Clima exigiu adaptações na estratégia de moagem intermitente de cana-de-açúcar, adotada pela companhia no começo de 2016
Os três primeiros meses do ano, apesar dos bons resultados, foram de cautela para a multinacional Adecoagro. O grupo, que tem operações relacionadas à agropecuária e à produção sucroenergética, atua em negócios na Argentina, no Uruguai e no Brasil.
No Brasil, onde a companhia atua na atividade sucroalcooleira, já não é novidade que – diferente da maior parte das usinas brasileiras, que param durante o período de entressafra – o grupo mantém a moagem, uma prática adotada para aumentar o fôlego de suas unidades. O sistema de colheita contínua, possível devido às diferenças climáticas encontradas no cluster de usinas no Mato Grosso do Sul, está em sua segunda safra, tendo sido implementado no começo de 2016.
Esse ano, no entanto, a empresa relata que, de novembro de 2016 a março de 2017, as chuvas na região ficaram 25% abaixo da média de 10 anos. Dessa maneira, a decisão foi por desacelerar o ritmo de esmagamento durante o primeiro trimestre e apenas moer a cana própria de 16 a 18 meses e a cana comprada de terceiros.
Segundo a Adecoagro, esta estratégia permitirá que a tradicional cana-de-açúcar de 12 meses fique mais tempo no campo, cresça de dois a três meses adicionais e se beneficie das chuvas normalizadas durante os meses de março e abril. Isso sugere a expectativa de que as atividades da companhia ganhem força nos próximos trimestres.
Apesar das ressalvas, foi possível para companhia manter bons resultados financeiros no primeiro trimestre de 2017 (ano-civil).
Confira a seguir detalhes sobre o resultado financeiro da companhia.
Os três primeiros meses do ano, apesar dos bons resultados, foram de cautela para a multinacional Adecoagro. O grupo, que tem operações relacionadas à agropecuária e à produção sucroenergética, atua em negócios na Argentina, no Uruguai e no Brasil.
No Brasil, onde a companhia atua na atividade sucroalcooleira, já não é novidade que – diferente da maior parte das usinas brasileiras, que param durante o período de entressafra – o grupo mantém a moagem, uma prática adotada para aumentar o fôlego de suas unidades. O sistema de colheita contínua, possível devido às diferenças climáticas encontradas no cluster de usinas no Mato Grosso do Sul, está em sua segunda safra, tendo sido implementado no começo de 2016.
Esse ano, no entanto, a empresa relata que, de novembro de 2016 a março de 2017, as chuvas na região ficaram 25% abaixo da média de 10 anos. Dessa maneira, a decisão foi por desacelerar o ritmo de esmagamento durante o primeiro trimestre e apenas moer a cana própria de 16-18 meses e a cana comprada de terceiros.
Segundo a Adecoagro, esta estratégia permitirá que a tradicional cana-de-açúcar de 12 meses fique mais tempo no campo, cresça de dois a três meses adicionais e se beneficie das chuvas normalizadas durante os meses de março e abril. Isso sugere a expectativa de que as atividades da companhia ganhem força nos próximos trimestres.
Apesar das ressalvas, a moagem de cana da companhia cresceu 2,9% nos primeiros três meses do ano em uma comparação com o mesmo período do ano passado. Assim, um total de 1,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar foram moídas de janeiro a março. Esse resultado representa uma evolução mais tímida em comparação com os fortes crescimentos experimentados na entressafra anterior, após a adoção do período de moagem intermitente.

Por outro lado, mesmo com o crescimento menos acelerado da produção, a receita de vendas da Adecoagro apresentou resultado significativo em relação ao mesmo período de 2016. A divisão canavieira registrou uma receita de R$ 104,4 milhões no primeiro trimestre de 2016, crescimento de 50,7%. Os valores das vendas de açúcar e etanol apresentaram alta de, respectivamente, 66,4% e 33,9%, enquanto a receita com energia subiu mais de 140%.

Os resultados foram impulsionados tanto pelos maiores volumes de vendas de açúcar, etanol e energia (5,4%, 13,0% e 89,3%, respectivamente), como pelos maiores preços realizados (57,9%, 18,5% e 27,0%, respectivamente).



No período, o lucro bruto da atividade canavieira cresceu apenas 4,7%, para US$ 21,72 milhões. Já o Ebitda, que mede o resultado das operações, atingiu US$30,26 milhões no segmento. O valor é 37% maior, ou seja US$ 8 milhões acima do registrado no mesmo período do ano passado. A margem Ebitda ajustada, em compensação, caiu de 31,9% para 29%.
Segundo a companhia, os efeitos positivos das vendas e dos preços foram parcialmente prejudicados por um aumento dos custos unitários de produção, explicado pelo aumento das compras de cana-de-açúcar por terceiros e pela valorização do Real. Além disso, houve uma perda de US$ 2,7 milhões decorrente de mudanças no valor justo da plantação de cana-de-açúcar, resultantes da redução dos preços projetados do açúcar e, novamente, pelas mudanças no câmbio.



Dívida
O endividamento da área de açúcar, etanol e energia, considerando empréstimos e financiamentos chegou a US$ 642,98 milhões no 1º trimestre deste ano, sendo US$ 134,67 milhões no curto prazo e US$ 508,29 milhões no longo prazo. O total ficou 5,4% maior do que a posição da dívida registrada há um ano.

Renovação dos canaviais
Em 31 de março de 2017, segundo dados da companhia, o tamanho da plantação de cana-de-açúcar era de 136,4 mil hectares, representando um crescimento de 4,4% em relação ao ano anterior.

De acordo com a Adecoagro, o plantio de cana-de-açúcar continua sendo uma estratégia chave para suprir as fábricas com matéria-prima de qualidade a baixo custo. Durante o primeiro trimestre do ano, foram plantados 5,51 mil hectares de cana-de-açúcar. Desse total, 1,79 mil hectares correspondem a áreas de expansão.
Esses hectares, conforme relatório da companhia, estão relacionados à “expansão do cluster” anunciado no último trimestre. “O saldo corresponde a áreas plantadas para renovar antigas plantações com cana-de-açúcar mais nova e de alto rendimento, permitindo assim manter a produtividade de nossa plantação”, destaca o documento.
Sobre as expansões, a companhia ainda ressalta que a expansão da Usina Angélica, localizada no município mato-grossense de mesmo nome, está completa: “Instalamos rolos de laminação maiores e expandimos os processos de centrifugação de açúcar e filtração de etanol. A capacidade nominal de moagem aumentou 0,9 milhões, passando de 4,7 milhões de toneladas por ano para 5,6 milhões de toneladas por ano”.
Já em relação à usina de Ivinhema, a Adecoagro destaca que começou a construir as fundações para um novo moinho.
Resultados gerais
Além das operações com cana-de-açúcar, o grupo exerce outras atividades agropecuárias, principalmente voltadas ao cultivo de grãos, com atuação na Argentina e no Uruguai. Nos três primeiros meses desse ano, a companhia conseguiu superar o resultado do mesmo período de 2016, registrando lucro de US$ 5,96 milhões ante os ganhos de US$ 2,7 milhões no ano passado. No período, as vendas líquidas registraram incremento de 36%, alcançando US$ 159 milhões.
De acordo com o relatório da companhia, o lucro líquido durante o trimestre foi reforçado pelo Ebitda ajustado mais forte e também por melhores resultados financeiros. Ao mesmo tempo, houve um aumento de US$ 4,1 milhões nas despesas de depreciação decorrentes principalmente da expansão da plantação de cana-de-açúcar e da valorização da moeda brasileira.

Marina Gallucci – NovaCana