do Padrão de Combustíveis Renováveis para 2013 e a parede de mistura, ou seja, a quantidade máxima de etanol que pode ser fisicamente misturada à gasolina dentro do limite de 10% - já que ainda não existe ampla aceitação do E15 e do E85 nos Estados Unidos.
Como a meta de consumo de etanol é maior do que pode ser usado fisicamente, é necessário usar créditos para atingi-las, nem que seja de uma categoria "mais alta" de combustível renovável. No caso do etanol, o combustível de categoria mais alta seria o biodiesel, o que faz com que os preços de D4 e D6 sejam semelhantes e acaba puxando também o preço dos D5. Os autores comprovam esta semelhança de preços ao mostrar que, em 18 de julho, D4 e D5 custavam US$ 1,465, enquanto D6 custava US$ 1,455, ambos os valores por galão.
Caso sejam usados créditos de biodiesel para cumprir o mandato de etanol, será necessário produzir mais biodiesel do que a atual demanda, porém os produtores só investirão neste volume extra se ele remunerar bem e os consumidores só o comprarão se o preço for mais baixo. Para não pagarem sozinhos por esta diferença, os blenders transferem-na para os preços de D4. Quanto maior ela for, maior o preço dos créditos de biodiesel. Quanto maior o preço do D4, maiores os preços de D5 e D6.

Com o aumento no preço do biodiesel nos últimos dias de US$ 4 para US$ 5,30 por galão e a manutenção do preço do diesel, as margens tem passado por variações que resultam também na variação dos preços do D4. De acordo com os pesquisadores, isso fica evidente quando observamos que, em 18 de julho, as margens de mistura do biodiesel eram de US$ 1,35 por galão, e o preço de D4 era US$ 1,465, apenas dez centavos maior.
Eles ressaltam, porém, que há outros fatores que influenciam o preço dos créditos de biodiesel, como a questão do crédito para os blenders, que às vezes existem e às vezes não – e às vezes são retroativos -, o fato de que o mercado de RINs reflete não apenas as margens atuais, mas também as futuras, e a questão das fraudes no mercado de D4.

Segundo eles, a valorização dos RINs sugere também que o mercado não espera grandes mudanças no Padrão de Combustíveis Renováveis para 2014, além de mostrar que a pressão de cumprir o mandato de etanol, mesmo com a parede de mistura, tem influência no preço do biodiesel.
Os especialistas terminam a análise dizendo que todos estes fatos ressaltam a restrição política que os EUA enfrentam neste momento, relacionada ao cumprimento dos mandatos, e a importância de monitorar os mercados de biodiesel e matérias-primas relacionadas.
O artigo na íntegra dos pesquisadores pode ser acessado aqui.

Vivian Faria - NovaCana
Em recente análise sobre a alta nos preços dos RINs, que em duas semanas foram de US$ 1,02 para US$ 1,46, os pesquisadores da Universidade de Illinois Scott Irwin e Darrel Good chegaram à conclusão de que "se podemos dizer que algum mercado 'enlouqueceu', este mercado foi o de biodiesel, não o de RINs". Segundo eles, é a variação no preço do biodiesel que afeta o preço dos créditos de biodiesel (D4) e, consequentemente, o preço nos créditos de biocombustíveis avançados (D5) e de etanol (D6).
Inicialmente, os pesquisadores explicam a origem do problema: os mandatos de consumo de etanol do Padrão de Combustíveis Renováveis para 2013 e a parede de mistura, ou seja, a quantidade máxima de etanol que pode ser fisicamente misturada à gasolina dentro do limite de 10% - já que ainda não existe ampla aceitação do E15 e do E85 nos Estados Unidos.
Como a meta de consumo de etanol é maior do que pode ser usado fisicamente, é necessário usar créditos para atingi-las, nem que seja de uma categoria "mais alta" de combustível renovável. No caso do etanol, o combustível de categoria mais alta seria o biodiesel, o que faz com que os preços de D4 e D6 sejam semelhantes e acaba puxando também o preço dos D5. Os autores comprovam esta semelhança de preços ao mostrar que, em 18 de julho, D4 e D5 custavam US$ 1,465, enquanto D6 custava US$ 1,455, ambos os valores por galão.
Caso sejam usados créditos de biodiesel para cumprir o mandato de etanol, será necessário produzir mais biodiesel do que a atual demanda, porém os produtores só investirão neste volume extra se ele remunerar bem e os consumidores só o comprarão se o preço for mais baixo. Para não pagarem sozinhos por esta diferença, os blenders transferem-na para os preços de D4. Quanto maior ela for, maior o preço dos créditos de biodiesel. Quanto maior o preço do D4, maiores os preços de D5 e D6.

Sobre a margem de mistura de biodiesel
Irwin e Good explicam também que o preço do crédito de biodiesel (D4) está diretamente relacionado com as margens de mistura para biodiesel, calculadas a partir da subtração do preço do biocombustível do preço do diesel, mais um dólar da taxa de crédito dos blenders, caso ela seja válida.Com o aumento no preço do biodiesel nos últimos dias de US$ 4 para US$ 5,30 por galão e a manutenção do preço do diesel, as margens tem passado por variações que resultam também na variação dos preços do D4. De acordo com os pesquisadores, isso fica evidente quando observamos que, em 18 de julho, as margens de mistura do biodiesel eram de US$ 1,35 por galão, e o preço de D4 era US$ 1,465, apenas dez centavos maior.
Eles ressaltam, porém, que há outros fatores que influenciam o preço dos créditos de biodiesel, como a questão do crédito para os blenders, que às vezes existem e às vezes não – e às vezes são retroativos -, o fato de que o mercado de RINs reflete não apenas as margens atuais, mas também as futuras, e a questão das fraudes no mercado de D4.

Implicações do aumento nos preços dos RINs
Além de explicar os motivos para o aumento nos preços dos RINs, os pesquisadores da Universidade de Illinois listaram também implicações deste crescimento. A primeira delas é que ele sugere que a parede de mistura será atingida logo e que o mercado não tem grandes expectativas quanto à popularização do E15 e do E85.Segundo eles, a valorização dos RINs sugere também que o mercado não espera grandes mudanças no Padrão de Combustíveis Renováveis para 2014, além de mostrar que a pressão de cumprir o mandato de etanol, mesmo com a parede de mistura, tem influência no preço do biodiesel.
Os especialistas terminam a análise dizendo que todos estes fatos ressaltam a restrição política que os EUA enfrentam neste momento, relacionada ao cumprimento dos mandatos, e a importância de monitorar os mercados de biodiesel e matérias-primas relacionadas.
O artigo na íntegra dos pesquisadores pode ser acessado aqui.

Vivian Faria - NovaCana
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