
Orientações incluíram a apresentação de variedades adequadas para a região e formas de combate a pragas sem o uso de pesticidas
Produtores e interessados no cultivo de cana-de-açúcar em Maricá (RJ) estão recebendo informações do projeto Inova Agroecologia, parte do convênio entre a Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar), por meio da Biotec Maricá, e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
Dez variedades de cana estão sendo testadas na Fazenda Pública Joaquín Piñero, na zona rural de Maricá, há um ano e os resultados foram transmitidos aos potenciais cultivadores no sábado, 11.
“A nossa missão é mostrar, para os produtores e interessados, esses tipos de cana-de-açúcar ideais para os fins propostos e os mais adequados para o município. O clima daqui é muito propício, com sol e chuva frequente. Estamos despertando o interesse dos produtores para o cultivo orgânico e a meta é desenvolver o cultivo na cidade”, explica o engenheiro agrônomo da UFRRJ e coordenador de campo do Inova Agroecologia, Josimar Nogueira.
O profissional ressaltou a diversidade de usos que o produto pode ter na geração de renda para produtores de todos os portes. Além da produção de açúcar, etanol e cachaça, Maricá tem grande demanda para o caldo de cana. Hoje, segundo Nogueira, o maricaense toma caldo de cana feito de plantas que foram cultivadas até em São Paulo.
“Então, se o produtor se interessar pelo cultivo de cana-de-açúcar, ele já tem uma demanda local mesmo, para uso como caldo. No mercado, é possível vender cada cana por cerca de R$ 2. Já é uma renda para o produtor”, garante Nogueira.
Os cerca de 20 participantes do evento receberam informações sobre os melhores tipos de cana para a região e, também, sobre características ideais do solo, tipos de pragas, formas de combate a pragas sem o uso de pesticidas, formas de plantio, época ideal de colheita e adubação.
A cana-de-açúcar pode ser cultivada, ainda, como suplementação de alimentação para gado, principalmente para produtores de leite, como diz a doutora em ciência animal Elizabeth Processi, diretora da UFRRJ campus Campos dos Goytacazes e integrante do Inova Agroecologia.
“O cultivo da cana-de-açúcar é muito interessante para esses produtores de leite. A cana é indicada para compor a alimentação principalmente dos ruminantes e, no caso do gado leiteiro, vai melhorar a produtividade dele, quando balanceada com ureia, por exemplo, no período da seca”, disse.
Ela ressalta que a cana tem seu período de colheita coincidindo com a época mais seca do ano na região, o que faz dela uma boa opção de alimento para os animais quando os pastos estão mais escassos. “Os produtores de leite da região já costumam ter cultivo de cana para isso, mas eles não sabem o manejo e não têm acesso a materiais (plantas selecionadas) melhor adaptados à área. Parte do nosso trabalho é ensinar isso a eles”, finalizou Processi.
A cana-de-açúcar já chama a atenção de quem nunca mexeu com o cultivar e também de quem tem a planta apenas para consumo próprio, como Patric Quinze Dias, morador de Guaratiba. “Eu já produzia só para consumo, mas no ano passado decidi cultivar uma área maior. Plantei a primeira área tem oito meses e está crescendo muito bem. Agora é melhorar a plantação com essas mudas mais específicas. Eu tenho experiência com aipim, abóbora e milho”, ressaltou.
Já Edmilson Pereira, morador da Mumbuca, soube do evento e decidiu participar para conhecer mais sobre a cana-de-açúcar e tomar uma decisão se vale ou não a pena iniciar uma produção. “Neste primeiro momento, quero aprender o manejo e plantar só para mim. Conforme for, posso me dedicar a isso”, avaliou.
Além do evento, o Inova Agroecologia também oferecerá cursos no molde imersão (de um único dia, mas com horas de duração) sobre o cultivo da cana. A previsão inicial é de que, ainda em março, aconteça o curso Cana-de-açúcar para Alimentação Animal. No mês seguinte é a vez do Produção de Cana-de-açúcar em Sistema Orgânico de Produção.