Após colher os resultados de seu primeiro investimento em cogeração no Brasil, o grupo francês Albioma deu um passo a frente em sua estratégia de ampliar a venda de energia elétrica a partir da biomassa da cana-de-açúcar.
Com um modelo de negócios voltado para a cogeração do bagaço e completamente dissociado da produção de açúcar e etanol — ao contrário do que ainda ocorre em boa parte do setor — a empresa assinou um contrato de compra de 65% da Codora Energia. Este ativo de cogeração pertence ao grupo goiano Jalles Machado, que ficará com 35% do empreendimento e fornecerá a matéria-prima para alimentar as caldeiras da empresa, uma Sociedade de Propósito Específico (SPE).
Essa unidade da Codora Energia entrou em operação em 2011 e está associada a usina que atualmente processa 1,6 milhão de tonelada de cana-de-açúcar por ano. O grupo Jalles Machado é o segundo maior produtor mundial de açúcar orgânico, e, na última safra, processou 4,3 milhões de toneladas de cana.
O valor da operação é mantido em sigilo, mas segundo a Albioma, a aquisição da participação acionária foi feita com recursos da própria companhia (50%) e empréstimos no Brasil (50%), entre as quais, R$ 39 milhões com o BNDES.
Com a operação, a Albioma passa a imprimir um ritmo mais sólido ao seu negócio de cogeração no Brasil, que em 2014 apresentou um aumento de 31,2% no volume de energia exportada utilizando a mesma quantidade de bagaço processada no ano anterior. Espera-se que o modelo de eficiência e produtividade conferidos à UTE Rio Pardo, primeiro negócio do grupo no Brasil, sejam incorporados pela Codora Energia.
Ao assumir o controle de mais um ativo – o projeto tem duração de 20 anos, com a devolução das ações para a Jalles Machado no final do período – a Albioma terá garantido um contrato de longo prazo, válido até 2026, fixado em R$ 205 o MWh, valor que é corrigido anualmente pela inflação.

Detalhes completos da cogeração de todas as usinas do Brasil estão disponíveis na plataforma de dados: Levantamento da cogeração de energia no Brasil (por usina)
Alívio no caixa
Para a Jalles Machado, o percentual negociado, que na safra 2014/15 correspondeu a aproximadamente 2,3% de seu faturamento, representará um alívio no caixa da empresa. A agência de riscos Standard and Poor’s (S&P) classifica o risco financeiro da Jalles – medido pelo indicador fluxo de caixa/alavancagem - como “significativo”.
Nos cálculos da empresa, se a operação tivesse sido consolidada na safra encerrada em 31 de março, a alavancagem (relação entre dívida líquida e EBITDA) cairia de 2,7 para 2,3 vezes.
Segundo informou a Jalles Machado, será instalado, a médio prazo, um terceiro turbo-gerador na unidade, com potência de 20 MW, que “possibilitará elevar a quantidade de eletricidade exportada para acima de 170 GWh, crescimento de aproximadamente 75% até a safra 2018/19”. No mesmo período, a usina Otávio Lage, interligada à unidade de cogeração, ampliará sua capacidade de moagem de 1,6 para 2,2 milhões de toneladas.
Mesmo com uma participação restrita a 35% do negócio, em 2018 esta ampliação representará à Jalles Machado 80% dos 97,4 GWh exportados à rede na safra 2014/15.
“A parceria com a Albioma, empresa que detém grande expertise na geração de energia, possibilita à Jalles Machado ampliar a cogeração em um momento em que os preços de energia elétrica são atrativos”, avaliou Siqueira Filho.
“Com a concretização da negociação, a Jalles Machado vislumbra grandes possibilidades de melhoria na eficiência energética da instalação, resultante da expertise industrial da Albioma, o início do processo de recolhimento de palha, com grande potencial energético, e a geração de energia também no período de entressafra”, disse.
Localizada em Goianésia (GO), a unidade tem uma capacidade instalada de 48 MW e garantia física de 16,40.
Leonardo Siqueira – novaCana.com