A Adecoagro Brasil, empresa agrícola controlada pelo megainvestidor George Soros, reportou um lucro líquido de R$ 17,5 milhões em 2014, revertendo o prejuízo de R$ 60,6 milhões registrado no ano anterior.
Dona de três usinas – uma em Minas Gerais e duas Mato Grosso do Sul - a companhia incrementou sua receita em 36,2%, de R$ 643,5 para R$ 876,6 milhões.
Descontados os custos com a venda de produtos, de R$ 570,6 milhões, e a variação do valor justo dos ativos biológicos (canaviais), que em 2014 somaram R$ 74,7 milhões, o lucro bruto no período foi de R$ 231,2 milhões, um salto de 171,6% em relação ao ano anterior.
As despesas financeiras aumentaram 4,3%, de R$ 119,2 para R$ 124,4 milhões, reduzindo o lucro líquido do exercício.
Já a dívida líquida subiu 51,4%, de R$ 1,07 para R$ 1,5 bilhão, o que acabou impactando negativamente o nível de alavancagem da empresa, que saiu de 1,05 para 1,38 vez.
A Adecoagro justificou o aumento na alavancagem como o resultado substancial do “incremento de empréstimos e financiamentos no decorrer do exercício de 2014 na controlada Adecoagro Vale do Ivinhema”, que utilizou os recursos para investir “na construção do parque industrial e formação de lavoura de cana-de-açúcar”.
Localizada em Ivinhema (MS), a “nova unidade” finalizou a ampliação de sua capacidade instalada, que aumentou de 2 para 5 milhões de toneladas.
No final do exercício, o resultado consolidado apresentou um excesso de passivos (compromissos e dívidas financeiras) sobre os ativos (bens e direitos que podem ser convertidos em dinheiro em curto prazo) da ordem de R$ 189,7 milhões.
Esta diferença foi o resultado da estratégia da empresa de antecipar a liquidação das dívidas mais caras, “que estavam com taxas acima da média de custo de financeiro”. A empresa também optou por “amortizar dívidas de curto prazo em moeda estrangeira e captar novos recursos de longo prazo”.
A Adecoagro informou, ainda, que espera um crescimento e melhora nos seus resultados futuros para 2015, “projetando manter o nível de endividamento, melhorando as condições dos financiamentos, o que reduziria os custos financeiros e também acionando um plano de redução de custos agrícola, incluindo uma melhoria na eficiência durante a entressafra e tecnológica nas técnicas de plantio”.
Além de ampliar a capacidade de moagem em uma de suas usinas, a Adecoagro começou a safra 2015/16 mais cedo na tentativa de diluir as despesas ao longo de um período maior.
A antecipação da safra atual foi impulsionada pelo excedente de cana em 2014/15. Segundo informou a empresa, no início da safra havia 631 mil toneladas de cana bisada, graças ao aumento da produtividade e da qualidade da matéria-prima obtida no ano passado.
Leonardo Siqueira – novaCana.com