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ADM pode vender sua única usina de etanol no Brasil


NovaCana - Publicado: 26 Mai 2015 - 15:17 | Atualizado: 26 Mai 2015 - 18:14

O entusiasmo com o mercado brasileiro de açúcar e etanol chegou ao fim para a gigante norte-americana de commodities ADM, que estuda — novamente — a possibilidade de vender a única usina sucroenergética que opera. Localizada em Limeira do Oeste (MG), a unidade tem capacidade para moer 1,5 milhão de tonelada por safra.

A ADM - que é a maior produtora de etanol a partir de milho nos Estados Unidos e, no passado, chegou a cogitar a construção de outras duas unidades no Brasil - também perdeu um de seus principais executivos, Alberto Peixoto, que durante três anos e oito meses atuou como head global de açúcar da trading.

No passado a multinacional já havia tentado vender esta usina. Em abril de 2012, conforme reportou o jornal Valor Econômico, a empresa contratou o Bank of America Merrill Lynch (BofA) para vender a unidade, esvaziando assim um projeto que contemplava a construção de duas outras usinas.

Embora a ADM, uma das maiores tradings globais de commodities, não seja considerada um “peso-pesado” no segmento de açúcar a decisão é vista como significativa para o mercado, que em 2015 enfrentou as piores cotações em seis anos e também por causa da posição de destaque que o executivo ocupava.

Procurada pela Reuters, Peixoto recusou comentar o assunto. Já a ADM disse que não comenta rumores de mercado, especulações ou assuntos pessoais.

Antes de atuar na ADM, Peixoto foi head de trading de açúcar na Bunge em Londres, e head de trading de açúcar e etanol na Tate & Lyle Industries, de 1996 a 2007.

A resposta da ADM é um sinal do declínio no entusiasmo pelo setor de cana nos últimos anos, disse o diretor de commodities da Societe Generale em Nova York, Michael McDougall.

“O Brasil saiu de uma visão brilhante do açúcar e do etanol para um fraco e mau cuidado canavial”, disse McDougall.

Traders multinacionais como a Bunge têm tentado vender os ativos adquiridos na última década no setor de açúcar e etanol no Brasil, o maior produtor e exportador de açúcar do planeta. No ano passado, o presidente da Bunge no país, Pedro Parente, chegou a dizer que “estamos no processo e, quando conseguirmos (fechar a venda), vamos anunciar”.

Assim como o negócio de moagem de cana, o mercado de trade do adoçante tem ficado cada vez mais competitivo nos últimos anos ante o excesso de oferta em um mercado já saturado de açúcar.

A ADM está num processo de reajuste de foco, vendendo suas operações de fertilizantes na América do Sul e também concordando em vender seus negócios de cacau e chocolate, para focar em grãos.

No ano passado, a empresa assumiu 100% do controle acionário da trader de grãos Alfred C. Toepfer International.

Fonte: Reuters

Tradução e adaptação novaCana.com