A safra de milho do Brasil em 2022/23 será menor do que a expectativa, mas a produção ainda caminha para um recorde, de acordo com avaliação da Agroconsult.
A consultoria praticamente não mexeu em seu número da primeira safra de milho, com colheita em desenvolvimento, estimada em 29,4 milhões de toneladas, mas reduziu em aproximadamente 2 milhões de toneladas a produção na segunda safra, conforme números apresentados durante evento da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), em Brasília.
A segunda safra de milho, que responde pela maior parte do cereal brasileiro e está em processo de plantio, foi estimada em 99,1 milhões de toneladas, versus 101,3 milhões de toneladas em uma projeção de janeiro.
“Esperávamos mais, mas uma parte do que iria virar milho vai virar sorgo, ou não vai virar milho por conta de algum atraso. Teve uma redução na expectativa de crescimento da área plantada de milho safrinha”, disse o diretor da Agroconsult, André Pessôa, durante o evento.
Segundo ele, Minas Gerais e Paraná são dois estados onde a consultoria vê uma redução ante as expectativas.
O analista disse que alguns locais vão plantar milho fora do calendário ideal, principalmente no Paraná, o que deixa a safra mais sujeita a riscos de geadas mais para frente.
“Essas lavouras mais atrasadas começam a entrar no período de risco de geada precoce, período de chuva menos intensa. É uma boa perspectiva para as chuvas de abril e maio, por enquanto nos quadros climáticos. Mas a gente tem uma safra mais atrasada também”, afirma.
Com isso, a safra total de milho do Brasil foi projetada em 128,5 milhões de toneladas do cereal, versus 130,9 milhões na previsão de janeiro.
Apesar da redução na estimativa, ainda haveria um aumento de 8,6% na produção ante a temporada passada.
A Agroconsult vê chance de o Brasil superar os Estados Unidos na exportação do cereal neste ano, em linha com avaliações que circulam no mercado.
Victor Borges e Roberto Samora