A Triunfo Agroindustrial, usina de cana-de-açúcar instalada em Boca da Mata (AL), está atenta a "oportunidades" no processo de "reestruturação" do setor sucroalcooleiro que a empresa observa no Estado. Em entrevista, o presidente do Conselho Operacional da companhia, Givago Tenório, contou que a Triunfo pode assumir o processamento de unidades já fechadas, movimento este que também ocorre com outras usinas locais, visando a maior eficiência. De acordo com o executivo, tudo passa pelo aumento da produtividade nas lavouras, com o manejo das mais produtivas, sendo que fusões e aquisições também podem ocorrer.
"As (usinas) que sobraram vão ter de aproveitar as áreas produtivas; não tem como deixá-las abandonadas. Assim, haverá reaproveitamento da terra", explicou. Entre 60% a 70% das usinas de Alagoas têm como expandir a moagem. No caso da Triunfo, o processamento pode passar das atuais 1,5 milhão de toneladas para 2 milhões de toneladas, segundo Tenório.
De 2010 para cá, o rendimento nas lavouras de cana de Alagoas diminuiu de 75 toneladas para 60 toneladas por hectare em razão do abandono dos canaviais pelas unidades em maior dificuldade financeira. No mesmo período, o Estado viu o número de usinas em operação cair de 24 para 20, com a safra passando de 30 milhões para 23 milhões de toneladas.
O Nordeste como um todo, que já moeu cerca de 90 milhões de toneladas em um ciclo, processou pouco mais de 50 milhões de toneladas em 2014/15. Para Tenório, o endividamento do setor foi o principal responsável por essa deterioração, que se agravou com o controle dos preços da gasolina. "Se tivéssemos políticas públicas e linhas de financiamento coerentes, toda essa reestruturação ocorreria em uns três anos, com ganho de produtividade", avaliou.
"A subvenção é importante, é emergencial, mas não é algo estruturante para o setor se reerguer", acrescentou, referindo-se à política de benefícios a fornecedores de cana - só em Alagoas, quase metade da matéria-prima é proveniente de terceiros.
O presidente do Conselho Operacional da Triunfo disse, ainda, que toda a região Nordeste "precisa aproveitar seus potenciais de clima e de terra e complementar com o que existe".
Segundo ele, dentre esses potenciais estão proximidade da região com Estados Unidos e União Europeia, importantes importadores de etanol; custo de embarque de 5%, abaixo dos 20% registrados em outros pontos do País; e usinas localizadas perto dos portos, com distâncias que podem chegar a apenas 70 km - em São Paulo, por exemplo, as unidades de Ribeirão Preto estão a mais de 300 km de Santos.
Por fim, Tenório afirmou que o setor sucroenergético no Nordeste também deveria explorar mais a cogeração de energia elétrica, aquela produzida a partir da biomassa da cana, bem como o etanol de segunda geração (2G), também feito com bagaço e palha da planta.