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Agricultores europeus protestam e pressionam Parlamento contra acordo com Mercosul


Agência Estado - Publicado: 21 Jan 2026 - 07:59
Agricultores europeus protestam e pressionam Parlamento contra acordo com Mercosul

Protesto de agricultores em Estrasburgo acontece em frente ao Parlamento Europeu

Milhares de agricultores europeus, acompanhados por centenas de tratores, tomaram as ruas de Estrasburgo, na França, nesta terça-feira, 20, em mais um protesto contra o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul.

A mobilização ocorre em frente ao Parlamento Europeu, apenas um dia antes da votação decisiva que pode encaminhar o tratado ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) para análise de legalidade.

Segundo estimativas da polícia local, o ato reuniu mais de 4,5 mil manifestantes, enquanto a Federação Nacional dos Sindicatos dos Agricultores (FNSEA), considerado maior sindicato agrícola da França, fala em cerca de 5 mil participantes vindos de 15 Estados-membros, incluindo França, Itália, Bélgica, Polônia e Espanha. A imprensa local reportou a presença de cerca de 700 a mil tratores bloqueando acessos e concentrando-se nas imediações da sede do legislativo.

O protesto é uma resposta direta à assinatura do acordo, realizada no último sábado, 17, em Assunção, no Paraguai, pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelos líderes do Mercosul, apesar da forte oposição de setores agrícolas e de governos como o da França.

A manifestação reflete a insatisfação crescente do setor agropecuário do bloco, que teme a concorrência desleal e a importação de produtos sul-americanos sob padrões sanitários e ambientais distintos dos exigidos na Europa. As lideranças rurais exigem que os deputados europeus utilizem os mecanismos legais disponíveis para frear a implementação do tratado.

A votação agendada para hoje, 21, definirá se o Parlamento solicitará um parecer do TJUE sobre a compatibilidade do acordo com a legislação da UE. Caso o tribunal emita uma opinião desfavorável, o texto teria de ser renegociado ou modificado.

As entidades representativas do setor, como a Copa-Cogeca e a Asaja Nacional, reforçaram, em postagens no X, o discurso de que a Europa não pode ser rigorosa com seus produtores internos e permissiva com as importações.

O presidente da FNSEA, Arnaud Rousseau, afirmou durante o ato que a situação é insustentável e cobrou proteção à agricultura europeia. Além da questão do Mercosul, os manifestantes reivindicam uma Política Agrícola Comum (PAC) forte e bem financiada para o período pós-2027, simplificação burocrática real e garantia de renda digna.

A tensão política em Estrasburgo deve continuar ao longo da semana. Além da votação sobre o acordo comercial, o Parlamento Europeu analisará na quinta-feira, 22, uma moção de censura contra Ursula von der Leyen, apresentada pelo grupo de direita Patriotas por Europa, embora analistas considerem que a iniciativa tem poucas chances de prosperar.

Guilherme Nannini