Preço do hidratado no Centro-Sul salta para alta recorde de R$ 3,15 por litro, aponta acompanhamento da Platts
Por Phillip Herring*
A S&P Global Platts avaliou o etanol hidratado do Centro-Sul a um valor recorde de R$ 3.150/m³ ontem, 18, o que caracteriza uma alta semanal de R$ 300/m³ ou 10,5%. No acumulado de 2021, o preço do hidratado subiu 27%.
O acompanhamento da Platts inclui ICMS e PIS/Cofins e é referente à região de Ribeirão Preto (SP).
De acordo com as informações levantadas, o aumento de 10% no preço da gasolina também anunciado ontem pela Petrobras e o clima seco no Centro-Sul levaram os preços do hidratado a níveis recordes.
“Já era esperado que os preços do etanol continuassem subindo no curto prazo devido ao clima persistente de seca no Centro-Sul e ao possível cenário de escassez no fornecimento do renovável no início de abril”, disse um trader de São Paulo. “O aumento da gasolina ajudou a lançar à estratosfera um mercado de etanol já nervoso”.
Desde 19 de janeiro, a Petrobras aumentou o preço da gasolina nas refinarias em 34%.
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Por Phillip Herring*
A S&P Global Platts avaliou o etanol hidratado do Centro-Sul a um valor recorde de R$ 3.150/m³ ontem, 18, o que caracteriza uma alta semanal de R$ 300/m³ ou 10,5%. No acumulado de 2021, o preço do hidratado subiu 27%.
O acompanhamento da Platts inclui ICMS e PIS/Cofins e é referente à região de Ribeirão Preto (SP).
De acordo com as informações levantadas, o aumento de 10% no preço da gasolina também anunciado ontem pela Petrobras e o clima seco no Centro-Sul levaram os preços do hidratado a níveis recordes.
“Já era esperado que os preços do etanol continuassem subindo no curto prazo devido ao clima persistente de seca no Centro-Sul e ao possível cenário de escassez no fornecimento do renovável no início de abril”, disse um trader de São Paulo. “O aumento da gasolina ajudou a lançar à estratosfera um mercado de etanol já nervoso”.
Desde 19 de janeiro, a Petrobras aumentou o preço da gasolina nas refinarias em 34%. Assim, seu preço internacional passa a ser acompanhado de perto. Quaisquer grandes movimentos nos mercados internacionais de energia ou na taxa de câmbio real-dólar podem levar a novas variações no valor aplicado pela Petrobras.
Os participantes do mercado usam as elevações da gasolina nas refinarias para balizar os preços do etanol. O aumento do combustível fóssil, quando sentido pelos consumidores na bomba, pode afetar a demanda e, consequentemente, os preços do hidratado no curto prazo.
A princípio, os consumidores tendem a encher seus tanques com o renovável apenas quando o preço equivale a 70% ou menos que o valor da gasolina, uma relação que pode variar de acordo com a eficiência de cada motor. Desta forma, mudanças no preço da gasolina podem alterar a dinâmica de mercado.
Até 18 de fevereiro, a relação entre o preço do etanol hidratado e o da gasolina estava em torno de 69% a 70%.
Tempo seco persiste no Centro-Sul
O clima seco contínuo no Centro-Sul ampliou as expectativas de redução da produtividade da cana-de-açúcar para a safra 2021/22, o que leva a uma queda associada na produção de etanol. Em fevereiro, de acordo com fontes ouvidas pela Platts, as chuvas devem ficar 20% abaixo da média, com 148 mm em vez de 183 mm.
“O verão é importante porque tem altas temperaturas e longa exposição ao sol, de modo que cada dia sem chuva significa uma grande perda de água no solo”, disse um trader de São Paulo. “É fundamental que as chuvas não estejam concentradas apenas em uma área, mas bem distribuídas em toda a região Centro-Sul, permitindo que o solo tenha a máxima retenção de água e proporcionando um desenvolvimento adequado para a cana”.
Ele explica que, durante o pico do verão, um hectare de terra perde aproximadamente 600 kg de água em um dia sem chuva. Se isso persistir por longos períodos, pode ser prejudicial ao desenvolvimento da cana.
Embora janeiro tenha testemunhado precipitações suficientes, dezembro e fevereiro tiveram de 10% a 20% menos chuvas em algumas áreas e a produção de cana deve apresentar um declínio em comparação com a safra 2020/21.
“A previsão do tempo para a segunda metade de fevereiro mostra chuvas não uniformemente distribuídas no Centro-Sul, com apenas três dos seis principais estados produtores de cana recebendo precipitações mais baixas do que a média histórica”, disse o analista de açúcar Claudiu Covrig, da S&P Global Platts Analytics.
“A perspectiva é que São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul recebam muito pouca ou nenhuma chuva até 24 de fevereiro, enquanto os outros três principais estados produtores de cana – Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso – receberão chuvas de 10% a 50% acima do normal no período citado”, completa.
* Phillip Herring é especialista de preços da S&P Global Platts
Com tradução NovaCana